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Clippings - 13/04/26

Terminais investem em parque de equipamentos para atender alta da movimentação portuária com produtividade

O setor portuário vive um momento de compras e recebimento de novos equipamentos de movimentação. O aumento dos volumes que transitam nos principais terminais de contêineres e de cargal geral, aliado à manutenção dos benefícios do Reporto, contribuíram para novas encomendas nos últimos anos. Fabricantes e distribuidores de guindastes, pórticos, empilhadeiras e outras máquinas de pátio consideram que 2025 foi bom para as vendas e relatam que, diante das consultas e projetos de expansão e modernização do parque de equipamentos, novos contratos devem ser firmados ao longo de 2026. Soluções eletrificadas já são realidade e cada vez mais são implementadas nos Tecons.

A TFD (Terminal Full Dealer) avalia que 2025 foi um ano promissor que terminou com importantes conquistas. Os principais equipamentos demandados à TFD foram guindastes portuários móveis — MHCs (Mobile Harbour Cranes) e pórticos sobre pneus — RTGs (Rubber Tyred Gantry Cranes) da fabricante Konecranes. A representante forneceu 14 RTGs para a Portonave, em Navegantes (SC). “Essas unidades vendidas possuem uma tecnologia antibalanço elétrica (EAS) e a novidade é que estão equipadas com baterias, garantindo uma operação Eco friendly”, ressalta o coordenador de vendas da TFD, Guilherme Gomes.

Ele ressalta o aumento da movimentação portuária e a alta demanda em segmentos como de contêineres nos últimos anos. A TFD também registrou novas vendas em Manaus (AM). “Os últimos 12 meses foram promissores e nossas expectativas foram superadas em termos de novos pedidos”, afirma Gomes.

Além dos MHCs e RTGs, a linha portuária da Konecranes engloba os pórticos sobre trilhos para contêineres (RMGs). Na avaliação da TFD, os segmentos de carga com melhores perspectivas para expansão e novas demandas por equipamentos são, respectivamente, granéis sólidos, contêineres e carga geral/projeto. “Estamos participando de algumas concorrências que acreditamos que ocorrerão no curto e no médio prazo”, comenta Gomes.

A Rimac também faz um balanço positivo de 2025, ano em que completou 30 anos no mercado. “Visitamos clientes de norte a sul do Brasil e na América Latina. Os resultados chegaram dentro de nossas expectativas e auxiliaram nosso planejamento para um ano de 2026 também forte”, conta o gerente comercial da Rimac, Matusalem da Silva.

A empresa observa, nos últimos anos, aumento do mercado de portos dedicados ao manuseio de contêineres, com grande potencial ainda a ser desenvolvido no Brasil. “Certamente esse aumento no manuseio de contêineres tem trazido um impacto positivo em nossa atuação, com novas oportunidades para equipamentos, serviços, partes e peças”, afirma Silva.

A Rimac verifica que, em muitos casos, o parque instalado de equipamentos já passa de 20 anos. Segundo Silva, a necessidade de manutenção ou ainda de substituição por novos equipamentos e tecnologias foi um dos destaques da atuação da empresa em 2025. “Pretendemos ampliar essas oportunidades em 2026, inclusive no fornecimento de portêineres (STS – Ship to Shore) e RTGs.

A avaliação da Rimac é que o mercado de manuseio de contêineres deve puxar a fila com valores mais expressivos de investimento, seja em projetos greenfield, alavancados por leilões, seja por investidores em áreas privadas que devem consolidar seus projetos ao longo de 2026. Contudo, Silva acredita que o mercado de manuseio de granéis deve dar sua colaboração com a ampliação em alguns portos, além da reforma ou a possível substituição de equipamentos.

O gerente comercial da Rimac diz que há boas perspectivas de compras para este ano, algumas que vêm amadurecendo desde o final de 2025. “Fechamos o ano com algumas propostas relevantes em andamento e estamos trabalhando nelas. Temos outras oportunidades distribuídas ao longo do ano e estamos com boas expectativas para se concretizarem ainda em 2026”, revela Silva.

As expectativas da Kalmar se confirmaram, apesar do ano de 2025 ter sido considerado mais desafiador, com um mercado menos ativo que 2024 e maior presença de concorrentes. “Nossa extensiva presença própria somada à capilaridade da Tracbel, nosso distribuidor autorizado, nos deu uma vantagem importante nesse cenário”, relata o vice-presidente da Kalmar na América Latina, Marcelo Gonçalves.

