Maxime Rabilloud deixa o comando da petroleira francesa no Brasil, que terá outro francês no cargo
O comando da Total E&P do Brasil irá trocar de mãos depois de três aanos. A BE Petróleo apurou que a partir do início de outubro, Maxime Rabilloud deixará a Diretoria Geral da petroleira, que passará a ser comandada por Philippe Blanchard, executivo francês com 25 anos de carreira no grupo.
Blanchard comanda o escritório da Total E&P em Papua-Nova Guiné, ficando sediado em Port Moresby, respondendo também pela área de Novos Negócios de E&P para o Norte da África. Ao longo dos mais de 25 anos de carreira no grupo Total, o executivo exerceu cargos de comando na França, Nigéria e Angola, tendo grande experiência em águas profundas.
Maxime Rabilloud deixará o Brasil para regressar à sede da Total em Paris. O executivo vinha comandando o escritório da petroleira no país desde março de 2015, quando foi nomeado para substituir Denis Palluat de Besset.
Os primeiros boatos sobre uma possível mudança no comando da Total no Brasil surgiram há cerca de um mês. Pessoas próximas ao executivo já confirmavam a alteração, mas ainda não havia confirmação sobre a data da substituição e o nome do novo executivo.
Embora a troca de comando em petroleiras estrangeiras seja um procedimento relativamente corriqueiro, a percepção do mercado é de que a substituição de MaximeRabilloud foi acelerada em razão do problema no licenciamento ambiental da Foz do Amazonas. Em agosto de 2017, o Ibama rejeitou o estudo de impacto ambiental da companhia para perfuração nos blocos FZA-M-57, FZA-M-86, FZA-M-88, FZA-M-125 e FZA-M-127, arrematados na 11ª rodada de licitação, em 2013, em parceria com a BP e a Petrobras.
Foz do Amazonas por trás da troca de comando
Na ocasião, o órgão ambiental listou dez pontos de pendência e de reprovação no parecer que rejeitou o estudo da Total para perfuração na Foz do Amazonas. Fontes envolvidas no processo apontaram falhas grosseiras no estudo e má qualidade do trabalho.
Desde então, o processo de licenciamento das cinco áreas se arrasta, sem qualquer sinal de solução. Não bastassem as dificuldades junto ao órgão ambiental, em abril deste ano, o Ministério Público Federal no Amapá recomendou o indeferimento da licença. O Greenpeace vem fazendo forte campanha contra a liberação da campanha, alegando a existência de corais na região.
As três petroleiras desembolsaram R$ 621,4 milhões pela aquisição dos cinco blocos. A parcela paga pela Total, que além de operar os ativos, detém participação de 40%, somou R$ 248,5 milhões.
O portfólio da Total E&P do Brasil é formado por 17 ativos, o que inclui uma participação de 20% em Libra e a operação do campo de Lapa, ambos localizados no cluster de Santos.
Fonte: Revista Brasil Energia