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Clippings - 07/11/16

Sem dragagem, porto vai parar

INFRAESTRUTURA – Assoreamento é uma constante na área de atracação do Porto do Recife. Profundidade reduzida atrapalha operação.

Depois de quatro anos sem dragagem, o Porto do Recife já está operando com alguma dificuldade devido à diminuição da profundidade na área de atracação. “Os navios não terão condições de atracar em 2018, se continuar do jeito que está”, diz o diretor Comercial e de Operações da estatal, Carlos Vilar.

A falta da dragagem já atrapalha a atração de investimentos e foi um dos motivos que levaram o governo federal a suspender a licitação que ia escolher um operador para o terminal marítimo de passageiros, cujas obras físicas foram concluídas em 2013. Até hoje, esse empreendimento não tem um operador privado, embora tenha recebido um investimento de R$ 28,1 milhões da União.

Atualmente, os navios com carga de exportação (que saem mais pesados) só conseguem deixar o porto quando a maré está alta. Na importação de grãos (como milho, cevada e trigo), algumas embarcações têm que atracar duas vezes para serem totalmente descarregadas, o que traz mais custo para os operadores. “Quando operamos esse tipo de carga, o navio descarrega uma parte da carga no terminal 5 e depois vai para o terminal 1, onde tem a esteira e os silos para receber os grãos”, conta um operador, que pediu para não ser identificado. O calado do terminal 5 está em 10,8 metros e o do terminal 1, em 8,9 metros. “A cada inverno vai diminuindo a profundidade de atracação dos berços do Porto do Recife. A falta de dragagem vai limitar os navios de passageiros de grande porte e os de carga.

A tendência é os navios ficarem na lama, se não for feito algo”, lamenta o presidente do Sindicato dos Operadores de Pernambuco (Sindope), Ricardo Luiz von Sohsten. O Porto do Recife está localizado entre as desembocaduras dos rios Capibaribe e Beberibe, recebendo muitos sedimentos, principalmente durante o inverno, quando ocorrem mais chuvas. “O Porto do Recife deveria ter uma dragagem de manutenção contínua”, defende Ricardo.

A última dragagem foi realizada em 2012. “Encaminhamos o projeto da dragagem à Secretaria Especial dos Portos (SEP) para ser enquadrado no segundo Plano Nacional de Dragagem (PND-2) em 2015. Estamos na fila, mas não sabemos qual a posição”, resume Carlos Vilar. Lançado em dezembro de 2013, o PND-2 previa a aplicação de R$ 3,8 bilhões em dragagens nos 20 principais portos públicos do País. Até agora, só foram licitadas as dragagens para os portos de Santos e Paranaguá, respectivamente, em São Paulo e Paraná. Este ano, não deve sair a dragagem, porque o governo federal está fazendo corte de vários gastos.

Uma dragagem mais simples e emergencial no Porto do Recife custaria cerca de R$ 60 milhões, aumentando a profundidade dos berços de atracação, em média, para 12 metros, segundo Vilar.

A dragagem pedida à União pelo Porto foi no valor total de R$ 160 milhões. Esse valor incluiu também o alargamento do canal que dá acesso aos berços de atracação do cais. Essa obra é necessária porque hoje só passa pelo canal os navios que têm um comprimento de 240 metros.

Com essa obra, o Porto poderia receber embarcações com até 300 metros de comprimento. E há uma tendência dos navios serem cada vez maiores com o tempo.

CARGA

No ano passado, o Porto do Recife movimentou 1,4 milhão de toneladas de carga, sendo as maiores movimentações de açúcar e barrilha, produto usado na fabricação de vidro e sabões. “Mesmo com a crise, a nossa expectativa é de crescer 10% da carga este ano”, conta Vilar. Este ano, a principal movimentação deve ficar com o milho, com um total de cerca de 400 mil toneladas, das quais 300 mil toneladas passaram pela estatal até outubro. “Suape não tem condições de operar esse tipo de carga, porque não tem um terminal siloportuário, um terminal de açúcar e não opera no varejo”, comenta Vilar. Ontem, a estatal estava com seis navios atracados, dos quais três movimentavam cargas de exportação (açúcar e vergalhões de ferro).

Se nada for feito, navios não poderão atracar em 2018, segundo Carlos Vilar