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Clippings - 05/12/22

Shell mira “eletrificação offshore” em águas brasileiras

Créditos: Prooceano

Observação, previsão e divulgação. Esta é a base conceitual do Projeto Azul, parceria tecnológica entre a Shell, Coppe/UFRJ e Prooceano, que está prestes a completar 10 anos. Financiado com recursos da Cláusula de P&D da ANP, o programa desenvolveu um sistema de observação e previsão oceânica das bacias de Campos e Santos para impulsionar a estratégia de transição energética da Shell.

Pioneiro na operação de veículos autônomos em mares brasileiros, o projeto fornece dados oceanográficos e informações em tempo real das bacias de Campos e Santos para modelos computacionais capazes de prever condições operacionais de ondas, correntes e ventos. Sua aplicação vai desde a otimização do movimento dos FPSOs até a geração de energia renovável.

“É o que podemos chamar de ‘eletrificação offshore’, a geração de energia em alto mar, seja dos ventos, das ondas ou das correntes submarinas”, afirmou Olivier Wambersie, gerente-geral de Tecnologia e Inovação da Shell Brasil.

A coleta dos dados é feita pela Prooceano, empresa brasileira de tecnologia oceanográfica. Por dezenas de vezes, foram lançados gliders (robôs autônomos que coletam dados em profundidades de até 1.000 m), derivadores (boias acopladas com medidores) e perfiladores (que obtêm, dentre outros parâmetros, o perfil das correntes principalmente em águas profundas).

A Prooceano também lançou um veículo autônomo de superfície para comparar e validar o método adotado de coleta com os modelos tradicionais. “São muito poucas as iniciativas de longa duração no mar brasileiro. Nesse sentido, o projeto nos permite utilizar múltiplas plataformas de coleta para visualizar as respostas por vários ângulos”, disse Júlio Pellegrini, diretor-geral da Prooceano.

Já o Laboratório de Métodos Computacionais em Engenharia (Lamce) da Coppe teve que desenvolver um sistema computacional de assimilação de dados observados no projeto. De acordo com Luiz Landau, coordenador do Lamce, foi preciso construir um “digital twin oceanográfico”, que traz pra dentro do modelo os dados colhido em tempo real.

“O digital twin não existia há 10 anos. Tivemos que desenvolver um espelho da realidade, um sistema que traz a ‘verdade de campo’ para dentro da modelagem. A grande inovação está em trazer as plataformas autônomas pra fazer medições e assimilar ao modelo”, explica Landau. No início, o sistema de observação cobria uma grande área do pré-sal, agora está focado em Libra (Mero).

O pesquisador da Coppe destaca, ainda, que a condição necessária para viabilizar a eletrificação dos sistemas offshore é ter o conhecimento das condições operacionais onde eles atuam. O modelo tridimensional, portanto, oferece uma ferramenta de suporte à tomada de decisão capaz de responder perguntas que, em 2013, não eram colocadas com tanta intensidade, como a transição energética.

“Estamos discutindo a possibilidade de replicar o modelo metodológico de observação e assimilação de dados oceanográficos para a questão atmosférica. No futuro, pretendemos ter um modelo matemático único que integre os dois [oceano e atmosfera]”, adiantou o pesquisador.

As partes envolvidas no projeto pontuam que a metodologia desenvolvida podem ser replicada em áreas de novas fronteiras que ainda carecem do conhecimento ambiental, como a Margem Equatorial, razão pela qual as licenças do Ibama demandam tanto tempo.

“A Cláusula de P&D nos leva a desenvolver projetos que talvez não fôssemos fazer se não tivéssemos a obrigação. O Brasil deve se orgulhar dessa política promovida pela ANP”, pontuou o gerente-geral de Tecnologia e Inovação da Shell Brasil.

Desde 2013, cerca de R$ 60 milhões já foram investidos no Projeto Azul. Todos os dados coletados são disponibilizados para uso não comercial a pesquisadores e quaisquer instituições de pesquisa interessadas.

Fonte: Revista Brasil Energia