O objetivo é perfurar até 11 poços no bloco Bajada de Añelo, na Bacia de Neuquén. A atividade poderá aumentar a produção da nova planta de produção no bloco para 100%

A Shell pretende perfurar até 11 poços no bloco Bajada de Añelo, na Bacia de Neuquén, na Argentina, onde opera em parceria com a estatal petrolífera YPF, sendo sete poços este ano e quatro em 2027. A informação foi dada à Brasil Energia pela Gerente de Relações Extenas da Shell Argentina, Veronica Staniscia.
O plano na área de Vaca Muerta será possível após a Shell ter colocado em operação o Sistema de Produção Antecipado (EPS, no termo em inglês – Early Process System) de Bajada de Añelo.
A inauguração da planta de produção ocorreu na primeira semana de fevereiro, mas o EPS já está em operação desde 30 de setembro de 2025. Atualmente, está produzindo com 55% de sua capacidade – cerca de 8 mil litros/d.
A instalação consiste em uma unidade de processamento de petróleo e gás (EPF) e pode processar 20 mil bpd e 2,5 milhões de m³/d, valores que a companhia espera alcançar em 2027, a partir da perfuração dos 11 poços.
Além disso, a planta tem sistemas de coleta e separação, dutos para escoamento de petróleo e gás, infraestrutura de fornecimento de energia e eletrificação para minimizar as emissões por meio da reutilização da produção de gás do bloco para alimentar a planta, duas unidades de recuperação de vapor (VRU) para otimização adicional dos gases e redução de emissões, um poço de água, plataformas de poços e infraestruturas adicionais.
Sobre investimentos, mídias locais informaram que foram despendidos cerca de US$ 500 milhões. Além disso, a expectativa da empresa é gerar mais de US$ 700 milhões em investimentos em 2026. A Brasil Energia questionou sobre os valores, mas a companhia disse não poder revelar essas informações.
Para a Shell, o desenvolvimento de Bajada de Añelo “é um passo importante na estratégia de negócios” em Vaca Muerta e complementa seu portfólio de exploração na bacia com um primeiro desenvolvimento de recursos de petróleo volátil e gás condensado. Os volumes técnicos recuperáveis de petróleo e Bajada de Añelo são entre 300 e 400 milhões de barris e os de gás são de 2 trilhões de pés cúbicos.
A Shell opera Bajada de Añelo com 50% de participação e a YPF detém os 50% restantes. Na mesma bacia, a companhia opera outros três blocos: Sierras Blancas (90%), Cruz de Lorena (90%) e o Coiron Amargo Sur Oeste (80%).
O anúncio da inauguração acontece após a Shell ter negado, na última quinta-feira (5), a venda de ativos não convencionais em Vaca Muerta. Tanto o CEO, Wael Sawan e a CFO, Sinead Gorman, afirmaram que as notícias eram fake news. A possibilidade foi noticiada pela imprensa no fim do ano passado, após a Shell ter confirmado a saída do projeto Argentina GNL.
Fonte: Revista Brasil Energia