Ele percebe que muitos portos investiram em modernização e outros em expansão, o que contribuiu para abertura de oportunidades importantes para a Kalmar no Brasil. Segundo Gonçalves, os últimos quatro anos foram muito ativos e com crescimento considerável em todos os segmentos nos quais a empresa atua. Na avaliação da fabricante, o crescimento de 6,5% do fluxo de contêineres nos últimos anos puxa todos os outros modais de transporte.

“Temos visto um crescimento importante das atividades de retroárea, que também criam oportunidades interessantes. Além disso, novos leilões e a entrada da iniciativa privada estão criando novos terminais e trazendo mais otimismo ao setor. Também o acordo Mercosul-União Europeia — uma vez confirmado — deverá ser uma boa notícia para nosso setor de cargas”, elenca Gonçalves.

O VP da Kalmar na América Latina diz que o ano de 2026 começou com projetos interessantes, em todas as regiões do país e que a empresa vem participando de várias licitações no momento. Ele estima que a maioria delas deveria se concretizar depois ainda no primeiro trimestre, o que servirá como um termômetro importante de como será esse ano para o setor.

A Gavea Terminals expandiu a frota de equipamentos com a aquisição de guindastes, empilhadeiras, pás mecânicas, funis, grabs, baias e spreaders, diversificando a capacidade de movimentação de carga com maior eficiência. “Essa estrutura é sustentada por uma gestão estratégica, com monitoramento sistêmico de todo o parque para controle rigoroso de desempenho e manutenção. O resultado é uma operação de alta disponibilidade e total confiabilidade para nossos clientes”, avalia o diretor da Gavea Terminals, Allan Narciso Arimatea.

A empresa oferece soluções integradas em engenharia e operações marítimas e portuárias, com expertise em carga geral, granéis sólidos, veículos (Ro-Ro) e cargas de projeto. “No último período, intensificamos nossos investimentos em tecnologia e equipamentos, sempre com foco em ampliar nossa capacidade de atendimento e garantir o mais alto nível de desempenho”, destaca Arimatea.

Com suas subsidiárias, o grupo atende segmentos industriais através da Gavea Logística e conta com a expertise em comércio exterior da Gavea Trade para o setor de petróleo e gás, além de soluções sustentáveis, como créditos de carbono e tratamento de líquidos e efluentes via Gavea Green. “O grupo monitora continuamente o mercado para identificar tendências e oportunidades de crescimento. Priorizamos a inovação e a proatividade na análise de novos nichos, garantindo estrutura e expertise técnica para responder com agilidade às demandas emergentes e novos desafios do setor”, afirma Arimatea.

Um dos principais desafios para os equipamentos de movimentação portuária hoje é conciliar alta produtividade com menor consumo energético e redução de emissões, sem comprometer a confiabilidade e a disponibilidade operacional dos ativos. “Em equipamentos como RTGs, por exemplo, a eletrificação tem avançado rapidamente, porém muitos terminais ainda enfrentam limitações relacionadas à infraestrutura elétrica e aos picos de demanda energética gerados durante os ciclos de içamento”, explica Gomes, da TFD.

Nesse contexto, a indústria tem buscado soluções inteligentes de gestão de energia. Gomes destaca a abordagem adotada pela Konecranes em seus RTGs de nova geração, que utilizam sistemas de baterias integradas ao equipamento. Nessas configurações, as baterias funcionam como a principal fonte de energia para os movimentos mais intensivos, enquanto a rede elétrica atua de forma complementar para recarga e estabilização do sistema.

Segundo Gomes, essa arquitetura traz duas vantagens importantes em relação aos modelos tradicionais que operam apenas com cable reel ou barramento: a eliminação dos picos de potência demandados da rede elétrica, que reduz a necessidade de reforços na infraestrutura do terminal, além de uma operação energeticamente mais eficiente, com melhor aproveitamento da energia regenerada durante os movimentos do equipamento.

“Como resultado, os terminais conseguem reduzir consumo energético, emissões e custos operacionais, mantendo elevados níveis de produtividade e confiabilidade — fatores que continuam sendo determinantes para a excelência operacional no ambiente portuário”, garante Gomes.

