
A Shell aportou R$ 200 milhões no capital da Carbonext, que é uma desenvolvedora de projetos de geração de créditos de carbono, informaram as companhias na segunda-feira (11/7). O investimento faz parte da estratégia de transição energética e descarbonização da Shell, que agora passa a ser sócia minoritária da Carbonext.
A desenvolvedora usará esses recursos para expandir sua atuação em novos segmentos da bioeconomia e ampliar seu time de especialistas florestais para criar e gerenciar projetos de geração de créditos de carbono, “cujo objetivo é trazer valor à floresta em pé”. A empresa afirma que, desde 2021, já conseguiu aumentar em 340% a área de vegetação preservada no “Arco do Desmatamento” da Floresta Amazônica – um corredor que vai do Acre ao sul do Pará, passando por Amazonas, Rondônia e Mato Grosso.
Como parceira, a Shell oferecerá o acesso a inovações e processos, inclusive nas áreas de biotecnologia e monitoramento. Essas sinergias devem incrementar os mecanismos de proteção dos mais de 2 milhões de hectares de Floresta Amazônica já protegidos por projetos de crédito de carbono desenvolvidos ou em desenvolvimento pela Carbonext e seus parceiros. Além disso, o acordo estabelece uma série de ações conjuntas nos próximos 100 dias para que a parceria técnica comece a apresentar resultados.
Para a Shell, a parceria demonstra a relevância do Brasil na jornada da companhia rumo ao objetivo de zerar suas emissões líquidas até 2050 e marca a entrada da companhia no negócio de Soluções Baseadas na Natureza no país. Em comunicado, o presidente da Shell Brasil, André Araújo, afirmou que o país é fundamental para a estratégia Powering Progress da companhia.
“Não é de hoje que a Shell defende a criação e regulação do mercado de carbono. Associar nossa companhia à Carbonext é um passo importante para nossa meta de compensar 120 milhões de toneladas de CO₂ ao ano até 2030 com soluções baseadas na natureza para o Escopo 3, que são emissões difíceis de se abater, em linha com a hierarquia de mitigação,” afirmou Araújo, que deixará a presidência da Shell em agosto deste ano.
Em seu site, a Carbonext afirma que é uma empresa responsável “por medir a quantidade de CO₂ estocado na área, levantar informações sobre a biodiversidade local e proporcionar uma vida digna e mais sustentável para as comunidades presentes em nossos projetos”. Os créditos de carbono gerados pela empresa são negociados no mercado voluntário, e cerca de 70% do valor arrecadado com a venda desses créditos fica na floresta, com os proprietários da área protegida e com as comunidades assistidas pelas ações socioeconômicas.
Fonte: Revista Portos e Navios