
A Shell anunciou, na quinta-feira (11/2), a implantação da sua nova estratégia de negócio chamada Powering Progress, que tem como principal objetivo gerar valor ao acionista e atingir as emissões líquidas zero em 2050.
Em resumo, a companhia usará o fluxo de caixa gerado pelos seus ativos upstream para financiar as distribuições aos acionistas, ao mesmo tempo em que investe em projetos de baixo carbono e renováveis.
Espera-se que os novos investimentos previstos pela nova estratégia de negócio tornem a companhia menos suscetível às flutuações dos preços do petróleo.
No curto prazo, a estratégia da Shell se divide em três pilares: Crescimento (que receberá investimentos de US$ 5-6 bilhões por ano), Transição (US$ 8-9 bilhões) e Upstream (US$ 8 bilhões).
Na área de Crescimento, existem diversas subcategorias de investimento. Uma delas é o marketing, que receberá cerca de US$ 3 bilhões do aporte financeiro, e a subcategoria de renováveis e soluções de energia, que receberá entre US$ 2-3 bilhões.
A Shell cita a Raízen como parte do marketing uma vez que, com a aquisição da Biosev, a joint venture responderá por 3% da produção global de bioetanol (cerca de 3,75 bilhões de litros por ano). Outras metas importantes citadas pela companhia incluem os 560 terawatts-hora (TWh) por ano até 2030, na subárea de renováveis, e o objetivo de desenvolver centros de produção de hidrogênio para atender à indústria e ao transporte de cargas pesadas.
Na área de Transição, as subcategorias de investimento são: US$ 4 bilhões em gás integrado (especificamente o mercado de GNL, com o propósito de entregar mais de 7 milhões de t/ano de capacidade em operação até meados da década) e US$ 4-5 bilhões em produtos químicos (com foco no desinvestimento em sete refinarias para reduzir a produção de combustíveis “tradicionais” em 55% até 2030).
Na área de Upstream, a prioridade será no valor, e não nos volumes. Segundo a Shell, é esperada uma redução de 1-2% ao ano da produção de petróleo da companhia, de forma gradual, contando com os desinvestimentos previstos e o declínio natural da performance dos ativos.
Net-zero emissions
A Shell também informou a implantação das metas de curto prazo para zerar suas emissões de carbono até 2050: cortar entre 6-8% até 2023, 20% até 2030, 45% até 2035 e 100% até 2050, usando o ano de 2016 como base. A companhia também irá compensar suas emissões com base na área chamada Soluções Baseadas na Natureza, que receberá investimentos de US$ 100 milhões ao ano para compensar 120 milhões de t/ano até 2030.
A anglo-holandesa também anunciou que pretende ter mais de 25 milhões de t/ano em projetos para captura e armazenagem de carbono (CCS) até 2035 e que vai submeter o Plano de Transição de Energia para voto dos acionistas na Assembleia Geral Ordinária de 2021, sendo a primeira empresa do setor que faz isso, segundo a própria companhia. A reunião está marcada para o dia 18 de maio.
Fonte: Revista Brasil Energia