A Rimac atua em quatro diferentes áreas: portos; metalurgia; granéis e mineração. E logística que, em algum momento, cruza com uma operação portuária. No caso da operação portuária, a empresa fornece equipamentos para manuseio de contêineres e para operação (spreaders e over head frames).

Na área de granéis sólidos, os grabs para carga e descarga de granéis aumentaram a demanda à Rimac, reflexo da produção recorde de grãos. No setor de logística, a empresa destaca a atuação de estaleiros com equipamentos para manuseio de embarcações e também os jumbos autopropelidos para apoio ao mercado de petróleo e gás. No manuseio de carretéis de umbilicais, por exemplo, cada bobina pode chegar a 500 toneladas. “Para 2026, além da continuidade ao que temos desenvolvido, buscamos novas alternativas para nossos clientes e parceiros”, diz Silva.

Na visão da Rimac, a sociedade de forma geral vive um momento de transição, com cada vez mais tecnologia, mais controle, processamento e análise de dados, além de demanda por equipamentos com menos emissões de CO2. “Estamos em meio a uma transição onde ainda não há um limite para chegarmos, mas recente a introdução da IA (inteligência artificial) no meio operacional tem proporcionado a cada dia mais eficácia. Não estamos fora disso, nossa linha de equipamentos engloba as principais inovações no mercado com tecnologia de ponta”, analisa Silva.

Ele pondera que essas mudanças ocorrem dentro das necessidades de cada cliente que, em alguns casos, ainda têm o analógico com uma participação significativa. Segundo o gerente comercial, a Rimac tem buscando atender a todos dentro de suas necessidades e trazendo o que há de mais atualizado em otimização operacional. “Isso leva a uma demanda significativa de solicitações de retrofits e serviços. Em muitos casos a manutenção se mantém em um percentual elevado, mas a opção do cliente de absorver esse custo na operação acaba sendo a base da decisão e, por vezes, são postergados os investimentos em novos equipamentos.

O portfólio de produtos da Kalmar inclui reach stackers a diesel e elétricos, o Eco Reachstacker (Eco RSS), e equipamentos industriais com capacidades de até 150 toneladas. A fabricante também conta com máquinas para movimentação de contêineres vazios, de variadas alturas de empilhamento e capacidades, terminal tractors com diferentes níveis de tecnologia, além da linha de empilhadeiras, que vai de cinco a 85 toneladas, e dos straddle carriers, segmento que a empresa lidera na América Latina. Gonçalves explica que a maioria desses equipamentos pode ser oferecida nas versões diesel e elétrico.

O VP da Kalmar AL identifica um gap importante de mão de obra especializada nessa área, o que contribui para que a demanda por serviços seja significativa. A Tracbel, distribuidora da Kalmar no Brasil, conta com mais de 40 filiais em nível nacional e com técnicos treinados e assistidos pela equipe local de suporte ao produto da fabricante, com objetivo de dar essa capilaridade e estar próxima dos clientes com peças e serviços quando necessário.

Aliar consumo eficiente e redução de emissões à excelência operacional é um dos desafios técnicos e operacionais para os equipamentos de movimentação. Gonçalves, da Kalmar, acredita que esse equilíbrio de forças, que às vezes parece contraditório, é totalmente possível com as tecnologias atuais. Ele explica que a Eco RSS é uma máquina a diesel, mas com um conceito inovador para aproveitamento de potência, que a permite operar a níveis superiores de performance de máquinas convencionais, mas com redução de consumo de combustível que pode chegar a 30%.

No caso das máquinas elétricas, Gonçalves considera importante ter clareza sobre as necessidades da operação e usar a tecnologia certa no caso das baterias, com um sistema de gerenciamento de desempenho avançado. “A Kalmar investiu muito nisso, além de usar a telemetria a seu favor para corrigir pequenos desvios na operação que, no longo prazo, fazem muita diferença”, ressalta Gonçalves.

Ele acrescenta que todos os equipamentos da Kalmar são equipados com o sistema Insight, que dá vantagem nesse monitoramento. “Também é importante a infraestrutura de energia e grid local, condições ambientais em que se opera e deficiências técnicas de mão de obra. No final, trata-se de um ecossistema completo, e os equipamentos logicamente estão no centro, mas não são os únicos atores”, destaca Gonçalves. 

