Divulgação
Ferramenta desenvolvida por startup israelense utiliza dados coletados por rebocadores para monitorar, em tempo real, profundidade do canal de navegação do complexo portuário santista. Objetivo é que solução seja ampliada para outros portos brasileiros.
O Porto de Santos (SP) experimentará um sistema capaz de entender o padrão e o comportamento de assoreamento dos portos e de prever como suas mudanças afetam as condições de navegação. Os envolvidos destacam que a nova tecnologia desenvolvida pela startup israelense DockTech, possibilita um planejamento mais preciso da dragagem e evita gastos desnecessários com batimetrias, além de dar mais segurança para a navegação no canal. A Santos Port Authority (SPA) firmou acordo de cooperação técnica com a Wilson Sons, que tem participação na startup e acordo de exclusividade comercial nos portos brasileiros com a empresa.
O acordo formaliza parceria que visa o estudo e colaboração entre as três empresas para aperfeiçoamento de solução de monitoramento em tempo real da profundidade operacional do canal de navegação e acesso aos berços de atracação do Porto de Santos. A ferramenta mapeia em tempo real a profundidade do canal de navegação e é capaz de entender o padrão de assoreamento dos portos, prevendo como as variações no leito afetam a segurança da navegação e o transporte de cargas.
A solução utiliza dados coletados por rebocadores da Wilson Sons para monitorar a profundidade do canal de navegação do Porto de Santos. A tecnologia de gêmeos digitais da startup utiliza dados batimétricos coletados pelos rebocadores para criar uma representação virtual dinâmica do leito marítimo do porto. A análise dos dados com algoritmos baseados em inteligência artificial possibilita identificar a ocorrência de assoreamento e antecipa as necessidades de dragagem.
O termo, anunciado nesta quinta-feira (9), foi estabelecido depois que a SPA, em setembro, criou um comitê de inovação e editou a norma que estabelece diretrizes de parcerias para o desenvolvimento de inovações tecnológicas no complexo portuário de Santos. As regras fazem parte da agenda de inovação iniciada em 2019, com a digitalização de serviços e desburocratização de normas visando avançar no modelo de Porto 4.0.
A Wilson Sons tem participação minoritária na DockTech e acordo de exclusividade comercial com a empresa para implementação em portos brasileiros. O investimento faz parte da estratégia da companhia de fomentar a inovação e o desenvolvimento da infraestrutura portuária e marítima. A partir dos primeiros testes realizados no Porto de Santos, o acordo de cooperação técnica prevê a ampliação da parceria.
O diretor-executivo da divisão de rebocadores da Wilson Sons, Márcio Castro, explicou que o sistema identifica polígonos de sedimentação e aponta ao usuário onde há assoreamento na região. Castro frisou entre os benefícios a possibilidade de antecipar cenários e entender como as condições meteoceanográficas afetam o assoreamento do canal. A autoridade portuária vai cooperar na análise técnica e aperfeiçoamento da ferramenta, sugerindo adequações que atendam às necessidades da SPA, além de propor novas aplicabilidades e possíveis ganhos viabilizados pelo uso da solução. “O porto com uma solução desse tipo implantada, tem avaliação melhor, o que traz diferença no fluxo de caixa. Manter o calado sem redução gera receita maior e redução de custos”, disse Castro.
O diretor de operações da SPA, Marcelo Ribeiro, destacou que a nova tecnologia possibilitará à SPA aprimorar seu planejamento e investir de forma mais assertiva e eficiente na manutenção da profundidade do canal de navegação do porto. Ele disse que a ferramenta é importante para uniformizar a profundidade nos quatro trechos do canal, que tem 25 quilômetros. “Com a maior assertividade na taxa de assoreamento, acreditamos que poderemos trazer números novos que farão diferença na campanha de dragagem”, afirmou à Portos e Navios. Ribeiro acrescentou que a novidade é positiva para a relação porto-cidade, visto que estabelece um envolvimento maior com as universidades, que podem preparar os graduandos para ocupar os novos postos de trabalho gerados pelos terminais.
Para a DockTech, a infraestrutura portuária mundial ainda não possui instrumentos capazes de monitorar em tempo real a profundidade dos canais de navegação e acesso aos berços de atracação. “A solução possibilita fazer essa medição de forma dinâmica e evitar restrições de calado operacional, aumentar a segurança da navegação e prevenir o desperdício de recursos com dragagem”, disse o CEO da DockTech, Uri Yoselevich.
De acordo com a SPA, as campanhas para levantamentos hidrográficos, categoria A, ordem especial, que são utilizados para monitoramento das profundidades do canal de acesso do Porto de Santos e para acompanhamento e medição dos serviços de dragagem, custam em torno de R$ 2 milhões por ano.
Fonte: Revista Portos e Navios
