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Clippings - 25/07/22

Termelétricas flutuantes da Karpowership começam a chegar a Itaguaí

Divulgação Karpowership

Primeiro dos quatro powerships da empresa turca previstos no projeto de geração chegará ao porto neste sábado (23) e demais ao longo da próxima semana. Usinas serão abastecidas por FSRU

As quatro termelétricas flutuantes da Karpowership começam a se posicionar no Porto de Itaguaí, no Rio de Janeiro. O primeiro ‘powership’ da empresa turca chegará à região portuária neste sábado (23), com os demais previstos para se integrarem ao longo da próxima semana. A empresa turca informou que tem expectativa de iniciar as operações de geração de energia em breve já que os testes de comissionamento das linhas de transmissão, com extensão de 14,6 quilômetros e conectadas à subestação de Furnas, estão em processo de conclusão. A Karpowership foi uma vencedoras do leilão de energia reserva com o uso do gás natural realizado em outubro do ano passado. O projeto é temporário e tem duração total de 44 meses. 

Em junho, a Karpowership assinou um contrato de passagem com a Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ) para a instalação, pela empresa estrangeira, de torres de distribuição de energia elétrica e passagem aérea da linha de transmissão dentro da área de abrangência do Porto de Itaguaí (RJ). O projeto apresentado à autoridade portuária prevê para a Baía de Sepetiba quatro termelétricas flutuantes, uma unidade flutuante de armazenamento e regaseificação (FSRU) de gás natural liquefeito (GNL), além da instalação de 36 torres temporárias para transmissão da energia gerada, ancoradas em terra e mar. As térmicas flutuantes ‘Porsud I e II’ e ‘Karkey I e II’ terão capacidade instalada total de 560 MW.

A Karpowership destacou que a infraestrutura é de fácil mobilização e desmobilização e tem menor impacto, se comparado a processos de construção de termelétricas tradicionais. A FSRU que abastecerá as usinas flutuantes com gás natural também será posicionada neste período na região portuária. A empresa também argumenta que as embarcações do projeto têm elevada eficiência energética, com motores de última geração tecnológica fabricados com tecnologia desenvolvida em países como Alemanha e Finlândia. “Esta alternativa permitirá ao Brasil avaliar outras aplicações dos navios geradores para o mercado de gás e do pré-sal. São oportunidades que se abrem, fundamentais para um mundo que precisa encarar desafios de fornecimento de energia de forma segura e ambientalmente correta”, afirmou o diretor de projetos da Karpowership no Brasil, Gilberto Bueno.

Ambientalistas questionam o processo de licenciamento, levantando possíveis impactos do projeto à fauna local. Eles alegam que a operação das termelétricas flutuantes na região ameaça os botos cinzas de extinção. Em maio, o Instituto Arayara alertou que a ausência de um estudo de impacto ambiental aprofundado está condenando a espécie. O instituto realizou uma série de notificações extrajudiciais pedindo a suspensão da licença ambiental do empreendimento termelétrico, emitida pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea), além do arquivamento do projeto. No começo de junho, o Ministério Público entrou com uma ação civil para tentar impedir a instalação de usinas flutuantes. Numa ação anterior, o MPF havia tentado anular a licença de instalação das torres.

A Karpowership informou à reportagem que recebeu a licença de operação, aprovada pelo Inea, para o projeto de geração de energia por embarcações, na Baía de Sepetiba. A companhia reforça que também já teve a permissão da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), para operar o projeto como uma das vencedoras do leilão de energia reserva, realizado pela Aneel em 2021.

“Neste momento, a Karpowership trabalha em parceria com as autoridades para que o projeto tenha início de forma segura o mais breve possível. Todo processo de licenciamento ambiental do empreendimento segue rigorosamente os critérios técnicos e jurídicos aplicáveis, decisões e normas estabelecidas pelo órgão licenciador. Todos os estudos de impacto socioambiental exigidos pelo órgão ambiental já foram apresentados”, frisou a empresa em nota. A Karpowership acrescentou que também apresentou todas as informações para esclarecer os aspectos técnicos e jurídicos solicitados na ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal.

A Karpowership alega que iniciou um projeto de compensação ambiental voluntária em parceria com a prefeitura de Itaguaí. De acordo com a empresa, haverá ações para reflorestar áreas degradadas, com o replantio de espécies nativas da Mata Atlântica, de mangue e restinga. A primeira área de mangue a ser recuperada já foi definida junto com a Secretaria de Meio Ambiente e Planejamento de Itaguaí e a ação será coordenada pela ONG Onda Verde (RJ), entidade não governamental, sem fins lucrativos, que atua na conservação da diversidade biológica do Bioma Mata Atlântica.

A empresa garantiu que o programa de responsabilidade corporativa da companhia no Brasil contará com oficinas participativas e servirão para a identificação das prioridades das comunidades e para a construção de projetos de forma integrada. “A Karpowership reconhece que o direito ao desenvolvimento social é fundamental e seguimos os parâmetros dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU. Nossa intenção é fazer diferença positiva, contribuindo para o progresso das comunidades e países onde operamos”, disse Bueno. A empresa do grupo Karadeniz Energy Group, localizado em Istambul, hoje conta com 35 powerships atualmente e opera mais de 4.350 MW de capacidade instalada globalmente.

A CDRJ, que administra a zona poligonal do Porto de Itaguaí, estima arrecadar mais de R$ 30 milhões durante o período de operação do projeto. Com a tarifa portuária, a CDRJ estima arrecadar em torno de R$ 7,5 milhões por ano, totalizando cerca de R$ 28 milhões pelo período de 44 meses, englobando o desenvolvimento e operação do projeto, conforme as premissas do leilão de energia de reserva, do qual a Karpowership foi uma das vencedoras. Além disso, são previstos outros R$ 4 milhões com o contrato de passagem, totalizando R$ 32 milhões.

Fonte: Revista Portos e Navios