No começo de março, a APM Terminals recebeu uma série de equipamentos para seu novo terminal em Suape (PE), que a empresa promete ser o primeiro 100% eletrificado na América Latina. Os 28 equipamentos encomendados da empresa Sany, incluindo dois guindastes STS, responsáveis pelo carregamento e descarregamento dos navios. Um diferencial desses equipamentos é a lança de 70 metros de alcance operacional, que permite a operação de embarcações com mais de 366 metros de comprimento, classe New Panamax que, atualmente, são as maiores que navegam na costa brasileira.

Para movimentação de contêineres no pátio do terminal, foram adquiridos sete guindastes RTGs, considerados essenciais para garantir segurança e alta produtividade. Tanto os STSs quanto os RTGs serão operados por controle remoto, diretamente das salas de controle.

De acordo com a APM, essa tecnologia proporciona mais conforto e ergonomia aos operadores, além de ampliar a acessibilidade da função, permitindo que pessoas com mobilidade reduzida possam desempenhar o cargo. Diferentemente dos equipamentos tradicionais, que exigem acesso por escadas ou elevadores, o novo modelo elimina essas barreiras.

Um dos maiores projetos portuários privados do Brasil, o APM Terminals Suape receberá um total de investimentos da ordem de R$ 2,1 bilhões e terá capacidade inicial para movimentar até 400 mil TEUs por ano. A operadora informa que a implantação do terminal já está quase completa, com expectativa de iniciar operações no segundo semestre de 2026. “Este é um marco crucial para o projeto que agora entra na fase final de construção da infraestrutura principal do terminal”, diz o diretor-presidente da APM Terminals Suape e Pecém (CE), Daniel Rose.

Os equipamentos que chegaram ao terminal portuário representam um investimento de R$ 241 milhões e viabilizam o início das etapas técnicas que sustentarão a operação. A APM Terminals Suape destaca que os modelos totalmente eletrificados eliminam o uso de combustíveis fósseis, reforçando o compromisso global da empresa em atingir a meta de Net Zero até 2040. 

A tecnologia embarcada é de última geração, com sistemas que elevam os padrões de segurança e eficiência. Entre os recursos, estão dispositivos que aumentam a precisão dos movimentos e protegem tanto os equipamentos quanto as cargas contra colisões. 

Complementando o portfólio, o terminal contará ainda com duas reach stackers, uma empilhadeira para 16 toneladas, duas empilhadeiras para contêineres vazios e 14 terminal tractors.

O Porto Itapoá (SC) recebeu, em janeiro, mais um portêiner, o oitavo do terminal de uso privado (TUP), entrando para um grupo de três terminais no país que possuem oito ou mais portêineres. Em 2025, chegaram sete novos terminal tractors (TTs) elétricos, somados aos outros 20 TTs elétricos, compondo uma das maiores frotas de TTs elétricos dentre os terminais portuários do Brasil. Outras duas TTs chegarão em breve e, além de elétricas, serão totalmente autônomas.

Itapoá já tem em operação mais três reach stackers e uma empilhadeira de vazios, todos elétricos. O terminal também recebeu 12 novos RTGs controlados remotamente, que se juntam a outros 10 desse modelo. “Somos o primeiro terminal da América do Sul a operar esse tipo de equipamento, além de outros 27 convencionais”,  afirma o CEO do Porto Itapoá, Ricardo Arten. Os portêineres e RTGs são da empresa chinesa ZPMC.

Arten adianta que, ainda no primeiro semestre de 2026, o Porto Itapoá receberá seu terceiro scanner. “Vamos inaugurar, neste semestre, nosso novo gate, com mais oito entradas e tecnologia embarcada, que vai dobrar nossa capacidade de fluidez para caminhões. Além dos equipamentos, o terminal terá mais 120 mil metros quadrados de pátio ainda em 2026. Com isso, ampliaremos nossas áreas dos atuais 455 mil metros quadrados para 575 mil metros quadrados”, destaca o executivo.

A administração do Porto Itapoá já discute a quinta fase de expansão do terminal, que envolve a ampliação de pátio e píer. Arten explica que essa etapa, quando confirmada, demandará a aquisição de novos equipamentos para sustentar a operação nessas áreas ampliadas. Além da ampliação de pátio, estão nos planos mais ampliações de pátio e mais 400 metros lineares de cais.

