José Serra (PSDB-SP) criticou, na abertura da Brasil Offshore, a gestão da Petrobras. Segundo o senador, o crescimento da dívida da companhia nos últimos anos fez com que cada barril de petróleo seja produzido com R$ 341 de dívida, enquanto a média de outras petroleiras é de R$ 61 de dívida por barril extraído.
Autor do Projeto de Lei 131/2015 que acaba com a operação única do pré-sal, afirmou que a atual situação da Petrobras é “dramática”. Segundo ele, o modelo de concessão é mais adequado ao país, mas afirmou ser contra o fim da partilha, para evitar paralisar o setor novamente, fazendo referência ao hiato de cinco anos de leilões enquanto se debatia o novo marco regulatório.
Sobre as chances de mudança na operação única, Serra disse existir apoio no próprio governo e do PT no Senado e citou, inclusive, Delcídio Amaral, senador pelo PT do MS, com um dos apoiadores.
Outras propostas
O senador também disse estar trabalhando em um projeto para definir, em lei, um modelo para reajustes de combustíveis pela Petrobras. A política de represamento de preços, de acordo com o parlamentar, é um dos símbolos do que classificou como “fracasso da política econômica”.
Outra questão levantada pelo parlamentar, que não depende do Congresso, é a redução da exposição da Petrobras a negócios fora do E&P. Serra citou a estratégia do Banco do Brasil, que foi presidido por Aldemir Bendine, em entregar áreas não prioritárias para controle operacional privado, mantendo a maioria acionária. Isso poderia ser feito pela Petrobras em empresas como a BR e a Transpetro, citou.
Protestos
A presença do senador José Serra (PSDB-SP) na Brasil Offshore e de manifestantes terminou em confusão durante o primeiro painel da conferência. Ao iniciar sua fala, Serra foi interrompido a gritos de “entreguista” e agentes de segurança foram chamados.
Sindicalistas ligados ao Sindipetro-NF e à CUT ocuparam o palco do principal auditório da feira, com faixas contra Serra, alterações na Lei de Partilha e protestos direcionados ao PSDB. Os manifestantes também acusam Serra de oportunista, afirmando que o senador estaria aproveitando a crise causada pelos crimes investigados na Operação Lava Jato para alavancar o projeto que muda a Lei de Partilha.
Além disso, o Sindipetro-NF afirma que o “senador tucano tenta realizar o velho sonho entreguista” e ampliar a participação de empresas privadas no E&P brasileiro, em especial, “as empresas americanas”.
O protesto só foi encerrado com a entrada de agentes do Grupo de Apoio Operacional (Gaop), da Guarda Municipal local, que forçou a desocupação do palco e a desmobilização do protesto.