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Soluções híbridas representam aproximadamente 50% dos projetos de implementação de baterias. DNV identifica, ao menos, 100 embarcações de apoio na costa brasileira candidatas a utilizar esse tipo de propulsão combinada.
A DNV avalia que os sistemas de baterias tendem a continuar a evoluir com soluções de aplicação imediata para navegação, já no curto prazo. A classificadora observa que, a despeito da capacidade das baterias suportarem o fornecimento de energia por longos períodos de tempo, como na navegação entre países, já existem diferentes situações em que esses equipamentos estão amadurecidos. Na visão da DNV, os avanços podem ser percebidos, desde a parte de regulamentação, até a capacidade de redução de emissões e critérios para controle e gerenciamento de riscos, como no caso de incêndios.
As soluções híbridas representam aproximadamente 50% dos projetos de implementação de baterias. O gerente de desenvolvimento de negócios da DNV na América Latina, Jonas Mattos, considera importante fazer o dimensionamento do armazenamento das baterias para a embarcação, que pode ter várias fontes que possam alimentá-las, além dos grupos geradores propriamente ditos. Ele acrescentou que, olhando para o mercado brasileiro, tanto pode ser aplicada à propulsão totalmente suportada por baterias, como em soluções híbridas, por exemplo, para embarcações de apoio marítimo.
Mattos observa embarcações que já possuem propulsão através de sistemas de posicionamento dinâmico (DP) elétricos. Ele explicou que são embarcações que já possuem geração a diesel e passam a acoplar banco de baterias e fazer composição híbrida. “Entendemos ser uma boa oportunidade para o mercado brasileiro. Para pequenas distâncias e como contribuição para embarcações maiores, como shuttle tankers (navios aliviadores), o atingimento da redução de emissões tem adesão bastante interessante”, contou, nesta terça-feira (31), durante o ‘Fórum Brasil Noruega sobre a indústria de baterias’, promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Noruega (NBCC) e voltado para jornalistas que cobrem os setores de petróleo, naval, energia e infraestrutura.
Ao redor do mundo, a DNV identifica cerca de 500 embarcações com utilização de baterias ou em processo de conversão para uso dessa tecnologia. Num primeiro momento, a área de transporte de passageiros é atrativa para esse tipo de solução porque costuma ter trajetos curtos, porém a área de apoio marítimo, especificamente PSVs (transporte de suprimentos), também apresenta oportunidades para implementação, aproveitando a propulsão diesel-elétrica. Basicamente é feita a instalação de um banco de baterias que passa a dar flexibilidade à embarcação, contribuindo na redução de emissões.
“Para uma frota de 1.500 PSVs globalmente com 20 anos ou mais novos, identificamos que existem mais de 1.000, de DP2, como grandes candidatos a fazer retrofit e a implementar banco de baterias nessas embarcações”, destacou Mattos. Ele acrescentou que, para uma frota de cerca de 500 barcos de apoio marítimo operando ou disponíveis na costa brasileira, aproximadamente 100 embarcações poderiam ser candidatas ao processo de propulsão híbrida.
A DNV está engajada em projetos de adoção de baterias, ou como solução híbrida para segmentos na área marítima que demandam mais densidade energética do que as baterias comuns poderiam suprir ou 100% elétricas. No Brasil, a classificadora participa de três iniciativas já contratadas. Uma delas de conversão de uma embarcação de apoio marítimo em andamento, com previsão de finalização até o começo de 2022.
Também existe trabalho em fase final, em parceria com uma universidade, para dimensionar os ganhos de redução de emissões e consumo de combustíveis utilizando bateria na conversão de uma embarcação de apoio marítimo. O outro projeto consiste na construção de um empurrador de manobras 100% elétrico. “São exemplos tangíveis de que o país tem potencial na área do pré-sal e de navegação interior”, destacou Mattos. Ele identifica potenciais candidatos ao uso de baterias no transporte de passageiros, tanto em cidades litorâneas, quanto em rios fazendo conexões entre cidades ribeirinhas.
Fonte: Revista Portos e Navios