“Desde o início de suas atividades, há 15 anos, o terminal investiu R$ 3 bilhões em infraestrutura, acreditando no potencial de crescimento do mercado nacional. Neste sentido, sustentamos nossa visão de ser o maior, mais eficiente e mais seguro terminal da América do Sul”, afirma o CEO do Porto Itapoá.

Arten lembra que a chegada do sétimo portêiner aconteceu em 2024 e que, assim que foram consolidados toda a equipe e equipamentos que suportam sua operação. No primeiro mês, o terminal registrou um incremento de produtividade no cais de 15%. Com o oitavo portêiner, a expectativa em Itapoá é de mais 10% a 15% de produtividade.

Do ponto de vista de eficiência energética, Arten destaca, além da frota de TTs elétricos, os RTGs remotamente controlados, que são híbridos e consomem três vezes menos combustível. Somente com esses equipamentos, o Porto Itapoá evitou o consumo de mais de 1,18 milhão de litros de combustível fóssil por ano, o que representa a mitigação de cerca de quatro mil toneladas de gases de efeito estufa (GEE).

Arten acrescenta que o foco na eficiência também alcançou os processos de manutenção. Com práticas de otimização e o uso de tecnologias embarcadas, o Porto Itapoá estendeu a vida útil de óleos lubrificantes e filtros, gerando uma economia de 15 mil litros de óleo e 500 filtros ao ano. O material é encaminhado para reciclagem especializada.

O CEO do Porto Itapoá identifica que os principais desafios para um terminal que cresce em ritmo acelerado estão em equilibrar ganhos ambientais com alta produtividade operacional. Segundo Arten, isso envolve a eletrificação progressiva da frota, a adoção de equipamentos híbridos e a incorporação de tecnologias de automação, como RTGs controlados remotamente, sem comprometer a fluidez das operações no cais e no pátio. 

Outro ponto importante, conforme o executivo, é a adaptação da infraestrutura e das equipes para operar esses novos equipamentos, garantindo treinamento técnico e integração dos sistemas. “O desafio não é apenas adquirir tecnologias mais eficientes, mas integrá-las de forma segura, confiável e com alto desempenho, mantendo o terminal competitivo e preparado para o crescimento da demanda por movimentação de contêineres”, salienta Arten.

Somente nos equipamentos na quarta fase de expansão, o Porto Itapoá investiu R$ 300 milhões — valor que não inclui obras de construção civil como pátio e gates. A compra dos equipamentos contou com o benefício do Reporto — Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária. 

Para Gonçalves, da Kalmar, esse regime aduaneiro especial brasileiro é um incentivo importante para permitir aos portos brasileiros continuarem seu processo de modernização, além de ser uma ferramenta chave para melhorar a competitividade. A TFD também considera o Reporto fundamental para motivar e viabilizar a expansão dos negócios.

Silva, da Rimac, acrescenta que, dentro de qualquer estudo de investimento no Brasil, os impostos sempre demandam uma ‘engenharia financeira’ para minimizar, na medida do possível, os possíveis custos acessórios oriundos de impostos. Ele destaca, que nesse sentido, todo benefício fiscal auxilia na análise e aprovação ou não de um projeto e que o Reporto se ajusta muito bem a esse estudo.

A JBS Terminais destaca que, desde que assumiu a gestão da área arrendada, em outubro de 2024, vivencia uma retomada acelerada e expressiva das operações do Porto de Itajaí, que estavam suspensas desde 2023. Para sustentar o aumento da movimentação e a alta demanda em segmentos como o de contêineres, a empresa já investiu aproximadamente R$ 220 milhões em modernização tecnológica e infraestrutura. Em 16 meses, a JBS Terminais superou a marca de 465 mil TEUs movimentados. Em 2025, o volume foi de quase 390 mil TEUs, alta de 11% em relação a 2022, período anterior à paralisação do terminal. O volume em janeiro de 2026 foi 34% superior ao registrado no mesmo mês do ano anterior.

A JBS Terminais investiu na aquisição de dois guindastes móveis (MHCs), modelo Konecranes Gottwald ESP.9, com capacidade para 125 toneladas e alcance de até 20 fileiras de contêineres. Além disso, a infraestrutura foi otimizada com a instalação de 1.705 tomadas para contêineres refrigerados, a reativação de oito gates reversíveis e a aquisição de 12 reach stackers, com capacidade de carga nominal de 45 toneladas.

