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Clippings - 01/06/16

Terminais privados movimentam o dobro da carga dos públicos

Desde que entrou em vigor a nova Lei dos Portos, governo já aprovou 51 projetos de portos particulares

No ano passado, os terminais de uso privado (TUPs) movimentaram quase o dobro do total das cargas que passaram pelos portos organizados (explorados ou concedidos pela União). Pelos primeiros, foram movimentadas 656,4 milhões de toneladas contra 351,1 milhões dos portos públicos. A informação faz parte do Anuário CNT do Transporte 2016, divulgado ontem pela Confederação Nacional do Transporte. Desde que a nova Lei dos Portos, aprovada em 2013, deixou clara a possibilidade de os TUPs movimentarem carga de terceiros, já foi aprovada no País a construção de 51 terminais. E 10 estão esperando a autorização. João Carlos Ribeiro, do grupo JCR, espera as “últimas licenças” para instalar um TUP para contêineres, em Pontal do Paraná, mais especificamente na Ponta do Poço, no litoral. Ele busca investidores que o apoiem o projeto estimado em R$ 1,5 bilhão. “A tendência é que os portos privados cresçam muito no País. Os públicos estão abarrotados e os governos não têm mais dinheiro para investir”, afirma.

O superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa), Luiz Henrique Dividino, conta que no Paraná há somente um TUP, o da empresa Cattalini, que opera líquidos. Diferentemente de outros Estados, a grande maioria das cargas passa pelo porto público. Por isso, há muito espaço para investimentos privados nesta área. “Se você pegar Santa Catarina, por exemplo, os terminais privados movimentam mais que os públicos. Aqui, não”, ressalta. Na opinião de Dividino, os TUPs são muito bem-vindos. “É importante para nós que haja concorrência e para nossos clientes, que terão outras opções”, alega. Para o coordenador de Estatística e Pesquisa da CNT, Jefferson Cristiano, é provável que as cargas movimentadas pelos terminais privados cresçam nos próximos anos. “A produção de graneis no Brasil vem sendo recorde. E serão necessárias novas unidades de escoamento”, justifica. Ele ressalta que o País precisa diversificar a matriz de transporte. Hoje, 60% das cargas são levadas por caminhões. “O modal rodoviário é caro. A tendência é que haja investimentos nos outros. Nos últimos anos, há um aumento de carga nas ferrovias e pelos rios”, declara.

QUANTIDADE

O anuário da CNT mostra que a quantidade de cargas transportadas por trem no Brasil cresceu 39,2%, entre 2006 e 2015 – de 238,3 bilhões de toneladas por quilômetro útil para 331,7 bilhões de toneladas por quilômetro útil. Mas, o Paraná não se beneficiou desse fato. Pelo contrário. O total de cargas movimentadas pela ALL – Malha Sul caiu 24%, de 18,4 mil toneladas por quilômetro útil para 14 mil toneladas por quilômetro útil.

O documento ainda mostra que, de 2001 a 2015, a malha rodoviária brasileira pavimentada cresceu 23%, de 170,9 mil para 210,6 mil quilômetros. Já a frota aumentou 184%, de 31,9 mil para 90,6 mil veículos no perãodo. “A malha asfaltada não cresce no ritmo necessário”, aponta. O aumento maior na frota foi de motocicletas: 402%. O número de automóveis cresceu 134,6%, o de ônibus, 115%, e o de caminhões, 81,7%.