A Shell anunciou nesta sexta-feira (24/3) a formalização de um acordo com a Assala Energy Holdings para vender 100% de sua participação em projetos onshore no Gabão, na África. A expectativa da petroleira é que a operação, avaliada em US$ 587 milhões, seja concluída em meados deste ano.
Desde o início de 2016, a companhia anglo-holandesa anunciou uma operação de aquisição e 11 de desinvestimentos, somando US$ 15 bilhões. A maioria delas (cerca de 60%, totalizando US$ 3 bilhões) foi no downstream, com a venda de ativos na Malásia, Dinamarca, África, Arábia Saudita, Japão e Austrália.
No upstream, a Shell reduziu sua participação ou se desfez de empreendimentos onshore no Gabão, de blocos exploratórios no México e de areias betuminosas no Canadá. Foi neste último país em que foi registrada a operação de maior valor (US$ 8,5 bi), para venda de participação da companhia no projeto Athabasca Oil Sands Project (AOSP).
Um levantamento feito pela Brasil Energia Petróleo com as sete majors – Exxon Mobil, Shell, Total, BP Energy, Chevron, Statoil e Eni – mostra que essas empresas anunciaram cerca de 70 operações de aquisição (46) e venda (25) entre janeiro de 2016 e março deste ano, 80% das quais no upstream.
A norueguesa Statoil respondeu pela maior parte dos anúncios: foram 25 operações, sendo 20 de aquisição. Um dos destaques foi a aquisição do bloco BM-S-8, no pré-sal da Bacia de Santos – onde está localizada a descoberta de Carcará – por US$ 3 bilhões, da Petrobras.
A maioria das aquisições da norueguesa, contudo, foi na Europa, sobretudo para o aumento de participação ou obtenção de novas licenças exploratórias em projetos no Mar do Norte. Na América Latina, além do pré-sal brasileiro, a petroleira fez farm-ins no offshore uruguaio, com a Total E&P e Tullow Oil.
Já as vendas da Statoil se concentraram na América do Norte, onde a empresa se desfez de ativos onshore, principalmente de áreas com recursos não convencionais.
A italiana Eni, por sua vez, anunciou 12 operações no perãodo. Oito delas foram para o aumento de participação em projetos e obtenção de novas licenças exploratórias na Europa – em países como Noruega, Chipre e Montenegro – e na África (Egito, Gana, Costa do Marfim e Chade).
Os desinvestimentos da Eni se concentraram na África, onde vendeu integralmente ou reduziu sua participação em empreendimentos no Egito e Moçambique em negociações com a Exxon, BP e Rosneft.
As operações anunciadas pela Total foram bem distribuídas pelo mundo, abrangendo desde o continente americano à Ásia, passando por África e Europa. Uma delas foi com a Petrobras: as petroleiras assinaram, no fim de dezembro, contratos para a cessão de direitos de 22,5% da estatal para a francesa na área de Iara e de 35% do campo de Lapa (incluindo a operação do ativo), no pré-sal de Santos.
A BP Energy anunciou sete operações no perãodo analisado, cinco das quais para aquisição ou aumento de participação em ativos na Europa, África e Oriente Médio. Um dos destaques foi o negócio de US$ 1 bilhão fechado com a Kosmos Energy para compra de participação em blocos exploratórios na África.
A petroleira britânica anunciou ainda a venda do campo de Magnus, entre Mauritânia e Senegal, para a Enquest, e de sua participação na subsidiária de lubrificantes indiana Castrol India para investidores indianos e internacionais.
Renováveis
As norte americanas Exxon Mobil e Chevron fizeram poucos anúncios de compra e venda desde janeiro de 2016. A primeira anunciou três operações de aquisição, que, juntas, somaram US$ 12 bilhões. Elas envolveram áreas em Moçambiique, com a Eni, Papua Nov Guiné (compra da Interoil) e nos Estados Unidos (compra de ativos onshore da Bass family of Fort Worth).
Já a Chevron, que opera o campo de Frade, na Bacia de Campos, anunciou apenas uma operação, na área de energias renováveis, para a venda de ativos geotérmicos na Indonésia e Filipinas ao Star Energy Consortium.
Statoil e Total também anunciaram operações fora do setor de óleo e gás nos últimos 15 meses. A norueguesa fez aquisições em projetos eólicos na Europa e nos EUA, enquanto a francesa concluiu a compra do Saft Groupe, fabricante de baterias.