
A Noxis Energy, que possui três projetos de refino no Brasil, espera obter no segundo semestre a licença de instalação para a refinaria de Pecém, no Ceará. De posse do licenciamento do seu projeto mais avançado, a empresa poderá dar início ao processo de captação de recursos, por meio de bancos de fomento como o BNDES e Banco do Nordeste, além de instituições financeiras internacionais.
O diretor-executivo da Noxis, Marcio Gonçalves, afirmou que foram investidos aproximadamente US$ 5 milhões no projeto. O valor global do projeto, que inclui todas as obras, é da ordem de US$ 1,5 bilhão.
“Eventuais captações de novos recursos serão feitas através de banco de fomento e bancos internacionais”, disse o executivo ao Petróleo Hoje. A Refinaria de Pecém é uma joint venture entre o grupo brasileiro Ariel Participações e o grupo israelense Eitan Eisenberg – ambos com 50% de participação no projeto.
Com a LI a empresa espera dar início às obras de terraplanagem. O terreno do empreendimento possui 106,6 hectares e está localizado na zona de processamento de exportação do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. O projeto da Refinaria do Pecém vem sendo desenvolvido desde 2018.
“Esse projeto terá vários desdobramentos em consonância com a transição energética. Temos investidores que se interessam por projetos com esse perfil de transição energética e que buscam ter segurança jurídica e operacional, elementos que o estado do Ceará e o Complexo do Pecém nos oferecem”, afirmou.
O alvo principal do projeto é a produção de bunker com baixo teor de enxofre para navios. Outros produtos como diesel e derivados de biorefino também têm potencial de demanda e são previstos pela Noxis.
“Existe uma demanda enorme por esse tipo de produto nessa região do Brasil, mas falta oferta. Estimamos um potencial de mercado de aproximadamente 5 milhões de toneladas/ano para consumo na costa do Nordeste e do Norte do país. Vamos transformar o Porto do Pecém no principal hub de abastecimento para embarcações nesse ponto da costa brasileira, para também atendermos embarcações que seguem para a América do Norte, Europa e África”, afirmou.
Metanol
A produção da refinaria deverá contar com sistema de captura do CO2 emitido no processo de refino, para que possa ser utilizado como matéria-prima para a fabricação de metanol. A empresa planeja o fornecimento de tecnologia para a instalação de uma planta específica de produção de metanol conectada à refinaria, para a produção do metanol azul e metanol verde ao utilizar o hidrogênio verde que será produzido por outras empresas no HUB de H2V do Complexo do Pecém.
“Importante ressaltar que, mesmo tendo foco na produção de combustíveis marítimos, a refinaria atenderá grande parte do consumo de diesel e gasolina no estado. Além disso, estamos estudando também a implantação de uma biorefinaria para a produção de bioquerosene de aviação (SAF)”.
Sergipe e Bahia
O projeto tem previsão de uma capacidade de refino de 100 mil barris. A Noxis tem ainda outros dois projetos semelhantes e com a mesma tecnologia para a Bahia e o Sergipe.
“Em Sergipe, acabamos de definir a área de instalação do equipamento e agora buscaremos obter a Licença de Instalação (LI). Já no estado da Bahia já definimos o local onde será instalado o empreendimento e estamos iniciando o processo de licenciamento ambiental”.
Fonte: Revista Portos e Navios