Autoridade portuária afirma que quantidade de navios verificados na área de fundeio, aguardando atracação, se deve às chuvas que vêm assolando Baixada Santista nos últimos meses A Autoridade Portuária de Santos (APS) afirmou à Portos e Navios que o aumento da quantidade de navios verificados na área de fundeio, aguardando atracação, se deve às chuvas que vêm assolando a Baixada Santista nos últimos meses.
De acordo com a APS, os terminais que operam granéis sólidos vegetais no Porto de Santos têm apresentado um bom desempenho e vêm respondendo com eficiência à demanda desse segmento. Embarcadores de commodities agrícolas vêm demonstrando preocupação com congestionamentos nos principais portos brasileiros para exportação de produtos.
Em entrevista recente à Reuters, o co-diretor de comércio de açúcar da consultoria Sucden, Dimitri Varsano, alertou que esse cenário pode piorar em caso de um período chuvoso nos próximos meses, agravado pelos efeitos do El Niño. Ele relatou à agência de notícias atrasos de até 35 dias nos embarques no Porto de Santos. A administração do Porto de Santos salientou que conta com uma atuação sistêmica na eliminação de problemas logísticos e reconheceu ser ‘inegável’ a necessidade de investimentos em novas infraestruturas para operação de cargas e nos acessos ao porto.
A APS destacou como medidas primordiais para atender bem as cadeias logísticas: a melhoria e ampliação do sistema ferroviário (Fips), além do acesso marítimo, aumentando a capacidade portuária com o aprofundamento do canal de 15 metros para 17 metros. No rodoviário, as obras do túnel Santos-Guarujá, o segundo acesso à margem direita, e avenidas perimetrais. “A chegada da carga pelo modal rodoviário tem se mantido dentro da normalidade. Algumas intercorrências ocorreram por conta de obras na Avenida Augusto Barata (via de acesso ao porto), que já foram concluídas”, informou a APS à reportagem. Em nota, a autoridade portuária santista destacou, entre as medidas implementadas, o sistema de agendamento de caminhões (Sealog), que minimiza a ocorrência de congestionamento e atrasos.
As projeções de demanda do Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto de Santos (PDZ) apontam para um crescimento médio da ordem de 2,3% ao ano, partindo de uma movimentação à época de sua publicação de 135 milhões de toneladas (2020) e atingindo 215 milhões de toneladas em 2040, frente a uma capacidade de 161 e 240 milhões de toneladas, respectivamente. “Em que pese as projeções do cenário base indicarem o equilíbrio entre demanda e capacidade, não se pode descartar a possibilidade de um cenário de crescimento mais otimista, haja vista os consecutivos recordes anuais registrados nos últimos anos”, afirmou a APS.
Para este ano, a autoridade portuária projeta novo recorde de movimentação da ordem de 167 milhões de toneladas. A APS identificou a necessidade de se viabilizar urgentemente um novo acesso ligando o Planalto à Baixada Santista, como forma de dar suporte ao aumento exponencial projetado na movimentação de cargas, integrando outros pontos do Rodoanel com a Baixada Santista, evitando que os investimentos para a ampliação da capacidade do porto tenham como origem/destino o já saturado município de Cubatão.
Atualmente, a chegada de cargas oriundas do Planalto se dá unicamente pelas duas faixas de rolamento da saturada Rodovia Anchieta, construída em 1947, com 12 km de estradas sinuosas em seu trecho de serra. Diante desse cenário, a APS entende ser prioritária a viabilização de adequações nos limites da área do Porto Organizado de Santos (Poligonal) e solicitou à Secretaria Nacional de Portos e Transportes Aquaviários (SNPTA) alterações na poligonal.
Fonte: Revista Portos e Navios