Geopark, JP Oil, Ouro Preto, Parnaíba Gás Natural, Santana, em consórcio com PetroRecôncavo, Tarmar e Tek estão entre as empresas que apresentaram propostas pelos campos terrestres do projeto Topázio, da Petrobras. A apresentação das ofertas ocorreu na segunda-feira (5/12), em meio à batalha judicial aberta pela advogada Raquel de Oliveira Sousa, ligada à Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que conseguiu liminar suspendendo a continuidade do negócio.
As empresas disputam a concorrência estão apostando suas fichas nas bacias do Recôncavo e Potiguar. A Bacia de Sergipe também gerou interesse, ao contrário do Espírito Santo, visto como pouco atrativo.
O Projeto Topázio faz parte do programa de desinvestimento da Petrobras e é composto por 104 ativos, 95 são campos em terra e três em águas rasas, além de seis blocos exploratórios onshore.
A venda é feita pelo Banco Itaú BBA, e, apesar de as propostas serem firmes, existe a possibilidade de haver desistência, uma vez que as empresas não puderam fazer visitações às locações e a Petrobras não apresentou todos os contratos ou abriu sua planilha de custos.
A Petrobras já recorreu da decisão da Justiça Federal de Sergipe que suspendeu a venda das áreas. No pacote de Baúna e Tartaruga Verde, também suspenso por medida judicial, a petroleira recorreu da decisão, ainda em julgamento, e optou por paralisar todo o processo, não permitindo nem mesmo que o consórcio Karoon/ Woodside acesse dados técnicos do projeto.
Desde a entrega das ofertas, o único posicionamento formal aos participantes foi a confirmação do recebimento das propostas pelo Itaú. Em condições normais, as empresas com melhores preços começariam a ser convocadas para negociar em janeiro, quando seriam feitas também as primeiras visitas às locações.
A tendência é de que a Petrobras dê preferência às empresas interessadas em adquirir o maior número de campos, ainda que não haja nada previsto formalmente na modelagem de venda. A aposta é de que a petroleira siga a mesma estratégia traçada no desinvestimento de Baúna e Tartaruga Verde, buscando a venda do pacote completo.
O número de empresas interessadas originalmente no pacote foi bem maior, mas muitas petroleiras acabaram desclassificadas pela Petrobras. Na primeira fase, de entrega de propostas não vinculantes, foram desclassificadas pelo menos seis companhias: PetroRio, Imetame, PetroRecôncavo, Alvopetro, Vipetro e Global Energia.
Os critérios utilizados no processo de qualificação não foram detalhados aos participantes. Ao que tudo indica, a experiência e a capacidade financeira para realização da operação de abandono dos ativos tiveram grande peso na decisão da desclassificação de parte das empresas.
Projeto Ártico
Tanto no caso do Topázio, quanto do Ártico – pacote de águas rasas que contempla nove campos organizados em dois polos nas bacias do Ceará e de Sergipe – a formalização do negócio acabará postergada para 2017. A Petrobras previa originalmnte que os recursos da venda dos dois pacotes pudessem ser incorporados ao caixa da companhia ainda em 2016. No entanto, diante dos atrasos e das incertezas impostas pelas liminares judiciais, os negócios dificilmente serão finalizados antes do segundo trimestre.
No caso do Ártico, que é conduzido pelo Bank of America, o cronograma está em estágio bem menos avançado, embora a modelagem de venda preveja apenas a apresentação de propostas firmes, dispensando a etapa de ofertas não vinculantes. Até a primeira semana de dezembro, a Petrobras e o banco não haviam marcado a data de entrega das propostas, mas já sinalizavam a intenção de que isso fosse agendado para meados de janeiro.
O projeto Ártico é visto como certa reserva pelo mercado e tende a gerar pouca disputa. A avaliação é de que o custo de abandono é maior do que os ganhos de produção e que que as dificuldades de licenciamento ambiental em águas rasas podem inviabilizar a realização de novos investimentos nos ativos colocados à venda.
Em Sergipe, estão sendo ofertados os campos Caioba, Camorim, Dourado, Guaricema e Tatuí. No Ceará, o pacote inclui os campos de Atum, Curimí, Espada e Xaréu. Cada polo de produção conta com nove plataformas fixas, localizadas em lâmina d’água variando de 12 m a 50 m.