“No cais, a entrada em operação dos novos guindastes permitiu um salto na produtividade e segurança do embarque e desembarque, sendo fundamental para garantir o giro rápido dos navios e a redução rigorosa do tempo de espera”, ressalta o presidente da JBS Terminais, Aristides Russi Junior. Ele acrescenta que, no pátio, as novas tomadas reefers ampliaram de forma significativa a capacidade de recebimento de contêineres refrigerados. E que a dinâmica dos oito gates reversíveis também contribui para dar mais agilidade e flexibilidade às operações do terminal.

“Além da infraestrutura já instalada, os planos de investimentos da JBS Terminais estão fortemente direcionados à tecnologia, com previsão de aportes em digitalização de processos, automação de pátio e na implementação de soluções de inteligência artificial voltadas para a otimização de rotas e a gestão inteligente de estoque”, diz Russi Junior.

A Rio Brasil Terminal percebe o crescimento expressivo da movimentação — com aumento de aproximadamente 100% no volume de contêineres entre 2022 e 2025, mas também a necessidade de preparação para atender navios de maior porte, que passaram a escalar com maior frequência a costa brasileira. A empresa, do grupo filipino ICTSI, observa uma tendência clara e consistente de crescimento do porte das embarcações que operam na costa leste da América do Sul.

As principais linhas de navegação já operam regularmente com New Panamax e Post-Panamax, com até 366 metros de comprimento e capacidade superior a 13 mil TEUs. “Esse movimento exige que os terminais invistam continuamente em infraestrutura compatível, incluindo calado adequado, maior extensão de cais e equipamentos de operação com maior capacidade e eficiência”, avalia a Rio Brasil Terminal.

Na fase 1 do plano diretor ICTSI Rio (2025/2026), foram adquiridos ou estão em processo de aquisição cinco reach stackers 6HC, duas empty reach stackers, 14 terminal tractors, dois empty container handlers, entre outros equipamentos e sistemas, como empilhadeiras,  scanners, balanças e carretas. A empresa também menciona investimentos em câmeras, sistemas e equipamentos de tecnologia da informação (TI), implantação de novo sistema de OCR para o gate automático. A política do grupo ICTSI não permite divulgar o nome de seus fornecedores estratégicos.

O plano diretor do terminal prevê novas aquisições e modernizações nas próximas fases de expansão. Entre os principais equipamentos estão dois guindastes STS,  dois straddle carriers, quatro RTGs e dois pórticos ferroviários, incluindo obras civis associadas. Além do retrofit e eletrificação de 4 RTGs da ZPMC e de investimentos adicionais em câmeras, redes de TI e infraestrutura de fibra óptica. A empresa utiliza o benefício fiscal do Reporto para os equipamentos importados sem similares nacionais.

O volume total de investimentos em equipamentos para a Rio Brasil Terminal é da ordem de R$ 535 milhões. A empresa destaca que os equipamentos mais modernos movidos a diesel apresentam ganhos de eficiência energética da ordem de 20% em consumo de combustível (litros por hora), quando comparados a equipamentos de gerações anteriores. “O terminal está implementando um programa de eletrificação, incluindo o retrofit e a conversão de quatro RTGs originalmente movidos a diesel para operação elétrica”, afirma a empresa.

Para a ICTSI, um dos principais desafios tem sido o treinamento e a capacitação da mão de obra para operar equipamentos cada vez mais modernos, automatizados e tecnologicamente sofisticados. Na avaliação da empresa, a transição para equipamentos mais eficientes e com menor impacto ambiental exige programas contínuos de qualificação operacional, adaptação de processos e atualização das rotinas de manutenção, de forma a garantir que os ganhos de eficiência energética e redução de emissões sejam plenamente capturados sem comprometer a produtividade das operações.

O diretor de operações de terminais da Santos Brasil, Marcelo Patrício, chama atenção que a movimentação de contêineres praticamente dobrou no Brasil desde 2010: 7,2 milhões de TEUS para 15,3 milhões de TEUs, em 2026. “O crescimento dos navios também ocorreu de forma acelerada, o que obriga os terminais a se modernizarem em termos de equipamentos e também infraestrutura. Junta-se a isso a questão de sofisticação das operações, com equipamentos elétricos e de operação remota”, lista Patrício.

