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Clippings - 19/09/16

Statoil avalia desafios no desenvolvimento de Pão de Açúcar

O gás natural que será produzido em Pão de Açúcar está entre os principais desafios do projeto, acredita a Statoil, que assumiu a operação do ativo e está confiante com as mudanças regulatórias prometidas pelo governo federal. Pão de Açúcar, junto com Seat e Gávea são descobertas feitas no BM-C-33, bloco em fase final de exploração na Bacia de Campos.

“Para produzir e comercializar o condensado, o gás precisa ser escoado. Nesse sentido, as atuais perspectivas trazidas pelo MME com o programa Gás para Crescer são muito bem-vindas”, afirmou a Statoil, em nota.

O Gás para Crescer foi instituído no governo de Michel Temer, com o objetivo de rever a Lei do Gás, de 2009, e ordenar o mercado, estabelecendo orientações estratégicas após os desinvestimentos feitos pela Petrobras no setor.

Para se ter uma ideia da escala do projeto, teste de formação em poços do BM-C-33 resultaram em vazões de mais de 420 mil m³/dia de gás e 3,33 mil barris/dia de condensado (em 2015) e 453 mil m³/dia de gás e 4 mil barris/dia de óleo (este ano).

“Esta é de fato uma descoberta de primeira linha: excelente reservatório, ótimo fluido e altamente concentrado, o que permite a drenagem com menos poços”, explica Ana Serrano, vice presidente de Exploração da Statoil.

Em 2013, a Repsol já havia encomendado um estudo à Promon Engenharia para analisar a viabilidade do escoamento do gás produzido na área, considerando a melhor localização para a instalação de uma unidade de tratamento de gás e as possibilidades de escoamento – à época, a previsão de primeiro óleo era para o fim desta década.

O projeto também já despertou o interesse da Prumo, que vê Pão de Açúcar como uma possível fonte de gás natural para o hub planejado para o Porto do Açu. A empresa de logística quer desenvolver infraestrutura de tratamento, armazenagem de gás e geração de energia na região.

De acordo com a Statoil, outros desafios no desenvolvimento do BM-C-33 serão a compreensão das características dinâmicas do reservatório e a profundidade da lâmina d´água. Ao todo, o bloco tem dez poços perfurados, todos em lâmina d’água superior a 2.600 m. Até o momento, o poço perfurado em maior lâmina d’água na área é o 3-REPF-16D-RJS (Pão de Açúcar A2), localizado em lâmina d’água de 2.821 m e com profundidade total de mais de 7.000 m.

Histórico

O BM-C-33 foi concedido na 7ª Rodada da ANP, em 2005, ao consórcio formado entre a Repsol Sinopec (50%, operadora) e a Statoil (50%). Posteriormente, a Petrobras passou a fazer parte do consórcio, com a compra de 15% de participação de cada companhia.

Entre 2009 e 2011 foram descobertos na área os prospectos de Seat e Gávea. Entretanto, o bloco somente ganhou destaque em 2012, com o anúncio da descoberta gigante de Pão de Açúcar, uma das maiores descobertas do ano em reservatórios carbonáticos, com altos volumes de gás e condensado. A estimativa atual é que o bloco tenha pelo menos 1 bilhão de barris de óleo recuperáveis.

Desde 2013, os prospectos vêm sendo estudados por meio de um plano de avaliação da descoberta (PAD). Ao todo, foram perfurados quatro poços na avaliação, do total de seis previstos no plano, sendo que dois tiveram registros de óleo e gás, um registrou somente óleo e o outro não encontrou indícios.

“Atualmente estamos discutindo os próximos passos com os parceiros e é cedo para fornecer indicações concretas do conceito a ser adotado no desenvolvimento, assim como seu escopo ou as tecnologias que serão envolvidas. Os estudos feitos pela Repsol durante o perãodo em que esteve como operadora foram absorvidos pela Statoil e pretendemos avançar a partir daí”, explicou a Statoil.

Na avaliação da Statoil, um dos principais desafios na fase de exploração foi o elevado custo de perfuração devido à complexidade do ativo. Agora, a previsão é que sejam feitas a avaliação de dados subaquáticos adquiridos na área e o estudo das possíveis soluções para o desenvolvimento das descobertas.

O C-M-539 agora é operado pela Statoil (35%), em parceria com a Repsol Sinopec (35%) e a Petrobras (30%). O PAD da área é válido até dezembro de 2019. A transferência de operação foi mais um movimento da Statoil para aumentar a participação em águas profundas no Brasil.

No final de julho, a companhia comprou a participação de 66% da Petrobras no bloco BM-S-8, na Bacia de Santos, onde está localizado o prospecto de Carcará. A transação, fechada pelo valor de US$ 2,5 bilhões, já recebeu o aval do Cade, e agora aguarda apenas o parecer da ANP.