Uma nova rodada de negociações entre os dois principais acionistas da Usiminas, na busca de um entendimento, está marcada para hoje. O sucesso, ou fracasso, deve marcar o tom da reunião do conselho de administração da Usiminas, agendada desde o início do ano no calendário da companhia para amanhí.
Segundo apurou o Valor, representantes do grupo Ternium – Techint e da Nippon Steel & Sumitomo já se reuniram há alguns dias para uma conversa. Todavia, não conseguiram chegar a um acordo que coloque um fim no conflito societário aberto pelos dois grupos controladores da siderúrgica.
O nó da discórdia foi o afastamento de três executivos da empresa, inclusive o presidente, todos indicados pela Ternium. A Nippon Steel pediu o afastamento, aprovado em reunião do conselho de 25/09, sob o argumento de recebimento ilegais de remunerações e bônus não aprovados pelo conselho de administração.
Se mantido o impasse, considerado o mais provável, a reunião de amanhí poderá se tornar em uma oportunidade para a Ternium pedir mudanças na composição do conselho, explicou uma fonte conhecedora de direito societário. Inclusive o afastamento do presidente do conselho, Paulo Penido Marques, a quem questiona a atuação, com voto de minerva, na destituição dos executivos.
A Ternium, agora tem 38% do capital da Usiminas, após comprar as ações da Previ, busca nas negociações com a Nippon Steel – e em ações na Justiça – a recondução de Julián Eguren, Paolo Bassetti e Marcelo Chara aos seus cargos na siderúrgica (presidente e vice-presidentes, respectivamente). A Nippon tem alegado que perdeu toda a confiança nos três executivos.
Depois de duas semanas, os embates entre os dois acionistas podem se acirrar outra vez. Caso um possível acordo entre eles não saia, restariam dois caminhos: tomada hostil de controle da siderúrgica com compra de ações no mercado ou divórcio, com partilha de bens.
Procuradas, Ternium e Nippon Steel não responderam.