
O mercado terá que esperar um pouco mais pelo lançamento do edital para o afretamento dos dois FPSOs de Sergipe Águas Profundas. Previsto originalmente para ser publicado pela Petrobras no final de 2022, o bid está travado, aguardando a aprovação dos sócios ONGC e IBV (Bharat Petroleum / Videocon).
A Petrobras já definiu e aprovou todos os trâmites internos dos dois módulos do projeto de Sergipe Águas Profundas, mas ainda depende do aval das duas empresas. Segundo informações, a petroleira brasileira tem reunião agendada nesta semana com os dois sócios visando agilizar o processo.
A questão principal que vem atrasando a liberação do edital não tem qualquer vínculo com detalhes técnicos do projeto, mas com o aporte de recursos necessários à implantação dos dois sistemas. Já faz algum tempo que a Bharat vem arcando com todos os custos do projeto, uma vez que a Videocon deixou de fazer os aportes.
De acordo com fontes da Petrobras, a intenção interna é liberar o edital o mais rápido possível, de preferência ainda em janeiro, mas ainda há incertezas sobre esse prazo. A data da liberação poderá ser definida a partir da realização dessa reunião com sócios.
A intenção inicial da Petrobras era de liberar o bid para o afretamentos dos FPSOs de Sergipe antes da licitação para o EPC (Engineering, Procurement and Construction) dos FPSOs de Sépia e Atapu, mas o atraso na aprovação dos sócios do projeto acabou alterando o cronograma. O edital das unidades do cluster foi publicado no dia 23 de dezembro.
Os FPSOs a serem afretados pela Petrobras para o projeto de Sergipe terão capacidade de produção de 120 mil bpd de óleo. A unidade de SEAP 1 poderá comprimir até 10 milhões de m3/d de gás, enquanto a de SEAP 2 terá planta para 12 milhões de m3/d.
Os dois FPSOs terão que estar prontos para operação em 2027. As plataformas atenderão aos campos de Budião, Budião Noroeste, Budião Sudeste, Palombeta, Cavala, Agulhinha e Agulhinha Oeste.
As primeiras avaliações são de que o bid de Sergipe irá gerar uma disputa maior entre as empresas. A aposta é de que tanto as grandes operadoras de FPSOs quanto as médias devam apresentar propostas.
O módulo de SEAP 1 terá 15 poços. Para o módulo SEAP 2, a Petrobras prevê um total de 18 poços.
A opção pelo afretamento e por contratar duas unidades em um mesmo bid foi tomada no ano passado. Inicialmente, o projeto foi concebido prevendo a contratação em fases e sob o modelo de BOT (Build Operate Transfer), mas a licitação acabou sendo cancelada por preço excessivo.
Na ocasião, apenas a Ocyan apresentou proposta. A oferta do grupo ficou em US$ 4 bilhões, fixando ainda condicionantes relacionadas ao cenário de volatilidade e incerteza gerado pela guerra entre a Rússia e a Ucrânia.
O bid original que acabou sendo cancelado foi lançado em agosto de 2021.
Fonte: Revista Brasil Energia