Segundo o executivo, a equipe de exploração ainda vem discutindo o programa de trabalho, mas a previsão é de que seja perfurado pelo menos um poço em cada um dos ativos. A tendência é de que a campanha tenha início pela área de Sul de Gato do Mato.
A campanha irá incluir também a perfuração de novos poços em Gato do Mato, área de concessão vizinha a Sul de Gato do Mato. A petroleira vem conduzindo uma consulta ao mercado para afretar uma sonda e ao mesmo tempo discute a questão com seus parceiros nas duas áreas de partilha.
Em Sul de Gato do Mato, a Shell detém 80% de participação e divide o ativo com a Total, com 20%. Já em Alto de Cabo Frio Oeste, a composição acionária do consórcio é formada pela Shell (55%); CNOOC Petroleum (20%); QPI Brasil (25%). A empresa já deu entrada no pedido de licenciamento ambiental para perfuração nas duas áreas e estima que as licenças sejam liberadas entre o fim do ano e o início de 2019.
No mercado, a expectativa é de que a contratação da sonda seja concluída até o fim de julho. No pedido de afretamento, a Shell solicita cotação para a perfuração de um poço firme, pelo prazo de 120 dias, com possibilidade de extensão do contrato pelo total de um ano, o que envolveria outros três poços.
Diante da expectativa de grandes volumes de gás nos ativos de Gato do Mato e da meta de diversificação energética, a Shell vem investindo no segmento térmico como fonte supridora. A petroleira será a supridora da térmica Marlim Azul (466,3 MW), projeto da Vale Azul Energia e a Mitsubishi Hitachi Power Systems, que venceu o leilão A-6, no fim do ano passado.
“Temos interesse em buscar alternativas para monetização de gás. Agora é a fase muito inicial de ir para o mercado e olhar as oportunidades existentes, brown field e oportunidades green field”, afirmou Araújo.
P&D e conteúdo local
No que diz respeito ao segmento de Pesquisa & Desenvolvimento, a projeção, segundo o presidente da Shell, é de que os investimentos nesta área sejam ainda maiores neste ano. Em 2017, o grupo investiu R$ 170 milhões em P&D no Brasil e para este ano estão sendo buscados novos projetos, voltados não só para o segmento de Óleo & Gás, como também para novas energias, focadas na transição energética.
Esse é um momento em que a gente quer e precisa buscar novos projetos e estamos aproveitando essa oportunidade entre outras de trabalhar com diversos atores para ter uma pauta diversificada”, afirmou o presidente da Shell.
O investimento global da petroleira em P&D soma US$ 1 bilhão por ano. Uma das metas do grupo tanto no exterior quanto no Brasil é investir parte da verba em startups.
Durante palestra que marcou o lançamento da Rio Oil & Gas 2018, André Araújo afirmou que o conteúdo local médio dos 20 maiores contratos de E&P do grupo é de 65% e que essa relação é de 61% quando analisados os dez maiores contratos.
“Acho que a gente consegue fazer um pouco das duas coisas, tocar o país para frente e desenvolver mais energia, gerar emprego e seguramente buscar ao máximo a contratação de produtos locais aqui no país”, analisou o executivo.
A Shell mantém atualmente um total de 26 ativos de E&P no Brasil. Mais de 50% da produção de águas profundas da companhia no mundo é extraída de projetos no Brasil.