A nova tecnologia vai reduzir em 85% tempo gasto na leitura do carregamento dos navios no Porto de UBU (ES) Rafael Palmeiras A Atividade portuária, em especial o embarque de navios de grande porte, requer cuidados permanentes de controle e segurança no carregamento de cargas.
Para aprimorar esse procedimento, a Samarco, empresa de mineração, desenvolveu um sistema para a leitura do calado dos navios – ponto mais baixo do casco de uma embarcação.
O sistema utiliza câmeras e softwares, que já está sendo implantado no Porto de Ubu, de propriedade da empresa, localizado no município de Anchieta, litoral sul do Espírito Santo.
“Trata-se de uma inovação na área portuária. No Brasil, ainda não há registro de aplicação desse tipo de tecnologia para medição dos calados nos portos”, afirma Marco Antonio Muniz Gamaro, engenheiro especialista da companhia.
Segundo o engenheiro, foram instaladas câmeras no quebra-mar (estrutura costeira que tem por finalidade principal proteger a costa ou um porto da ação das ondas do mar) e na parte inferior do píer do Porto, para que as marcas do calado do navio em processo de carregamento sejam registradas e contabilizadas pelo sistema informatizado.
Sem divulgar o valor do investimento, a Samarco explica que as imagens são transmitidas ao vivo para o software, que gera uma estatística da leitura da carga que está sendo embarcada.
“Com a ajuda do programa, o profissional responsável pelo monitoramento pode perceber a distribuição do carregamento nos navios e evitar que o mesmo receba carga além do previsto em um dos porões.
Esta prática evita o surgimento de estresse no casco, aumentando a segurança durante o embarque”, explica Gamaro. Atualmente, a leitura do calado nos portos é realizada por inspetores que percorrem os lados dos navios, com o uso de lanchas ou outras embarcações.
O engenheiro explica que esse procedimento requer gastos com combustível, além de demandar mais tempo. “No caso da empresa, para fazer a medição do calado in loco é necessário interromper o carregamento de minério de ferro.
Com o novo sistema, o intervalo entre o embarque de cada navio é reduzido, beneficiando também os clientes, que receberão o produto mais rapidamente”, avalia Gamaro.
De acordo com o engenheiro, no ano passado, as interrupções das atividades de estocagem para que a leitura tradicional do calado fosse realizada, somaram 134 horas. Com a implantação da nova tecnologia, a meta é reduzir esse tempo em 85%. E o sistema não deve ficar restrito apenas nas operações da Samarco.
“Não há interesse em monopolizar esse conhecimento, uma vez que ele representa aumento significativo de segurança no terminais”, destaca Gamaro.
Terminais portuários com os contêineres bem vigiados Sistema desenvolvido pela Prosseguir faz reconhecimento óptico nos terminais portuários Há dois anos atuando no mercado de segurança portuária, a empresa Prosegur, já planeja um crescimento maior dentro do setor.
O motivo segunda a empresa é o potencial econômico da atividade. A Prosegur, que está presente em portos como o Terminal da Cargill em Santos e o porto da Usiminas, no Maranhão, desenvolveu um sistema de reconhecimento automático de placas e contêineres, que engloba um conjunto de equipamentos e softwares, com funcionalidade OCR, onde ocorre o reconhecimento óptico de caracteres.
Por meio do sistema também é possível identificar os contêineres e vagões ferroviários que transitam nos portos. “O OCR é um sistema eletrônico automático que opera sem intervenção humana, composto por câmeras e lentes”, explica o diretor da Prosegur, Alberto Croso.
Além disso, o executivo completa que “o sistema atende as exigências das Portarias da Receita Federal para as áreas alfandegárias”. Atualmente, a tecnologia está sendo implantada em dois terminais da Petrobras.