A Geopark está em busca de novos ativos no Brasil tanto por meio dos desinvestimentos da Petrobras, quanto pelas novas rodadas de licitações. Em entrevista exclusiva à Brasil Energia Petróleo, o diretor para Argentina, Brasil, Chile e Peru da Geopark, Alberto Matamoros, e a gerente legal da companhia, Lívia Valverde, ressaltaram que as novas oportunidades no Brasil contribuirão com a meta de companhia de alcançar uma produção média de 100 mil barris/dia globalmente em 2022. “Temos interesse na 14ª Rodada e vamos participar”, afirmou Matamoros.
A Geopark está em busca de novos ativos no Brasil?
Alberto: Estamos muito interessados em oportunidades de crescimento no Brasil, com o objetivo de alcançar a meta da companhia de chegar a 100 mil barris/dia de petróleo em 2022. Buscamos continuamente novas oportunidades, seja no processo de desinvestimentos da Petrobras, ou qualquer outra oportunidade que surja entre vocês. Participamos do Topázio e passamos para a segunda etapa. Temos interesse na 14ª Rodada e vamos participar.
A Geopark também está em busca de ativos em outros países? Com quais deles o Brasil compete?
A: Os cinco países em que estamos competem. Estamos tentando também colocar nossos pés no México, que é um país com um potencial petrolífero muito grande. Temos alguns ativos não convencionais no Chile, mas nosso foco agora é no convencional. Na Argentina estamos trabalhando em três blocos, mas são convencionais, não estamos em Vaca Muerta, não é nosso foco no curto prazo.
Quais sãos os desafios de atuar no Brasil?
A: O principal desafio do mercado brasileiro é o mesmo da maioria dos países da América Latina: as estatais ainda têm portfólios muito extensos. Muitos destes ativos são marginais para as estatais, no entanto são excelentes oportunidades para companhias independentes. Neste sentido, somos muito otimistas em relação aos processo de desinvestimento da Petrobras. Estamos esperando novas oportunidades no país para que um novo mercado de players independentes possa se desenvolver.
Como a Geopark enxerga as novas as medidas de estímulo à indústria onshore anunciadas pelo governo, como o Reate e as alterações nas regras de conteúdo local?
Lívia: O governo está se mostrando interessado em tentar fomentar o mercado. É necessário ter as flexibilidades que a agência está implementando, como a nova coordenadoria de áreas onshore. Isso atende à demanda dos pequenos e trata os independentes como eles devem ser tratados. O Reate é bem recente, as medidas precisam ser implementadas, mas estive no anúncio do programa e percebi uma injeção de ânimo no mercado.
Hoje, qual é a importância do Brasil no portfólio da Geopark?
A: Estamos presentes em cinco países: Argentina, Peru, Chile, Brasil e Colômbia. Temos 28 áreas exploratórias e em desenvolvimento, localizados em dez bacias diferentes, com reservas 2P de 143 milhões de barris. A projeção da produção no Brasil nos próximos cinco anos vai depender dos desinvestimentos da Petrobras e o resultado da perfuração nos blocos que estamos fazendo no momento.
Quais serão as próximas atividades no país?
L: A gente tem o RECT-T-94, da Rodada 11, onde estamos nos preparando para perfurar dois poços. Vamos começar um nos próximos dias* e temos outros dois poços planejados no Potiguar. São quatro poços, sendo que um deles não é compromisso para este ano, então estamos avaliando ainda, pois é um poço contingente. Equipamentos e sondas para o Recôncavo já estão contratados, mas para a Bacia Potiguar o processo ainda está em análise técnica e econômica. As sísmicas também já foram feitas, estamos na fase de reprocessamento.
*OBS.: A entrevista foi realizada antes da perfuração do poço 1-GPK-1-BA (Praia do Espelho), no REC-T-94. Após encontrar água no objetivo principal da perfuração, a companhia optou por abandonar o poço.
Qual é o foco da Geopark no país?
A: Petróleo! Estamos focados nos prospectos de petróleo nos quatro poços que estamos planejando. Gás, no momento, somente em Manati.
Como vocês veem a entrada da PetroRio como sócia no campo de Manati após a compra da Brasoil?
L: Entre as empresas independentes, a PetroRio é uma empresa de grande porte, que pode agregar no ativo. Ainda não conversamos, porque o acordo ainda não é oficial perante a ANP, todo o trâmite ainda é entre compradora e vendedora. Não tivemos a oportunidade de começar a atuar como um consórcio ainda.