A taxa diária de embarcações de apoio marítimo no Brasil caiu, em média, praticamente pela metade nos últimos dois anos, segundo dados da shipbroker Westshore. O cálculo considera a variação do daily rate de PSVs, OSRVs e AHTSs entre outubro de 2014 e setembro deste ano.
A maior variação no perãodo foi na taxa diária de PSVs 4500, que caiu quase 60% desde outubro de 2014, passando de US$ 42 mil para US$ 17,3 mil. Na sequência estão as taxas para AHTS 15000 (-56%); PSV 1500/OSRV (-55%); AHTS 18000 (-37%); e PSV 3000 (-32%).
A redução é reflexo direto da retração das atividades de E&P no país desde que os preços do petróleo começaram a cair. Este ano, apenas 12 sondas marítimas operaram, em média, por mês no Brasil, numa queda de mais de 50% em relação a 2014. O número de poços offshore perfurados em 2016 também caiu pela metade, na mesma base de comparação.
No perãodo, a frota de apoio marítimo no país caiu de 500 para pouco mais de 400 embarcações, segundo dados da Abeam – queda de aproximadamente 15%. Além de PSVs, OSRVs e AHTSs, consideram-se aí PLSVs, MPSVs,WSVs, Crew/FSVs RSVs, DSVs e LHs acima de 100 t de porte bruto e 1000 BHP.
O volume de contratações caiu tanto no mercado spot como no de longo prazo. No primeiro caso, a queda em relação a 2014 é sutil, de apenas 7%. No último, por outro lado, a redução é de 75%. O número de dias totais contratados era de quase 60 mil em 2014; enquanto em outubro deste ano não chega a 7 mil.
Licitações
Hoje, as perspectivas de negócios para os armadores giram em torno da frota de sondas marítimas no país, que, apesar de ter caído pela metade, ainda é uma das maiores do mundo, atrás apenas do GOM, com cerca de 30 unidades. Além disso, a Petrobras programa o início do primeiro óleo de nove plataformas até 2019, o que também demandará contratações.
Hoje, a estatal promove concorrências para afretar PSV 4500 de bandeira brasileira ou inscritas no Registro Especial Brasileiro (REB) por 730 dias firmes; OSRV 750, PSV 1500 e PSV 3000 por até um ano para substituir barcos bloqueados pela Antaq; RSV (730 ou 1095 dias); OSRV de bandeira nacional por até 1460 dias; e SDSV por até 1095 dias.
A expectativa é que newbuilds substituam embarcações hoje em operação e que a frota permaneça estável nos próximos anos, com variações em determinadas classes de barcos. A tendência é que a Petrobras opte por novas licitações em vez de estender contratos, buscando maior poder de barganha.
IOCs
Petroleiras privadas também estão contratando para seus projetos offshore no país. A Shell está afretando um MPSV, um PSV e um LH para o BC-10, na Bacia do Espírito Santo, por cinco anos, dois anos e um ano, respectivamente.
Na Bacia de Campos, promovem concorrências a Statoil, que busca dois PSVs para operar em Peregrino a partir deste trimestre, e a PetroRio, que afretará um AHTS por dois anos, com início de operação no segundo trimestre de 2017.
Em Santos, a Karoon contrata seis embarcações por 90 dias para apoiar as atividades de avaliação da descoberta de Echidna a partir de 2017, enquanto Saipem e QGEP afretarão dois barcos cada uma para operar nas áreas de Lula e Atlanta, respectivamente.
Já a francesa Total está contratando dois PSVs 3500, um PSV 2000, um OSRV e um boom handler por um ano para apoiar atividades na Foz do Amazonas. As embarcações deverão estar disponíveis para operar a partir do primeiro trimestre do ano que vem.
Mundo
De acordo com a IHS, a demanda por barcos de apoio offshore caiu 10% ao ano desde 2014 e continuará em declínio em 2017. Apesar da queda significativa da demanda, a frota de apoio marítimo segue crescendo.
“Este crescimento resulta das excessivas encomendas feitas nos anos que antecederam o início da retração do setor petróleo. Acreditamos que a utilização geral dessas embarcações seguirá abaixo dos 60% até 2020”, disse o analista da IHS, Erik Simonsen.
O cálculo de utilização feito pela IHS considera inclusive embarcações em lay-up (em hibernação), o que consequentemente reduz a taxa geral de uso dos ativos.