unitri

Filtrar Por:

< Voltar

Clippings - 17/09/13

Setor de petróleo teme entrada de chinesas

O leilão de Libra, no pré-sal da Bacia de Santos, que será realizado no dia 21 de outubro, deve significar uma verdadeira briga de gigantes Algumas das principais empresas petrolíferas de várias partes do mundo deverão participar, segundo executivos e é dada como quase certa a presença de estatais chinesas, co­mo a Sinochem. Segundo um executivo do se­tor, ao mesmo tempo em que o apetite das chi­nesas pelo petróleo brasileiro é motivo de entu­siasmo por significar fortes investimentos, por outro lado, preocupa. Esse executivo lembrou que, nos últimos tempos, gigantes chinesas co­mo a Sinochem e a Sinopec têm adquirido par­ticipações em vários blocos exploratórios no Brasil vendidos pela Petrobras.

Como a Petrobras vai ser a operadora com o mínimo de 30% dos blocos, começa a surgir preo­cupação entre algumas autoridades do governo de que as empresas chinesas arrematem sozinhas não só Libra agora, mas outros blocos futuros e do­minem o mercado de petróleo brasileiro — disse o executivo, que prefere não se identificar.

Para alguns especialistas, como a Petrobras está com dificuldades de caixa, os chineses po­derão vir com uma proposta agressiva, ofere­cendo arcar com todos os gastos da estatal, para receber no futuro em óleo.

Fernando Villela, especialista em óleo e gás do escritório Siqueira Castro Advogados, acredita que o leilão de Libra será bastante disputado pelas gi­gantes petrolíferas, apesar de ainda existirem dúvi­das quanto ao retomo dos investimentos.

O leilão deve atrair o interesse de todas as gigantes petrolíferas, devido aos elevados inves­timentos e bônus de assinatura exigidos. E os chineses devem vir sim, já que o petróleo é uma questão estratégica para eles — disse Villela.

Luis Pacheco, do escritório Veirano Advoga­dos, também acredita numa forte disputa de Li­bra, mas por um número pequeno de empresas que deverão vir em consórcios.

Acredito que a disputa de Libra pelas chi­nesas será bastante acirrada. O leilão será muito concorrido — destacou Pacheco.

Libra está sendo cobiçada pelas gigantes mundiais, pois tem reservas estimadas entre 8 bilhões a 12 bilhões de barris de petróleo. A área será explorada pelo novo regime de partilha, na qual o óleo produzido é dividido com o governo federal. O bônus de assinatura foi fixado em R$ 15 bilhões. A Agência Nacional do Petróleo (ANP) estima que o pico de produção pode che­gar a 1 milhão de barris diários, metade da pro­dução brasileira atual.

Hoje a ANP realiza os seminários técnico-am­biental e jurídico-fiscal para o leilão de Libra e amanhí termina o prazo para as empresas ma­nifestarem o interesse no certame.

G0VERN0 SE PREPARA PARABATALHA JURÍDICA

O governo federal deve preparar sua equipe de advogados para uma possível batalha judicial contra o leilão. O diretor do Instituto de Energia e Ambiente da USP e ex-diretor da Petrobras li­do Sauer disse que está preparando urna ação na Justiça contra a oferta, reunindo entidades como o Sindipetro-RJ e a Associação dos Enge­nheiros da Petrobras (Aepet).

Entre as petrolíferas esperadas na disputa de Libra estão as americanas Exxon e a Chevron, a anglo-holandesa Shell, a BP do Reino Unido, a francesa Total, a norueguesa Statoil e a malasiana Petronas, entre outras.

Em Porto Alegre, a presidente Dilma Rousseff voltou a destacar ontem que o leilão do campo de Libra vai gerar uma demanda entre 12 e 17 novas plataformas de petróleo para a Petrobras. Dilma defendeu a participação crescente de empresas privadas junto ao crescimento da pro­dução de óleo e gás do país. A presidente da Pe­trobras, Graça Foster, por sua vez, voltou a enfa­tizar que a produção de óleo no Brasil deve al­cançar 4 milhões de barris/dia em 2020.

— Com essa licitação do campo de Libra, que nós esperamos que tenha um potencial bastan­te expressivo, vamos ter, segundo a ANP, uma possibilidade de demanda entre 12 e 17 plata­formas. Obviamente, ligado a essa questão de Libra, haverá demandas de várias outras indús­trias. (Colaborou Flávio Ilha) (O Globo)