A pandemia do novo coronavírus provocou queda significativa no setor industrial brasileiro no mês de março, como apontou pesquisa divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última terça-feira (05). Em comparação com o mês anterior a queda foi de 9,1%. Segundo informou o instituto, dos 26 ramos da indústria 23 apresentaram queda na produção. Dentre eles o mercado de máquinas e equipamentos com uma queda de 9,1%.
De modo geral, o setor produtor de bens de capital apontou uma queda de 15,2%, ou seja, taxa negativa mais elevada que a média nacional, na comparação de fevereiro e março deste ano. De acordo com o instituto, esse número eliminou o ganho de 13,8% no setor acumulado nos dois primeiros meses de 2020.
O IBGE afirmou que este setor marcou a queda mais acentuada desde março de 2018. A redução observada no segmento e também na maior parte da indústria reflete os efeitos do isolamento social em razão da pandemia. Isso afetou o processo de produção em várias unidades produtivas no país. O instituto observou paralisações ou interrupções da produção em diversas unidades.
A pesquisadora da área de economia aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV IBRE), Luana Miranda, afirmou que a produção de máquinas e equipamentos deve ser duramente afetada pela crise, tendo em vista que está intimamente relacionada com a capacidade de investimento das empresas. Segundo ela, em um cenário de incerteza “exacerbada”, o investimento tende a retrair. Ela destacou, no entanto, que um dos setores da indústria mais afetados tende a ser o de bens de consumo duráveis, sobretudo devido à queda na renda e no aumento do desemprego.
De acordo com os dados do IBGE isso tem se confirmado. A confecção de artigos do vestuário e acessórios, com uma queda de 37,8%, e de couro, artigos para viagem e calçados, com redução de 31,5% estão entre um dos mais impactados pela pandemia. O instituto afirmou ainda que a queda nas atividades do setor de veículos automotores, reboques e carrocerias, de 28%, foi o que mais influenciou negativamente o resultado da indústria geral no país. Neste ramo da indústria, o principal impacto ficou com a redução na fabricação de automóveis.
Segundo pesquisa realizada pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), entre os meses de março e abril deste ano, o dado mais preocupante é a manutenção dos empregos no setor. A pesquisa revelou que 21,4% das empresas pesquisadas demitiram 16,4% da mão de obra, gerando uma redução de 11 mil postos de trabalho.
Em nota, o presidente da Abimaq, José Velloso, afirmou que praticamente todas as empresas informaram que pretendem promover demissões nos próximos meses. A estimativa é de que o número de demissões possa chegar a 15%, o que significaria, segundo ele, a perda de 50 mil postos de empregos diretos e mais de 150 mil indiretos.
Mais de 70% do universo pesquisado pela Abimaq é constituído por empresas exportadoras e, destas, mais de 50% registraram queda das exportações na ordem de 56,2%. Outra preocupação tem sido com o aumento dos preços de matérias-primas e materiais intermediários utilizados na produção. Somada a isso, tem o aspecto da interrupção da cadeia de suprimentos que, para além da queda de vendas, tem o potencial de inibir a atividade produtiva e o atendimento da carteira de pedidos.
Para as empresas questionadas na pesquisa, uma das medidas que poderia contribuir para a manutenção das atividades produtivas de máquinas e equipamentos seria a postergação do pagamento dos impostos.
Na análise de Luana essa é uma crise difícil de contornar. Isso porque, segundo ela, houve uma redução drástica da demanda nacional e também em todo o mundo. A redução global ainda dificulta a importação de insumos necessários para a produção doméstica. De acordo com ela, as medidas de estímulo fiscal e monetário têm como objetivo amenizar os efeitos negativos da crise, porém, a recessão é inevitável.
Fonte: Portos e Navios