
Planejamento do terminal multicargas do Açu prevê conclusão de obras de ampliação do cais para 500 metros e 13m de calado em toda extensão, após finalização de dragagem
O Porto do Açu (RJ) iniciou, no final de fevereiro, as obras de expansão do cais para implementação do segundo berço de atracação do terminal multicargas (T-Mult). A previsão é que a etapa esteja concluída no segundo semestre de 2024, permitindo a operação simultânea de dois navios classe Panamax, com 250 metros de LOA cada. Os investimentos são da ordem de R$ 100 milhões e compreendem a ampliação do cais operacional dos atuais 340 metros para 500 metros e a dragagem nas laterais dos berços, também em curso, para igualar toda a nova extensão com calado de 13,1 metros. A capacidade de movimentação do terminal chegará a 2,7 milhões de toneladas ao ano.
A expectativa do Porto do Açu é ampliar essa capacidade para 5 milhões de toneladas até 2025, a partir da expansão da área de armazenagem. O projeto completo de expansão do terminal abrange também os pátios, galpões, infraestrutura para estocagem e novos equipamentos. A empresa estima investimentos de aproximadamente R$ 300 milhões ao longo de três anos.
O T-Mult hoje conta com 340 metros de comprimento para atracação de navios até a classe Panamax, que transporta 80 mil toneladas de cargas. A administração do terminal afirma que opera de forma eficiente com os 13,1m de calado do berço atual. Ao longo de oito anos de operação, o terminal recebeu navios de fertilizantes e começou a operar grãos, principalmente milho e soja, além de cargas gerais. Outra carga, já movimentada no ano passado e que está no radar é o lítio, tanto de baixa quanto de alta concentração.
A expectativa do porto é consolidar a movimentação de grãos em 2024, a partir da construção dos novos armazéns. “A ocupação industrial está evoluindo e será guiada pelo desenvolvimento de cargas com potencial de industrializar o porto”, disse o diretor comercial e de industrialização do Porto do Açu, João Braz, à Portos e Navios, durante a feira Intermodal, em São Paulo.
O T-Mult trabalha com 20 mil m² de área coberta e 120 mil m² de área total de armazenagem. A autorização da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) para o terminal de uso privado (TUP) permite a exploração de uma área total de 780 mil m² de área. Atualmente, o terminal conta com 360 mil m² de área alfandegada, três armazéns, um pátio com 60 mil m² para granéis, para movimentação de carvão e coque principalmente, além de um pátio break bulk (carga geral) e os 340m de cais. “Temos hoje 400 mil m² no terminal multicarga para expandir”, destacou Braz.
Na área coberta, o terminal tem dois armazéns para movimentar cargas como fertilizantes, grãos, sal, concentrados minerais e produtos siderúrgicos: o maior (7.600 m²) tem capacidade estática de 40 mil toneladas, enquanto a outra área, de 5.600 m², tem capacidade de movimentar até 25 mil toneladas. Outra área, de 6.800 m², tem capacidade estática de 45 mil toneladas e tem operação dedicada à Lundin Mining, por meio de um projeto tailor made (sob medida), para operação com concentrado de cobre.
Braz explicou que o planejamento do novo berço e a perspectiva de aumentar de 2,2 milhões de toneladas para 5 milhões de toneladas de capacidade de movimentação levou em consideração a disponibilidade de armazenagem adicional, cuja área total chegará a 200 mil m², praticamente dobrando a atual. Uma área de 30 mil m² (pátio de granéis) para diferentes tipos de carga, com foco no lítio, já está pronta. Outra área de 35 mil m² (pátio retroportuário) contará com dois armazéns para grãos, que estão previstos para ficar prontos entre março e maio. Para o final de 2024, o T-Mult deve contar ainda com uma área com 45 mil m², que será voltada para o segmento agroindustrial.
Fonte: Revista Portos e Navios