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Clippings - 29/06/20

Total prevê produção de 150 mil bopd no Brasil

Francesa é personagem da terceira reportagem da série sobre a atuação de petroleiras no Brasil

Há 40 anos no Brasil, a Total é operadora de dez ativos de E&P no país, com participação em mais 14. Entre os projetos, a francesa tem parcela de 22,5% no cluster de Iara, na Bacia de Santos, cuja capacidade de produção espera dobrar com a entrada em operação do FPSO P-70, no campo de Atapu, na quinta-feira (25/6).

“A produção do grupo no país deve chegar a 150 mil bopd até 2025 graças aos desenvolvimentos em andamento nos projetos de Iara, Mero e Lapa”, declarou, em nota na sexta-feira (26/6), o presidente de E&P da Total, Arnaud Breuillac. A Total produziu 28,6 mil bopd como operadora e 25,3 mil bopd como concessionária em maio, segundo dados da ANP.

A Total tem direito a 3,8% da jazida compartilhada de Atapu, que envolve os campos de Oeste de Atapu, Atapu e uma parcela de área não contratada da União. A jazida foi objeto de um acordo de equalização fechado no início de maio.

Parte da aliança estratégica firmada com a Petrobras, em 2016 – que previa a avaliação conjunta de oportunidades no Brasil e no exterior em áreas-chaves de interesse mútuo –, a área de Iara (concessão BM-S-11A) compreende os campos de Sururu, Oeste de Atapu e Berbigão.

O último começou a produzir em novembro do ano passado, pelo FPSO P-68, e já ocupa a sexta posição entre os maiores campos produtores do país. Segundo dados da ANP, 51,9 mil boed foram extraídos no ativo no mês de maio, sua menor produção mensal do ano, ante a máxima de 71,9 mil boed em janeiro.

A parcela da francesa no cluster foi vendida pela Petrobras em 2018 como parte do acordo. O consórcio é formado por Petrobras (operadora, 42,5%), Shell Brasil (25%), Total E&P do Brasil (22,5%) e a subsidiária da Galp no país, Petrogal Brasil (10%). Os campos de Sururu e Oeste de Atapu estão em fase de desenvolvimento.

O acordo também resultou na cessão de 35% da parcela da Petrobras à Total no campo de Lapa, na Bacia de Santos, em 2018, o que levou a francesa à posição de primeira petroleira privada a operar um campo em produção no pré-sal. Em maio, a ANP aprovou a venda dos 10% remanescentes da Petrobras no ativo à Total, que opera o campo com 45% de participação, em parceria com a Shell Brasil (30%) e a Repsol Sinopec (25%).

Atualmente, a companhia testa novo sistema de transferência de petróleo (offloading) com o uso de embarcação CTV (Cargo Transfer Vessel) no campo de Lapa. Em março, a Total decidiu não renovar o contrato com a sonda Valaris-DS9, da Valaris, que perfurou quatro poços no campo. Lapa produziu 34,3 mil boed em maio.

Em fase de desenvolvimento, a petroleira opera os ativos de Xerelete e Xerelete Sul, com 70% e 100% de participação, respectivamente. Com parcela de 20%, a Total é também parte do Consórcio de Libra – formado por Petrobras (operadora, 40%), Shell (20%), CNOOC (10%) e CNPC (20%) –, responsável pela descoberta de Mero, campo que produz por um teste de longa duração conduzido pelo FPSO Pioneiro de Libra, do consórcio Ocyan/Teekay.

O primeiro sistema definitivo de Mero entrará em operação no próximo ano, com o FPSO Guanabara, fretado pela Modec. A segunda plataforma (Sepetiba) foi contratado à Modec, enquanto o terceiro está em fase de negociação com a Misc. A Petrobras estima reserva de 3 a 4 bilhões de barris no ativo de Libra.

Em fase de exploração, a Total é operadora de sete blocos, distribuídos pelas bacias de Campos (C-M-541), Ceará (CE-M-661) e Foz do Amazonas (FZA-M-125, FZA-M-127, FZA-M-57, FZA-M-86 e FZA-M-88). Na concessão C-M-541 – adquirida na 16ª Rodada, em 2019 –, a petroleira planeja perfuração de dois poços (Marolo 1 e Ubaia 1), em lâminas d’água de 2,980 mil m 3,015 mil m, respectivamente. As atividades estão previstas para começar entre o final deste ano e início de 2021.

A petroleira é concessionária de mais 13 ativos exploratórios, nas bacias de Barreirinhas (1), Campos (2), Espírito Santo (3), Pelotas (4) e Santos (3).

Em razão do impacto da pandemia de Covid-19, o presidente da companhia no Brasil, Philippe Blanchard, informou que a Total está avaliando ajustes de investimentos. A petroleira anunciou corte de 20% no capex global para o ano (cerca de US$ 3 bilhões).

No primeiro trimestre de 2020, a francesa registrou baixa de 99% no lucro, ante o mesmo período de 2019, com ganho de US$ 34 milhões. No quarto trimestre de 2019, o lucro foi US$ 11,3 bilhões.

Coincide com a pandemia e a consequente superoferta de petróleo a queda na produção da petroleira como concessionária no Brasil. A extração de petróleo e gás natural caiu de 39,2 mil boed em março para 30 mil boed em maio – redução de 23,5% no período. Como operadora, a produção se manteve estável, na faixa de 34 mil boed no último mês.

Outros projetos

A Total está presente no país com mais cinco subsidiárias, além da Total E&P do Brasil, em áreas como refino e químicos, energias renováveis e fabricação de baterias.

Em 2018, a francesa entrou no mercado de distribuição de combustíveis no Brasil com a aquisição das atividades de distribuição do Grupo Zema, passando a ter instalações para armazenamento de derivados de petróleo e etanol, além de 280 postos de venda.

A companhia também atua pela Hutchinson, que oferece soluções para a indústria automotiva – como sistemas de vedação e anti vibração, e mangueiras de borracha e plástico – e da fabricante de baterias Saft.

No setor de renováveis, a Total Eren desenvolve projetos de energia solar e eólica no país, operando duas plantas fotovoltaicas em Bom Jesus da Lapa (BA), com capacidade de capacidade de 25 MWp cada.

Já a Total Gás & Eletricidade é acionista com 25% de participação na Transportadora Sulbrasileira de Gás, companhia de capital fechado responsável pelo Gasoduto Uruguaiana-Porto Alegre, além de participar do Gasoduto Bolívia-Brasil.

Fonte: Revista Brasil Energia