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Clippings - 06/04/16

Sem Galeão e Confins, Infraero sai do azul e tem prejuízo operacional

Depois de ter perdido o controle do Galeão (RJ) e de Confins (MG), aeroportos que foram transferidos para a iniciativa privada em agosto de 2014, a Infraero saiu do azul e registrou prejuízo operacional de R$ 221,7 milhões no ano passado. A perda dos dois terminais, além do de Natal, foi decisiva no resultado. Todos eram rentáveis — houve lucro de R$ 58 milhões no exercício anterior. Os resultados financeiros da estatal foram publicados nesta terça-feira no “Diário Oficial da União”.

Outros dois indicadores demonstram o grau de comprometimento da saúde financeira da Infraero. Ela teve prejuízo líquido de R$ 3,049 bilhões em 2015.

Esse desempenho, no entanto, inclui os investimentos feitos em ativos da União. Isso porque os aeroportos administrados pela estatal não fazem parte de seu patrimônio e todas as melhorias são classificadas contabilmente como um gasto sem retorno.

Em função dessa regra, o balanço da Infraero inclui ainda o resultado líquido antes de investimentos, no qual foi registrado um prejuízo de R$ 2,118 bilhões — mais que o dobro do verificado no ano anterior.

Segundo comunicado da estatal, o rombo foi influenciado por vários “eventos não recorrentes”. Foi preciso, por exemplo, dar baixa patrimonial de R$ 826,4 milhões nos aeroportos em que a Infraero ficou com apenas 49% de participação acionária. Também houve a necessidade de constituir provisões, perdas e atualizações de contingências trabalhistas, cíveis e extrajudiciais no valor de R$ 584,8 milhões. Outro passivo resulta de provisão relativo ao plano de previdência complementar e ao programa de assistência médica. Foram alocados R$ 122,6 milhões no balanço para isso.

Em meio a uma tentativa de reestruturação, a Infraero destacou números que são favoráveis quando a comparação é feita sem os aeroportos privatizados. Nesse caso, as receitas operacionais apresentaram crescimento de 9,6% no ano passado. O desempenho decorre principalmente da expansão das receitas comerciais, que foram ampliadas com o arrendamento de áreas para alimentação, estacionamentos de veículos e novos hotéis, entre outros.

“O custo operacional, por sua vez, foi alvo de medidas de controle, com acompanhamento sistemático das despesas e definição de metas. Entre as ações que foram adotadas estão a substituição de empregados terceirizados por funcionários de carreira da Infraero que eram de aeroportos concedidos”, afirma o comunicado da estatal.

“Com isso, as despesas de 2015 com material de consumo, serviços contínuos, despesas gerais e serviços públicos chegaram ao montante de R$ 920,5 milhões, o que representa acréscimo de apenas 3% em relação a 2013 (sem os aeroportos concedidos), ante a inflação de quase 18% no mesmo perãodo.

Destaca-se que, até 2012, estas despesas aumentavam em média duas vezes a inflação por ano.”