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Clippings - 15/06/20

Shell: redução de capex não afeta projetos no Brasil

Companhia anglo-holandesa é foco da primeira de uma série de reportagens sobre operadoras com atuação no país

PetróleoHoje inicia, na sexta-feira (12/6), uma série de reportagens sobre a atuação de operadoras de ativos exploratórios e de produção de óleo e gás no Brasil. A primeira delas é sobre a anglo-holandesa Shell.

Primeira companhia internacional a produzir petróleo em escala comercial no Brasil, a Shell é operadora de 23 ativos de E&P no país, com participação em mais 15. Em meio à crise na indústria de O&G, a petroleira registrou prejuízo atribuído a acionistas de US$ 24 milhões no primeiro trimestre – primeiro valor trimestral negativo dos últimos sete anos – e reduziu seus investimentos em US$ 5 bilhões, para US$ 20 bilhões em 2020 – no ano passado, a Shell investiu US$ 28,9 bilhões.

Apesar dos cortes, a anglo-holandesa segue com o cronograma de projetos no Brasil. Neste mês, começam as obras da termelétrica a gás Marlim Azul, prevista para entrar em operação em 2023. A UTE foi vencedora do leilão A-6, realizado pela Aneel em 2017, e será abastecida pelo gás produzido pela Shell no pré-sal.

Em maio, a Shell deu início à perfuração do primeiro poço no campo de Saturno, na Bacia de Santos, com a sonda Brava Star, da Constellation. Ao PetróleoHoje, a petroleira informou que “até o momento, não houve alterações no plano de trabalho aprovado pelos parceiros envolvidos no projeto, que segue de acordo com o planejado”.

A Shell declarou ainda que tem um portfólio consolidado de ativos no Brasil em diferentes fases. “Enquanto monitora suas atividades, zelando pela segurança das pessoas e desempenho das operações, a companhia mantém um processo dinâmico de revisão dos negócios de acordo com as condições apresentadas, e está preparada para tomar decisões estratégicas sempre que necessário”.

A área de Saturno, operada pela Shell (45%), em consórcio com a Chevron (45%) e a Ecopetrol (10%), é um dos 23 blocos de exploração nos quais a anglo-holandesa tem participação. Em Santos, a companhia é concessionária de Sul do Gato do Mato, Alto de Cabo Frio Oeste e Três Marias – adquiridos entre 2017 e 2019 –, além dos blocos S-M-518 e S-M-623, da 7ª Rodada de Concessões, em 2013.

A produção na área de Sul do Gato do Mato está prevista para ser iniciada entre 2023 e 2024, com a licitação do FPSO de Gato do Mato terminando em setembro deste ano. Em abril, a ANP aprovou a revisão do Plano de Avaliação de Descoberta (PAD) do bloco, junto ao contrato BM-S-54, com nova atividade de aquisição e processamento de sísmica e perfuração de novos poços.

Os demais blocos da petroleira estão localizados nas bacias de Campos (três), Potiguar (três) e Barreirinhas (dez), estes com período de exploração suspenso desde outubro do ano passado, devido ao atraso na emissão de licenças ambientais.

Em etapa de produção, a Shell é operadora dos campos de Abalone (50%), Ostra (50%), Argonauta (50%), e Bijupirá-Salema (80%), na Bacia de Campos, que formam o Parque das Conchas. Neles, a petroleira produziu, em abril, 58 mil boed – maior produção mensal desde dezembro de 2017, segundo dados da ANP.

Adquiridos da Enterprise em 2002, Bijupirá-Salema foi responsável pela primeira produção em volume comercial de uma operadora internacional no país. A Petrobras vendeu parte de sua participação nos campos, que começaram a produzir em 1993, para a estadunidense Enterprise Oil e a Odebrecht Óleo e Gás. Em 2002, a Enterprise comprou a parcela da brasileira, passando a deter 80% dos campos, posteriormente comprados a Shell. A Petrobras tem 20% de participação nos ativos.

Como concessionária, a Shell produziu 482,5 mil boed em abril. A produção inclui sua parcela nos campos de Lula (25%), Nordeste de Sapinhoá (30%), Noroeste de Sapinhoá (30%), Sapinhoá (30%) – operados pela Petrobras – e Lapa (30%) – operado pela Total E&P –, todos na Bacia de Santos.

Na parte de desenvolvimento, a anglo-holandesa é parte de consórcios nos ativos de Berbigão (25%), Oeste de Atapu (25%), Sururu (25%) e Mero (20%) – todos operados pela Petrobras. Descoberto no bloco de Libra, Mero terá sua primeira plataforma em operação no próximo ano e aguarda a contratação do terceiro FPSO.

Outras áreas

No downstream, a Shell fornece lubrificantes a cerca de 20 milhões de clientes, em mais de 130 países. Em 2011, a Shell criou a joint venture Raízen, em parceria com a Cosan, para a produção de açúcar, etanol e bioenergia, além da distribuição de combustíveis para aviação, varejo e indústria. A Shell também abastece segmentos de negócios da área marítima, por meio da Shell Marine – no Brasil, desde 2001.

Em abril, a petroleira encaminhou pedido de outorga à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a construção de 13 usinas fotovoltaicas em Brasilândia de Minas e Várzea de Palma, no estado de Minas Gerais. Juntas, as usinas têm potência instalada de 480,7 mil kW.

De olho no mercado de gás, a companhia, por meio da Shell International Trading Middle East Limited, assinou termo de compromisso com a Hidrovias do Brasil para fornecer GNL à usina termelétrica (UTE) Vila do Conde, em Barcarena, no Pará. No ano passado, o presidente da companhia no Brasil, André Araújo, declarou que a Shell busca oportunidades para monetizar suas reservas de gás no pré-sal.

Fonte: Revista Brasil Energia