Gabinete visa o reordenamento logístico e o controle da entrada do vírus pelos navios.
Com o objetivo de conter a disseminação do novo coronavírus no setor de apoio portuário, o Sindicato Nacional das Empresas de Navegação de Tráfego Portuário (Sindiporto Brasil) criou, logo no início da pandemia no país, um Gabinete de Gestão de Crise. Segundo o presidente do sindicato, Luiz Felipe Gouvêa, a proposta do gabinete foi a adoção das boas práticas sanitárias entre as empresas associadas. A informação foi dada durante segunda Live realizada pela Revista Portos e Navios, sobre Ações do Apoio Portuário na Pandemia, nesta quinta-feira (02).
Gouvêa explicou que a adaptação das associadas ao novo contexto ocorreu de forma muito rápida, com a absorção imediata das primeiras recomendações sanitária da Organização Mundial de Saúde (OMS) e, em um segundo momento, do Ministério da Saúde. Ela afirmou que o constante diálogo com clientes e fornecedores, em sua grande maioria estrangeiras, possibilitou que as associadas criassem rapidamente o Gabinete de Gestão de Crise. De acordo ele, o gabinete é representado por sete associados que passaram a se reunir três vezes na semana para deliberar sobre as medidas que seriam adotadas pelo setor.
No primeiro momento, o foco do gabinete estava direcionado às questões de ordem logística. O desafio era aplicar o reordenamento logístico, como fazer a adequação dos escritórios, a análise sobre o faturamento. Gouvêa afirmou que para colocar esses ajustes em práticas, as equipes de tecnologia e contabilidade passaram a trocar ideias sobre qual seria a melhor forma de fazer essa nova organização. O segundo foco foi sobre as questões de mitigação e controle de entrada do vírus a bordo das embarcações.
Paralelamente a essas ações, as empresas associadas desenvolveram seus próprios programas de comunicação. Segundo ele, algumas utilizaram o e-mail para transmitir as orientações entre os trabalhadores, outros adotaram a comunicação por vídeo, entre outros procedimentos. “O fato é que todas estiveram muito preocupadas em estarem presentes o tempo inteiro, atualizando as tripulações real time a respeito das melhores práticas sanitárias”, disse.
Gouvêa afirmou ainda que a maioria das empresas estabeleceu um protocolo sobre o que deve ser feito caso o tripulante apresente os sintomas da doença. Como exemplo ele citou que um dos associados fez a contratação de um médico do trabalho que realiza atendimento à distância. E com base em um exame clínico ele faz uma triagem e define quem deve permanecer a bordo por sete dias em quarentena. A depender do quadro, o tripulante é retirado e encaminhado a um atendimento em terra. Além disso, será feito o acompanhamento dos demais tripulantes.
Segundo ele, outra atitude adotada por todas as empresas, e que tem sido muito importante para o combate da pandemia, foi a realização dos procedimentos de descontaminação das embarcações. Ele destacou que uma das associadas fez também treinamento com a equipe da área de segurança, que passou a realizar diariamente o procedimento de descontaminação.
Todas as medidas tomadas pelo sindicato foram comunicadas à Marinha do Brasil e até mesmo para o Ministério da Infraestrutura. Conforme afirmou Gouvêa, o sindicato informou também a essas instâncias a possibilidade de estender essas ações por um longo prazo.
Fonte: Revista Brasil Energia