
Com o reinício das operações do terminal de granéis sólidos, a expectativa no Porto de Suape é de bons negócios. O terminal foi arrendado, temporariamente, pela M&G São Caetano Indústria de Beneficiamento, em um processo iniciado no ano passado. Na concorrência para o contrato de transição, a empresa ofereceu R$ 367 mil por mês, contra R$ 145 mil da segunda colocada. O preço mínimo estabelecido era de R$ R$ 142.846,96. A instalação faz parte parte da lista de áreas portuárias que o Ministério da Infraestrutura pretende leiloar.
Enquadrado na categoria “terminais de carga e descarga de produtos diversos”, a instalação de Suape foi classificada para arrendamento na 14ª reunião do PPI. O projeto já passou pela fase de estudos e pela consulta pública. Pelo cronograma do Minfra, o edital será lançado no quarto trimestre de 2021 para lesão no primeiro trimestre de 2022. Porém, haverá ajustes no EVTEA, justamente por conta da retomada da operação.
“O terminal precisa de investimentos para a construção de silos, mas, na consulta que fizemos para o contrato de transição, apareceram muitos interessados. Temos certeza de que haverá candidatos para o leilão”, afirma o diretor de Gestão Portuária de Suape, Paulo Coimbra.
O terminal conhecido como SUA07 tem uma longa história. Em 2016, ele começou a ser operado pela Agrovia do Nordeste, empresa controlada pela Odebrecht Transporte. Inicialmente, era usado para serviços e armazenagem. Em um segundo momento, passou a movimentar cargas de açúcar. A Agrovia chegou a obter autorização do governo federal para trabalhar com outros grãos, aumentando a viabilidade econômica da instalação, mas acabou colhida pelo envolvimento da Odebrecht com a Operação Lava-Jato e devolveu a instalação a Suape.
Antes disso, porém, fez investimentos de R$ 130 milhões na implantação do terminal, que conta com uma estrutura de galpão de armazém de açúcar, carregador de sacas e grãos para navios (shiploader) e áreas administrativa, de manutenção, almoxarifado e segurança do trabalho.
Hoje, basicamente, o coque que passará por Suape é oriundo da Refinaria Abreu Lima, em Ipojuca, no litoral sul de Pernambuco. Como a empresa trabalha com um petróleo bruto de baixo teor de enxofre, o coque é de alta qualidade e muito valorizado pela indústria de química fina. Em contrapartida, pelo terminal também chegará o coque importado para a indústria de cimento.
Com a reabertura do terminal, Suape já pode pensar em concorrer com o Porto de Cabedelo por onde opera atualmente, a Oxbow, empresa americana que é uma das maiores comerciantes de coque do mundo.
“Em função da profundidade das águas, o Complexo de Suape tem um calado maior, o que permite ganhar em escala. Agora, teremos também o know-how para operar com coque”, diz Coimbra.
Fonte: Revista Portos e Navios