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Clippings - 09/08/23

SNPTA vê potencial de expansão em 4 hidrovias para escoar produção do Centro-Oeste

Produtores projetam crescimento médio anual de 4 milhões de toneladas somente de cargas provenientes do Mato Grosso

O diretor-executivo do Movimento Pró Logística (Aprosoja-MT), Edeon Vaz Ferreira, alertou, nesta terça-feira (8), que a necessidade logística da região Centro-Oeste aumenta todos os anos. Ferreira disse que somente a produção do Mato Grosso cresce, em média, 4 milhões de toneladas anualmente. Entre as hidrovias que passam pelo Centro-Oeste ou que tangenciam a região, a Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários (SNPTA) destacou quatro sistemas importantes e que possuem potencial de expansão para o escoamento de produção local.

“No horizonte até 2032, temos o desafio de escoar 120 milhões de toneladas somente de Mato Grosso. Mais a produção de Goiás e do Mato Grosso do Sul, que também estão crescendo”, projetou Ferreira, durante participação no Fórum Regional de Logística, Infraestrutura e Transportes (Centro-Oeste Export), realizado em Sorriso (MT).

Durante o evento, a chefe de gabinete da SNPTA, Gabriela Costa, citou que a hidrovia do Madeira, com pouco mais de 1.000 km de extensão, de Porto Velho (RO) à foz do Rio Amazonas, foi utilizada para o transporte de aproximadamente 10 milhões de toneladas de cargas em 2022, entre soja, milho, combustíveis, carga geral e óleos minerais, segundo informações do anuário estatístico da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). Os estudos indicam um potencial de 30 milhões de toneladas/ano para esse sistema.

Gabriela disse que, além das dragagens anuais, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) realiza o Plano de monitoramento hidroviário (PMH), com atenção especial aos problemas enfrentados nos períodos de seca. Já a hidrovia do Tapajós, que passa pelos estados do Amazonas, Mato Grosso e Pará movimentou 11,9 milhões de toneladas em 2022 e também tem um potencial de 30 milhões t/ano, segundo estudos da SNPTA. O trecho entre Itaituba e Santarém, conhecido como Baixo Tapajós, é navegável ao longo de 280 km, durante todo o ano.

A hidrovia do Paraná é uma das principais hidrovias em funcionamento do país, importante para o escoamento da safra, principalmente do Centro-Oeste, mas atende também parte de Rondônia, Tocantins e Minas Gerais. O sistema tem um volume de movimentação de 1,6 milhão de toneladas e transporta soja, farelo de soja, outros grãos, cana de açúcar, entre outras cargas. Essa hidrovia vem desde Itaipu, passa pela divisa entre Brasil e Paraguai, vai até São Simão, se conectando com a hidrovia do Tietê, de gestão estadual e que conta com apoio financeiro da União para as obras de derrocamento do Pedral de Nova Avanhandava. O DNIT é responsável pela sinalização da hidrovia do Paraná e apoia financeiramente o departamento de hidrovias no estado de São Paulo.

Já a hidrovia do Paraguai é considerada importante para a integração latino-americana. O sistema é responsável pela movimentação de granéis sólidos, como compostos de minério de ferro, manganês e granéis agrícolas provenientes do porto paraguaio de Cáceres. Em 2022, 4,6 milhões de toneladas foram transportadas por essa hidrovia.

Gabriela acrescentou que existem empreendimentos portuários importantes em operação na região, principalmente de gestão privada. Ela mencionou dois terminais em São Simão (GO), além do terminal de Ladário (MS), Porto Murtinho (MS) e Corumbá (MS), que somam mais de 5 milhões de toneladas movimentadas em 2022, o que representou 32% de aumento sobre 2021. Há previsão de um outro projeto na hidrovia do Paraguai, com investimentos da ordem de R$ 170 milhões. O projeto, da docas fluvial de Porto Murtinho, foi autorizado em 2021, mas ainda não entrou em operação.

O Brasil tem aproximadamente 19.000 quilômetros de rios navegáveis e um potencial que supera os 40.000 quilômetros em rios a serem explorados para navegabilidade. A SNPTA avalia que identificar os principais corredores fluviais para tomar ações corretas e realizar investimentos em batimetria e sinalização estão entre os principais desafios para fomentar a navegação interior. A pasta também destaca a necessidade de aperfeiçoar a legislação existente para melhorar as condições, tanto do transporte de cargas nos principais rios navegáveis do país, quanto de passageiros, sobretudo na região Norte.

Gabriela disse que a diretriz do governo federal hoje é conceder hidrovias. Ela ressaltou que existe um trabalho da secretaria com a Antaq, que é o poder concedente para hidrovias. “Existe um trabalho conjunto para que a política pública seja executada. A agência reguladora tem carteira de concessões que se debruça para avaliar prioridades. Com base nesses dados, a SNPTA impulsiona o estudo do transporte aquaviário”, disse.

Ela citou que uma das referências nos estudos da secretaria é um relatório de 2021 da Hidrovias do Brasil, que estimou que cada comboio com cerca de 25 barcaças carrega o equivalente a 1.200 caminhões, o que representa uma redução da ordem de 50% nos custos operacionais, além de um modal com menor emissão de poluentes. “Trazer cargas para o transporte aquaviário significa equilibrar o transporte de cargas do país em outros modais, reduzindo custo de operação”, analisou Gabriela.

Fonte: Revista Portos e Navios