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Clippings - 13/09/10

Shell reorganiza portfólio no Brasil

Ao mesmo tempo em que prepara a venda de quatro blocos nas bacias de Santos e do Espírito Santo, inclusive a fatia de 20% que detém no reservatório Bem-Te-Vi, encontrado no pré-sal de Santos, o novo presidente Shell Brasil, André Araújo, frisa que o país é estratégico para a companhia anglo-holandesa.

Em entrevista ao Valor na sexta-feira, Araújo, que assumiu o cargo no início de agosto, diz que a venda é apenas um rearranjo de portfólio. E que a empresa vai focar esforços e recursos no desenvolvimento de alguns blocos específicos, onde tem maior participação. O bloco colocado à venda pela companhia que mais surpreendeu o mercado foi o BM-S-8, onde a Petrobras que é a operadora com 66% anunciou a descoberta de Bem-Te-Vi em maio de 2008 depois de perfurado um poço distante 250 Km da costa do Estado de São Paulo. A Shell possui 20% do negócio e a Petrogal detém os 14% restantes. O executivo afirma que o importante são as áreas mantidas, como o BM-S-54, outro bloco do pré-sal da bacia de Santos onde atualmente detém 100% do negócio enquanto aguarda aprovação da Agência Nacional do Petróleo (ANP) para vender 20% para a francesa Total. A anglo-holandesa começou a perfurar essa área no mês passado e está analisando os resultados para traçar a estratégia de exploração.

Os planos são alterados de acordo com as decisões estratégicas de fazer investimento. Mas também são alterados de acordo com o que a natureza e a geologia apresentam. A Shell é extremamente eficiente no seu plano de exploração, mas a natureza tem um papel importante também nesse cenário, disse Araújo, sugerindo que os resultados exploratórios podem não ter sido satisfatórios para a companhia.

De qualquer forma, Araújo admite que a venda dos blocos, que poderá inclusive chegar a seis áreas vai capitalizar a companhia para que ela possa cumprir outros compromissos de investimento no Brasil. É preciso fazer um ajuste regular do nível de investimento. Você precisa, muitas vezes, fazer um desinvestimento para acelerar aquisições, para acelerar o próprio processo de exploração, disse. Ele acredita que todas as grandes empresas de petróleo estão curtas de capital, precisando de capital para cumprir os seus projetos estratégicos.

O executivo considera a decisão corriqueira. Esse movimento de desinvestimento foi anunciado com quatro blocos, mas pode ser de dois, quatro ou seis. E a gente ainda pode participar de aquisições, disse Araújo. As outras áreas que poderão ser vendidas são o BM-S-45, em Santos, onde a Shell possui 40% e a Petrobras é a operadora, com os outros 60%; BM-ES-28, na Bacia do Espírito Santo, onde é a operadora, com 82,5%, em parceria com a Vale (17,5%); e outra área que poderá vir a ser comercializada é o BS-4, onde é operadora, com 40%, em parceria com Petrobras (40%) e Chevron (20%), onde foram encontrados os reservatórios Atlanta e Oliva.

A venda de alguns desses blocos poderá acelerar o desenvolvimento de outras áreas. Temos no país hoje um plano de exploração de até 10 perfurações entre 18 e 24 meses. Estamos prevendo atividade exploratória bastante forte. E hoje, cada exploração tem um custo em torno de US$ 150 milhões. Os custos são bastante fortes. São valores significativos, que exigem da companhia um investimento consistente, disse. Ele admitiu que fazer caixa é parte desse projeto. Sem dúvida, vamos precisar fazer caixa para continuar fazendo os investimentos que a gente precisa, explicou.

O executivo afirmou, no entanto, que a companhia não tem problemas de caixa apertado, mas que precisa olhar para frente como os projetos vão estar alinhados ao longo do tempo. O objetivo é dar prioridade para alguns blocos agora, mas entrar futuros leilões – assim que forem retomados, independente do marco regulatório a ser aprovado no país; já que os investimentos teriam maior tempo para serem realizados.

Sem dar maiores detalhes, Araújo diz que o interesse do mercado pelos blocos da Shell está bastante razoável, mas pondera que a efetivação da venda vai depender das propostas realizadas. Otimista, o presidente da Shell Brasil diz que o fato de a concorrente OGX também ter colocado algumas áreas à venda não atrapalha, já que a seu ver o mercado brasileiro tem espaço suficiente para todas essas aquisições. O vice-presidente de assuntos externos da empresa, Gilbert Landsberg, observou que a atratividade dos blocos da Shell pode ser maior, por trazer áreas do pré-sal, enquanto a OGX está restrita ao pós-sal e a águas rasas.