O Porto de Santos precisa de mais rebocadores azimutais, de alta potência, para otimizar as manobras de navios, segundo a Praticagem. Por outro lado, as empresas especializadas no fornecimento deste serviço no complexo defendem a qualidade das suas embarcações e querem o cumprimento de normas de navegação. Para a otimização das operações que se pretende, principalmente com a dragagem de aprofundamento, os rebocadores têm que ser melhores, ressalta o diretor-executivo da Praticagem, Paulo Barbosa. Para ele, em razão da simultaneidade de manobras e do aumento das embarcações que trafegam no Porto são necessários equipamentos de maior potência. Os azimutais são desejados porque conseguem girar 360 graus sobre o próprio eixo. Já os rebocadores convencionais precisam de mais tempo e têm de ir mais vezes para frente e para trás, como em um manobra de carro. No Porto de Santos, quatro empresas prestam serviço de rebocagem de navios ¬ Sulnorte, Tug Brasil, Saveiros (do grupo Wilson, Sons) e Smit (norteamericana). No total, elas possuem 12 azimutais e sete convencionais. Hoje, esse número faz a operação, mas não é o ideal. Teríamos de usar mais rebocadores por navio.
EMPRESAS
As operadoras de rebocagem entendem que as embarcações de apoio são suficientes e de boa qualidade. O que existe é o mau emprego dos rebocadores no Porto de Santos. A Praticagem podia usar um, mas está pedindo dois. E mais, por que não trabalhar com convencionais? Tem que trabalhar, sim. Se eles estão classificados e são outorgados pela Marinha, é porque pode. Está tudo na Normam 12 (da Marinha), diz o gerente da Sulnorte, Marcus Santana, que tradicionalmente assume o posicionamento do setor. Um trunfo de defesa das empresas de rebocagem é a taxa de ocupação dos equipamentos. A dos convencionais é de apenas 10%, enquanto a os azimutais, 40%. O rebocador que mais trabalha por dia é usado em só 10 horas. Há caso de rebocador que só opera duas vezes por mês, porque o prático não quer.
Temos condições de apoiar nove navios simultaneamente. E, enquanto tem esse volume de serviço, não é interessante colocar mais rebocadores, porque o investimento é muito alto e o retorno só ocorre de 10 a 15 anos. Temos certeza de que a substituição e o aumento dos rebocadores vai acontecer naturalmente, afirma Santana. Um azimutal novo custa em torno de US$ 5 milhões. Além do preço, não há disponíveis para pronta-entrega, somado ao fato de que cada estaleiro nacional só consegue construir três rebocadores por vez.