O presidente da Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP), Lincoln Guardado, admitiu ontem pela primeira vez a possibilidade de comprar participação da OGpar (ex- OGX), de Eike Batista, no bloco BS-4, na Bacia de Santos. A alternativa, porém, não é interessante para a estratégia de negócios da empresa, que busca diversificar portfólio.
A companhia vai estar aberta a alguma oportunidade de mercado que esteja atraente. Se isso vier a ocorrer, a companhia vai avaliar. Mas não é uma intenção nossa de partida buscar um aumento de stake [participação] neste bloco, disse o presidente da QGEP, Lincoln Guardado, em teleconferência com analistas sobre os resultados de 2013.
A QGEP é a operadora do BS-4 -que abriga os campos de Atlanta e Oliva – com 30% de participação. Os demais sócios são a Barra Energia (30%) e a OGpar (40%).
Segundo Guardado, a QGEP e a Barra Energia quitaram, 50% cada uma, a quantia de R$ 73 milhões referente a pendências de chamadas de capital da OGpar no projeto em 31 de dezembro de 2013. Ele explicou ainda que há um saldo remanescente a ser quitado de R$ 26 milhões de uma chamada de capital não quitada pela OGpar neste ano.
Com relação ao campo de Atlanta, o diretor de Produção da QGEP, Danilo Oliveira, contou que a licitação para a contratação de uma plataforma para produção de petróleo na área deve ser concluída em junho. Esse FPSO é a única coisa que nos separa do primeiro óleo de Atlanta e estamos confiantes que conseguiremos um FPSO ainda para 2015, disse o executivo.
A expectativa em torno desse ativo é grande para analistas de mercado, que, depois de frustrações recentes com a OGpar, estão olhando com mais cautela os resultados de empresas com poucos ativos operacionais. Para eles, a chave para o desempenho das ações da QGEP, no curto prazo, virá do fluxo de notícias sobre os ativos da empresa, como o BS-4 e do prospecto de Carcará (BM-S-8), ambos na Bacia de Santos.
O Itaú BBA manteve a recomendação de compra e valor justo de R$ 20 para a ação da QGEP, em 2014. Nós não esperamos que resultados trimestrais sejam gatilhos significativos [para impulsionar as ações], afirmou o Itaú BBA, em seu relatório.
A QGEP divulgou recentemente resultados do BS-4 considerados encorajadores pelo Itaú. Outro resultado positivo é fundamental para confirmar o otimismo em relação ao desenvolvimento do BS-4, disse o Itaú BBA.
Os próximos pontos importantes para o BBA Itaú são o resultado da concorrência para a contratação da plataforma para Atlanta e a decisão final sobre o alcance do plano de desenvolvimento no bloco, o que só é esperado para o segundo semestre.
O BofA, que também manteve a classificação de compra para os papéis da empresa na bolsa, destacou em seu relatório que o os campos de Atlanta e Oliva e o prospecto de Carcará têm potencial para agregar valor materialmente para a QGEP.
A companhia prevê investir US$ 155 milhões em 2014, principalmente nos blocos BS-4, BM-J-2, BM-CAL-12, BM-S-8 e nas áreas adquiridas na 11ª Rodada.