
A Shell, a Repsol Sinopec Brasil e a Deep Seed Solutions – companhia que atua no desenvolvimento de soluções digitais para o ambiente offshore – ampliaram o escopo da tecnologia FLOCO®, para incluir o gerenciamento das emissões de carbono, com o objetivo de que ela possa ser aplicada em outras infraestruturas offshore além das de petróleo e gás.
O sistema especialista FLOCO®, que vem sendo desenvolvido desde 2017, é um software que realiza toda a engenharia conceitual de projetos exploratórios offshore, do poço ao topside, de forma automatizada e otimizada. A ferramenta integra seis grupos técnicos (como a área de reservatórios, de poços, subsea, escoamento, facilidade de superfície e unidade de produção), cujas engenharias conceituais são, normalmente, feitas de forma manual e separada.
“O que o sistema fez foi mapear o processo completo, que já acontece todos os dias nas companhias operadoras, e integrá-lo com o uso de tecnologias digitais e metodologias específicas. No caso, as metodologias são baseadas em inteligência artificial, engenharia de sistemas baseados em modelos e algoritmos meta-heurísticos (utilizados para resolver problemas de otimização)”, explicou Leandro Basilio, diretor executivo da Deep Seed Solutions, ao PetróleoHoje.
Inicialmente, a tecnologia era focada na otimização da parte subsea dos projetos exploratórios. A partir do biênio 2020-2021, o escopo de trabalho foi estendido para a engenharia de poços e topside e, agora, para a parte de gerenciamento da pegada de carbono. “Nós estamos fazendo um estudo para trazer, para dentro do sistema, a geração de modelos híbridos, onde nós iremos ter não somente os sistemas de produção de petróleo, mas, também, sistemas integrados com a geração de energia verde. Com isso é possível conseguir, já numa fase conceitual, endereçar os requisitos e as estratégias para a redução nas emissões de carbono das operadoras”, completou Basilio.
Os representantes das companhias também informaram que, desde o começo, o sistema FLOCO® foi alimentado com dados reais e testado em um campo no qual a Shell e a Repsol possuem participação. A partir de 2021, a tecnologia passou a ser usada fora do país, em projetos nos EUA, África e Europa, tanto por petrolíferas quanto por empresas de engenharia. “A Repsol está, inclusive, utilizando a ferramenta para avaliar projetos fora do Brasil”, informou Marcelo Andreotti, gerente de Pesquisa em Instalações de Produção e Operações da Repsol Sinopec Brasil, à reportagem.

O FLOCO® é fruto da cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da ANP, tendo sido finalista do Prêmio ANP de Inovação Tecnológica 2020, por meio do projeto i-Concept JIP, que utiliza esse sistema. “É uma tecnologia brasileira, nacional, que traz divisas para o Brasil. São serviços, consultorias e licenciamentos que trazem mais recursos para que o software continue sendo aprimorado. Quando o FLOCO® é utilizado numa conceitualização, mesmo que seja em campo localizado fora do país, a tendência é que a equipe da empresa venha aqui para o Brasil, fazendo com que o sistema se torne uma referência global”, destacou Diego Juliano, gerente de Tecnologia da Shell Brasil. “É um projeto que gera valor para o Brasil, porque nós exportamos a nossa tecnologia. Isso mostra que o investimento traz retorno”, completou Andreotti.
Fonte: Revista Portos e Navios