O FPSO está instalado a cerca de 127 km da costa do Estado de Rio de Janeiro, em lâmina d’água de 765 metros, com capacidade de processar diariamente até 150 mil barris de petróleo e 3,5 milhões de m3/dia de gás e de comprimir diáriamente 5 milhões de m3/dia.
O campo de Tartaruga Verde possui óleo de boa qualidade (27º API) e está localizado na área sul da Bacia de Campos, no pós-sal, em lâmina d’água variando de 700 a 1.300 metros e com reservatórios a 3.000 metros de profundidade.
É formado por duas jazidas, Tartaruga Verde, onde a Petrobras detém 100% de participação, e Tartaruga Mestiça, jazida compartilhada entre a União, representada pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA), com 30,65% de participação, e a Petrobras com 69,35%. Toda a produção do campo será escoada pelo FPSO Cidade de Campos dos Goytacazes.
O que mais sabemos sobre Tartaruga Verde?
Os reservatórios de Tartaruga Verde são originados das avaliações das acumulações de Aruanã e Oliva, então localizadas na concessão BM-C-36, no bloco C-M-401, no pós-sal da Bacia de Campos. A entrega da declaração de comercialidade ocorreu em 2013.
O volume recuperável total projetado para Tartaruga Verde é de 230 milhões de boe. Já a acumulação de Tartaruga Mestiça, afastada a 500 m de Tartaruga Verde, tem 121 milhões de boe estimados em volume recuperável total. Durante o período de avaliação da descoberta, foram perfurados cinco poços – três na área de Tartaruga Verde e dois em Tartaruga Mestiça.
Inicialmente, o plano da Petrobras era começar a produzir na área em 2017, mas atrasos na construção do FPSO adiaram o projeto. O bloco é da sétima rodada, realizada em 2005, e entra em operação, portanto, 13 anos após sua adjudicação.
O projeto de desenvolvimento da produção de Tartaruga Verde terá 18 poços, sendo 12 de produção e seis de injeção. O pico de produção com 100 mil barris/dia deve ser atingido em 2019. Uma linha de 29 km interliga o sistema de produção ao sistema de escoamento da Bacia de Campos.
Atualmente, o campo, junto com módulo III de Espadarte, está na carteira de desinvestimento da Petrobras. Na semana passada, o processo entrou na etapa não vinculante, na qual os participantes podem fazer propostas não vinculantes (sem compromisso formal de manter suas condições). Essa é a segunda vez que a Petrobras tenta vender o ativo. Na primeira, o comprador era a Karoon, mas ações judiciais suspenderam o processo e a Petrobras resolveu desistir de vender pela sistemática anterior ao acerto com o TCU.
O FPSO Campos dos Goytacazes é uma unidade afretada por 20 anos com a Modec e fez parte da leva de unidades afretadas que a Petrobras começou a contratar por volta de 2014. A estratégia permitia à companhia transferir para os armadores (donos dos FPSOs) o investimento na construção das unidades e acelerar sua construção.
A licitação da unidade foi disputada na época pelos consórcios Schahin/Modec (vencedor) e UTC/Bumi Armada. O primeiro ofertou uma taxa diária de US$ 779 mil, enquanto a proposta do segundo superou os US$ 1 milhão. A então OOG (hoje Ocyan) também disputou o processo, mas na última hora decidiu retirar sua proposta comercial. Pelas regras da licitação da Petrobras, os armadores eram obrigados a se associar com empresas nacionais de engenharia para disputarem as obras.
O banco japonês JBIC financiou a construção com US$ 252 milhões. A unidade teve o casco convertido na China e módulos e integração feitos no Estaleiro Brasfels, em Angra dos Reis. Entre os fornecedores de módulos para o projeto estão a Hitachi e a MAN Turbo.
Produção
O campo teve um sistema de produção antecipada ativo em 2016, por meio do poço 3-BRSA-1012DPA-RJS, interligado ao FPSO Cidade de Rio das Ostras, tendo atingido uma produção média até março deste ano de 12 mil barris/dia. A produção estava limitada à queima de gás de 29 mil m3/dia.
Fonte: Revista Brasil Energia