A petrolífera informou à ANP que gostaria que o próximo leilão de áreas exploratórias oferecesse blocos no entorno de regiões produtoras

A Shell sinalizou para o governo as áreas exploratórias de seu interesse, no Brasil. Em conversas recentes, a empresa informou que gostaria de ter acesso, nos leilões, a blocos no entorno de áreas produtoras de pré-sal. A visão do presidente da petrolífera, Cristiano Pinto da Costa, é de que as grandes descobertas do pré-sal já aconteceram, mas que ainda há oportunidades na região.
“O Brasil teve o benefício de ter campos tão grandes, que concentrou o foco na exploração do núcleo do pré-sal. Como essa fase está chegando no final, é natural abrir um novo ciclo. Com o pré-sal entrando no pico, é natural que o regulador, a indústria e o ministério de Minas e Energia comecem a olhar o que vem depois. A conversa com o governo tem avançado bastante. Tenho convicção de que esses blocos vão aparecer nos próximos leilões”, afirmou Costa, após palestra no evento Argus Rio Crude Conference 2026.
O executivo não quis dar os nomes das áreas do interesse da empresa, mas disse que o governo já recebeu essa informação e que a expectativa é de que elas sejam leiloadas.
Em sua palestra, no entanto, Costa foi crítico à lentidão na realização de leilões de áreas exploratórias. Segundo ele, se o Brasil não voltar a repor reservas, o país pode, no meio da próxima década, voltar a ser importador líquido de petróleo, com consequências para a balança comercial, câmbio e geração de empregos.
Para o presidente da Shell, a Margem Equatorial, o Sul da Bacia de Santos e a Bacia de Pelotas são as três grandes oportunidades de nova fronteira a serem exploradas no Brasil.
No Sul da Bacia de Santos, onde possui 15 áreas, foi identificada uma boa oportunidade, segundo Costa. “No ano que vem a gente vai perfurar um poço, numa área com prospectividade muito boa. A sonda vai fazer uma série de trabalhos em diferentes áreas. A gente não fechou qual a melhor sequência de trabalho. Não tem como precisar a data de cada um deles”, acrescentou o executivo.
Costa deixa a Shell em agosto. Em seu lugar vai entrar o português João Santos Rosa, atual presidente da petrolífera na Itália. Ele se recusou a informar para onde irá. Ele disse apenas que permanecerá no setor, mas que sairá do Brasil.
Fonte: Revista Brasil Energia