Os operadores de terminais portuários experimentam intensa concorrência em termos de custos devido à diminuição do ritmo de expansão dos volumes de carga operados em mercados chave. A afirmação é do CEO da APM Terminals, Kim Fejfer.
O setor entrou em uma fase de “nova normalidade” depois da crise financeira global, com o volume de cargas contêinerizadas aumentando bem mais lentamente que no momento que se seguiu ao pico da crise, no qual as taxas de expansão eram de dois dígitos, afirma o CEO da quarta maior empresa do setor no mundo. Segundo Fejfer, o crescimento anual deve cair dos 10% e 15% vividos anteriormente para uma média entre 5% a 7%.
Fejfer acredita que os mercados mais tradicionais devem experimentar crescimento anual não superior a 2%, enquanto que os emergentes devem chegar a 7%. A desaceleração nos volumes de carga criou excesso de capacidade na maioria dos portos ao redor de portos em países desenvolvidos, como, por exemplo, Nova York/New Jersey, Los Angeles e Long Beach e Antuérpia.
Com excesso de capacidade, somos pressionados pelos clientes e o que vemos é o aumento da concorrência, disse Fejfer a jornalistas.
Fejfer informou que os terminais da APM Terminals no norte da Europa estão parcialmente protegidos da concorrência já que na região há uma enorme demanda por terminais de águas profundas com capacidade para operar navios de 10.000 TEU.
Existem 40 embarcações de mais de 10.000 TEU em operação e mais 150 unidades serão entregues nos próximos dois anos, o que deve “mudar definitivamente o perfil dos trades Ásia-Europa”.
As instalações da APM Terminals são portos de águas profundas, como Roterdí, Bremerhaven, Le Havre e Zeebrugge.
A companhia está comprometida com dois investimentos de grande porte no porto de Roterdí (Maasvlakte 2) e no terminal para contêineres Jade Weser no porto alemão de Wilhelmshaven.
Por outro lado, Antuérpia e Hamburg, que são portos inland e que implicam em maior tempo de navegação, não são considerados ideais para os navios de grande porte que devem dominar o trade entre Ásia e Europa.
O rápido crescimento nos mercados da Ásia, África, Américas Central e do Sul e Leste da Europa causa gargalos em portos de grande relevância estratégica, como Santos, Mumbai, Saint Petersburg e terminais no Vietní.
Fejfer revelou que a APM Terminals está interessada em investir na Rússia, especialmente e, Saint Petersburg, que vem se recuperando da crise mais rapidamente que outros portos no mundo.