Os investimentos da Santos Brasil em equipamentos e obras de infraestrutura do Tecon Santos fazem parte do pacote de R$ 3 bilhões voltado ao projeto de ampliação e modernização da unidade, iniciado em 2019, dos quais R$ 2 bilhões, aproximadamente, já foram empregados. Dois portêineres e oito RTGs que chegaram no começo do ano representam R$ 300 milhões desse total. A Santos Brasil considera o Reporto como um importante instrumento na aquisição e modernização dos parques de equipamentos. 

A Santos Brasil iniciou o ciclo de investimentos para ampliar a capacidade operacional do Tecon para 3 milhões de TEUs após projetar que, a partir de 2021, o Porto de Santos apresentaria maior crescimento. Essa capacidade, inicialmente prevista para 2031, será entregue ao porto até o final de 2026. O terminal hoje já oferta 2,7 milhões de TEUs de capacidade/ano, sendo que, em 2019, a capacidade era de 1,8 milhão de TEUs/ano.

Os cerca de R$ 2 bilhões já executados foram aplicados em obras de ampliação e aprofundamento do cais, remodelação de pátio, ampliação e modernização de equipamentos e caminhões, implementação de novos sistemas, maior utilização de inteligência artificial, entre outras melhorias.

No final de 2023, o Tecon Santos recebeu as primeiras oito unidades de RTGs elétricos, um investimento, na época, de R$ 130 milhões nas máquinas e de R$ 12 milhões em obras no pátio. São equipamentos com operação remota, tecnologia implantada pela Santos Brasil no final de 2024. Os profissionais deixam de operar do alto do equipamento, que tem 30 metros de altura, para trabalhar em um centro operacional, no prédio administrativo, ao lado de outros colegas, em um ambiente com mais sociabilidade.

Eles possuem 23 câmeras, laser scanners e sensores para fazer a movimentação, tudo controlado por joysticks em uma mesa com três telas grandes e a possibilidade de trabalhar em pé. Além disso, esses equipamentos já são operados com algum nível de automação, sempre de maneira assistida pelo profissional, com mais precisão e segurança.

Outros oito equipamentos desse modelo foram adquiridos e chegaram ao terminal em janeiro deste ano. A operação padrão deve começar neste mês. A movimentação remota, no entanto, só terá início meses depois, já que depende de testes de sensores, configuração das mesas bem como de treinamento de funcionários, o que pode levar até um ano.

Dentro do projeto de ampliação e modernização do terminal, a Santos Brasil também adquiriu seis portêineres nos últimos anos: dois recebidos em 2020 e, juntamente com os RTGs, dois em 2023 e outros dois em 2026. Esses portêineres contam com a tecnologia TPS (Truck Position System), sistema de posicionamento de carretas que define de forma precisa o local de parada dos veículos para as movimentações de embarque e descarga. Contam também com OCR (Optical Character Recognition), e os dois mais recentes portêineres, recebidos em janeiro, poderão ser operados remotamente, assim como já acontece com os RTGs.

Em 2024 e 2025, foram compradas oito novas reach stackers para o Tecon Santos. Duas empilhadeiras de contêineres vazios foram compradas em 2022. Os portêineres e os RTGs são da chinesa ZPMC. As empilhadeiras da Kalmar e os novos caminhões movidos a GNC (gás natural comprimido), da Scania.

A companhia adquiriu, no ano passado, 35 caminhões movidos a GNC para operar no Tecon Santos, um combustível menos poluente do que o diesel. E estuda a utilização de biometano, considerado mais sustentável. A companhia prevê a aquisição de outros 30 RTGs elétricos nos próximos anos, substituindo gradualmente os modelos a diesel existentes no terminal. A estimativa é que cada equipamento convencional trocado por um elétrico evita a emissão de cerca de 20 toneladas de CO2 por mês. Também está prevista a compra de caminhões para o terminal.

A Santos Brasil entende que a mudança gradual e progressiva da matriz energética dos equipamentos do diesel para a eletricidade, assim como a utilização de combustíveis renováveis, tem garantido uma operação cada vez mais sustentável e segura. “Nossos investimentos em equipamentos e em pessoas aumenta nossa eficiência operacional, que é comparável à dos terminais de contêineres mais produtivos da Europa. Nossos funcionários passam por treinamentos rigorosos antes de iniciar a operação de novos equipamentos e participam de atualizações constantes, com foco na melhoria contínua”, destaca Patrício. 

Fonte: Portos e Navios.