A Transportadora de Gás Brasil Central corre para conseguir as autorizações necessárias para a construção do Gasoduto Brasil Central e iniciar as obras entre 2021 e 2022. O objetivo é colocar o gasoduto de 905 km em operação em 2025.
Para conseguir cumprir esse cronograma, a empresa precisaria fazer uma Chamada Pública de Alocação de Capacidade entre 2020 e 2021. Para realizar a nova chamada, a TGBC pediu revisão de ato de declaração de utilidade pública à ANP em outubro.
Na prática, a transportadora enfrenta uma verdadeira maratona regulatória. “Primeiro, temos de conseguir uma nova licença de instalação junto à ANP”, explicou André Macedo, diretor da TGBC, em entrevista à Brasil Energia. Com essa licença, a empresa terá de fazer a Chamada Pública, para ser validada pela agência reguladora, antes que a licença de construção finalmente seja emitida. Paralelamente, a TGBC corre atrás do licenciamento ambiental junto ao Ibama para dar continuidade ao projeto.
Mercado potencial
Se conseguir cumprir o cronograma, o Gasoduto Brasil Central pode entrar em operação a tempo de aproveitar o aumento da curva de produção de gás natural no país. “Temos condições de receber o gás por meio de conexão com o Gasbol, mas podemos reverter o fluxo para captar o gás proveniente do Pré-Sal”, diz Macedo.
O novo gasoduto vai ligar São Carlos (SP) à Brasília. Segundo Macedo, a ideia é realizar a obra em três frentes simultâneas, para que os 905 km de dutos entrem em operação ao mesmo tempo. “Queremos levar o gás para a região central do país, para áreas que não têm acesso ao produto”, disse. A TGBC vê potencial nos mercados de consumo industrial e térmico ao longo do trajeto, que passa por regiões economicamente importantes, como o Triângulo Mineiro.
Novos sócios
A TGBC é controlada pela CS Energia e negocia a entrada de novos investidores no projeto. A transportadora trabalha com uma previsão de investimento de R$ 4,5 bilhões para a construção do gasoduto. O valor fica bem abaixo da projeção realizada pela EPE, de um Capex de R$ 7,1 bilhões para o projeto, segundo o Plano Indicativo de Gasodutos de Transporte, divulgado este ano.
“Nós mantemos nossa projeção”, destacou Macedo. “Mas estamos conversando com a EPE e revisando o projeto para saber os motivos dessa diferença”, destacou.
O diretor da TGBC explica que a projeção de R$ 4,5 bilhões foi feita quando a empresa tentou viabilizar o gasoduto pela primeira vez, em 2014. Na época, o projeto ficou apenas no papel, por causa das condições da economia.
Apenas a Gas Brasiliano manifestou interesse na primeira chamada pública do projeto, o que foi insuficiente para viabilizá-lo. “Não houve demanda suficiente para levar o gasoduto adiante. Depois o Brasil entrou em crise e o consumo se retraiu”, lembrou Macedo. “Com o Novo Mercado de Gás e a perspectiva de aumento de produção, retomamos o projeto”.
Fonte: Revista Brasil Energia