Se o atraso na colheita de soja fez com que o resultado geral da Companhia Docas do Pará no primeiro quadrimestre de 2021 fosse um pouco inferior ao mesmo período do ano passado, o Terminal de Outeiro — uma das seis instalações da CDP — navegou na direção oposta. De janeiro a abril, Outeiro movimentou 273.828 toneladas, contra 166.439 (2020) e 210.049 (2019). A alta foi puxada pelo trigo, com 138.494 toneladas operadas no período. Mas outros produtos também contribuíram com o resultado.
‘’Outeiro é um terminal que promete bastante”, diz o gerente de planejamento de mercado da CDP, Ricardo Medina.
Apesar da pequena queda, os seis portos, juntos, mostram uma tendência de alta na comparação dos primeiros quadrimestres. Em 2017, eles movimentaram 8.511.542 toneladas. Em 2018 8.714.490 toneladas. Em 2019, 9.222.5774 toneladas. Em 2020, foram 11.799.761 e, agora, 11.772.464. A soja foi a carga mais transportada, com 4,7 milhões de toneladas no ano passado e 4,4 milhões de toneladas este ano.
“A decisão de atrasar a colheita da soja tem influência direta nesse número e impactou todos os portos do Arco Norte”, afirma Medina.
Em contrapartida, no balanço da CDP, houve aumento na movimentação de alumina, de fertilizantes, de óleo combustível e de carvão mineral. O resultado quadrimestral foi ainda afetado pela quebra de um equipamento, que prejudicou o descarregamento de bauxita.
“A partir de abril, já vemos uma recuperação”, observa o gerente da CDP.
Os números de Outeiro, porém, passaram ao largo desses problemas. O terminal, que, em 2017, quase foi desativado, voltou a ser ocupado e, hoje, conta com 24 empresas. O potencial para a operação de uma gama de novos produtos já levou a CDP a se reunir com a Câmara Temática de Logística do Ministério da Agricultura, com a Federação de Agricultura do Pará, com a Associação dos Exportadores do Brasil e com a Associação Comercial do Pará com o objetivo de traçar estratégias de uso da instalação.
“O agronegócio é uma vocação natural, mas isso não impede que outros negócios passem por Outeiro”, explica Medina. “Estamos finalizando alguns projetos que devem se efetivar no segundo semestre”.
Outeiro é uma extensão do porto organizado de Belém, no estuário do Rio Guajará-Açú. A construção do terminal teve início na década de 1980, pela empresa Amazônia Química e Mineral S/A (Sotave), e, depois de pronto, ele seria destinado à importação e exportação de granéis sólidos para atender à movimentação de fertilizantes da companhia. O projeto não deu certo e, em 1988, foi desapropriado pela extinta Portobrás.
As obras só seriam retomadas em 2002, já pela Companhia Docas do Pará. Outeiro foi inaugurado em julho de 2004, mas demorou a engrenar. Hoje, conta com uma área total de 313.826,24 m². Possui dois atracadouros — uma para navios e outro para barcaças — equipados para operações com carga geral e granel sólido. A instalação tem ainda sete galpões.
Fonte: Revista Portos e Navios