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Clippings - 29/05/20

TKMS mira novos projetos na América do Sul para estaleiro Oceana

O anúncio da aquisição do estaleiro Oceana (SC) pela thyssenkrupp Marine Systems (TKMS) abriu a expectativa de novos projetos para construção naval, além do contrato firmado para construção das quatro fragatas classe Tamandaré encomendas pela Marinha à sociedade de propósito específico (SPE) Águas Azuis que, além da TKMS, tem a Embraer Defesa & Segurança e Atech. O CEO da thyssenkrupp Marine Systems, Rolf Wirtz, disse que, além das fragatas, a TKMS tem no radar para o estaleiro alguns projetos em vista na América do Sul, que serão comunicados em momento oportuno.

A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos tem perspectivas de novos projetos de construção no estaleiro, além das fragatas. O presidente da câmara setorial de equipamentos navais, offshore e onshore (CSENO/Abimaq), Diego Reis, disse que o projeto das fragatas será uma oportunidade de fortalecimento da relação com a indústria nacional com credenciamento para futuros projetos na área naval. Representantes da CSENO estão em contato permanente com a SPE Águas Azuis e o estaleiro a fim de identificar oportunidades. “Estamos buscando o estabelecimento de uma agenda com o consórcio com fim de auxiliá-los na identificação de fabricantes brasileiros e especificação técnica dos equipamentos para o projeto das fragatas”, contou Reis. Ele lembrou que a relação com o estaleiro com as associadas é de longa data.

O Oceana, onde serão realizadas as obras de construção dos navios classe Tamandaré, tem mais de 20 anos de experiência e é um dos mais modernos estaleiros do Brasil. Localizado em Itajaí (SC), em uma área de 310 mil metros quadrados, o estaleiro tem capacidade de construir até seis navios por ano e aplica processos de produção com alto nível de automação e tecnologia de ponta. Nos últimos anos, o Oceana entregou embarcações de apoio marítimo, como PSVs (transporte de suprimentos) e AHTS (manuseio de âncoras). 

A TKMS salientou que pretende manter o compromisso com índices de conteúdo local pré-estabelecidos pela Marinha. “A construção dos navios classe Tamandaré será realizada 100% no Brasil com expectativa de taxas de conteúdo local acima de 30%, para o primeiro navio, e de 40% para os demais, conforme contrato assinado com a Marinha do Brasil”, garantiu Wirtz. O Programa Classe Tamandaré (PCT) tem potencial de gerar empregos diretos e indiretos de alta qualificação. Nos próximos dois anos, somente no Oceana, serão recrutados 800 trabalhadores locais para o projeto das fragatas Classe Tamandaré.

Após a assinatura dos contratos para construção, em março, começou a etapa de detalhamento do projeto de engenharia dos quatro navios em carteira. A construção da primeira das quatro fragatas da classe Tamandaré está prevista para 2021. De acordo com a força naval, as entregas devem ocorrer entre 2025 e 2028.

O PCT será executado pela Águas Azuis, sociedade de propósito específico estabelecida entre a thyssenkrupp Marine Systems, a Embraer Defesa & Segurança e a Atech, subsidiária da Embraer. Nesse contexto, está previsto que a Atech, em cooperação com a Atlas Elektronik, subsidiária da thyssenkrupp Marine Systems, seja receptora de uma robusta transferência de tecnologia em engenharia naval para fabricação dos navios militares e sistemas de gerenciamento de combate e de plataforma.

A Marinha afirma que o conteúdo local desse projeto está garantido, com construção em estaleiro nacional e geração de empregos. “Não há risco de diminuição no conteúdo local nas fragatas classe Tamandaré, uma vez que os índices estão estabelecidos em contrato. O BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] é parceiro da Marinha na garantia do atingimento e tais valores previstos nos navios”, informou a força naval. A Marinha pré-estabeleceu índices de conteúdo local para as quatro fragatas previstas: 30% para o primeiro navio e 40% para os demais.

A Marinha frisou que o programa prevê a transferência de tecnologia e a capacitação de empresas e da força naval brasileira. Segundo a força naval, trata-se de tecnologia dominada por poucos países e cuja incorporação ao espectro tecnológico nacional representa importante passo, garantindo independência na manutenção adaptativa e evolutiva dos atuais e futuros meios navais e com importantes reflexos em aplicações na indústria nacional.

Do ponto de vista da construção dos navios, a força naval destacou a incorporação das modernas técnicas de planejamento e conceitos de construção naval, aplicadas no projeto da consagrada classe Meko de navios de guerra, de propriedade da TKMS, e sua absorção e incorporação por um estaleiro em território nacional, com emprego de mão de obra nacional e reflexos na manutenção da indústria marítima nacional, representam uma forte contribuição de inovação e manutenção da tecnologia de construção naval no país.

A construção das fragatas prevê a contratação de dois mil empregos diretos do estaleiro Oceana. De acordo com a Marinha, esses trabalhadores receberão capacitação em projeto e construção de navios de guerra de elevada complexidade tecnológica. Outros seis mil empregos indiretos serão criados durante a execução do programa, no parque industrial em Itajaí (SC) e em empresas ligadas à SPE.

A Abimaq considera que a indústria nacional tem muita experiência e referência de fornecimento de equipamentos para projetos da área naval. A avaliação, segundo Reis, é que a base industrial nacional tem plena capacidade de fornecer para o projeto. “Considerando que o conteúdo local é uma cláusula contratual entre o consórcio e a Marinha, não vemos o risco de diminuição no conteúdo local”, comentou o presidente da CSENO/Abimaq.

A operação de aquisição do Oceana está sujeita à aprovação de autoridades antitruste e à entrada em vigor oficial do contrato das fragatas, previsto para meados de 2020. A aquisição será, então, executada por meio da subsidiária brasileira Thyssenkrupp Marine Systems do Brasil. Por acordo, o valor da transação não foi divulgado.

Fonte: Revista Portos e Navios