A Shell e o Porto Açu assinaram, na quinta-feira (19), um memorando de intenção para implantação de uma planta-piloto de geração de hidrogênio verde. O projeto, segundo o vice-presidente da Shell, Flávio Rodrigues, começará com produção de 10 MW em 2025, mas a expectativa é de que em cinco anos alcance 100 MW. Os recursos virão dos US$ 80 milhões (cerca de R$ 400 milhões, mas que devem atingir R$ 600 milhões) destinados pela petroleira à cláusula de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) da ANP.

Trata-se de um primeiro passo para projetos mais ambiciosos da petroleira nessa área. “Esperamos com essa experiência conseguir entender os desafios da produção de hidrogênio no Brasil e pensar em escala maiores”, disse o executivo durante debate em congresso no Rio de Janeiro sobre Mercado Global de Carbono.
A agenda climática da Shell Brasil pretende zerar emissões até 2050. A sua recomposição de portfólio, entretanto, não acontecerá de forma igualitária no mundo, mas obedecerá às especificidades de cada país. No Brasil, segundo Rodrigues, além da parceria com a Petrobras em novas tecnologias, a petroleira tem apetite para crescer e mantém ativos significativos em E&P.
Recentemente, a Shell adquiriu 11 blocos nas duas últimas rodadas, assinou com a Petrobras contrato referente à aquisição de 25% de partilha de produção do campo de Atapu, na Bacia de Santos, e iniciou a produção do FPSO Guanabara, no Campo de Mero, na Bacia de Santos.
A Shell também pretende utilizar o gás natural extraído do pré-sal para produção de energia em sua termelétrica em Macaé, Marlim Azul. A usina, com potencial de 500 MW, despachará para todo o sistema e deverá entrar em operação integral em 2023.
A empresa, dessa forma, vem se estruturando para a futura mudança na matriz energética brasileira e global, com menor participação gradual do petróleo e produção mais descarbonizada. Nessa direção, Flávio Rodrigues elogiou o anúncio feito ontem pelo ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, sobre a regulamentação do mercado de carbono no Brasil. Segundo ele, a iniciativa vai maximizar o potencial do país, ampliando oportunidades de as empresas de fazerem balanços adequados em seus portfolios.
Fonte: Revista Brasil Energia