
Faz apenas 13 dias que a Excelerate Energy assumiu a operação do Terminal de Regaseificação da Bahia (TR-BA), mas os planos da companhia norte-americana para o Brasil vão muito além de 31 de dezembro de 2023, quando expira o seu contrato de arrendamento com a Petrobras. É o que garante a VP da Excelerate na América do Sul, Gabriela Aguilar.
De acordo com a executiva, a empresa mira não apenas as infraestruturas de regaseificação de GNL no país, mas também oportunidades relacionadas à distribuição do produto por veículos pesados e por cabotagem, projetos de LNG-to-Power, expansão do combustível para o mercado marítimo e até alternativas ao GLP.
Uma das estratégias, disse a VP, “é ampliar o uso do gás natural por meio da distribuição de GNL para acessar populações que não estão conectadas ao sistema”.
Embora admita que a companhia está conduzindo negociações para levar adiante novos projetos, Gabriela limitou-se a dizer que não poderia compartilhar mais informações.
Indagada ainda sobre os desafios e as dificuldades que a Excelerate espera encontrar no Brasil, a executiva assegurou que a experiência internacional adquirida pela empresa ao redor do mundo lhe confere capacidade ímpar para vencer resistências e aproveitar as oportunidades em solo brasileiro.
“A Excelerate faz parte da revolução do GNL. Em 2005, fomos os primeiros a implantar um FSRU (Floating Storage and Regasification Unit) no mundo, o que trouxe flexibilidade para serviços de curto prazo”, afirmou.
Atualmente, a empresa detém o maior mercado e a maior frota global de regaseificação de GNL. Ao todo, são 10 unidades – quatro estão na América do Sul.
TR-BA
Autorizada pela ANP a importar até 30 milhões de m³/dia de GNL, a Excelerate iniciou sua operação no TR-BA vendendo uma média de 9 milhões de m³/d de gás para o mercado brasileiro. A ideia, obviamente, é utilizar toda a capacidade, mas tudo depende do volume que o mercado irá demandar.
Pouco menos de um mês antes de a Excelerate assumir o terminal, a Proquigel, arrendatária das fábricas de fertilizantes da Bahia e Sergipe, solicitara ao Cade uma autorização em caráter de urgência para que a Petrobras pudesse adquirir um volume mínimo diário de GNL para abastecer as plantas, sob o risco de paralisação das Fafens em 1º de janeiro de 2022.
No ofício, a Proquigel alegou que a Excelerate ainda não tinha um portfólio apto a absorver flutuações spot e preços competitivos baseados em contratos de médio e longo prazo, o que a impediria de se colocar como um fornecedor competitivo de GNL no mercado.
O Cade, por sua vez, autorizou a Petrobras a atuar como cliente da arrendatária do terminal. Na ocasião, o órgão justificou sua decisão com base no entendimento que a atuação da Petrobras poderia “amortecer o impacto inflacionário em vez de impulsionar a abertura do mercado com a entrada de outros distribuidores que possam operar no mercado spot, ainda que com volumes menores e preços mais altos”.

Para a VP da Excelerate Energy, não resta dúvida que a companhia é capaz de atender o mercado brasileiro em bases competitivas. Em sua avaliação, a abertura do mercado de gás no país aliada à crise energética criou uma conjuntura desfavorável e desafiadora, o que gera incertezas e temores. Por isso, diz Gabriela, a Proquigel e outros atores deverão adquirir uma curva de aprendizado para compreender como ocorre a contratação do GNL, que é diferente da contratação de gás natural.
“Respeitamos a opinião da Proquigel, mas a Excelerate não é responsável pelo problema. Há uma conjuntura internacional marcada pela elevada demanda dos mercados asiático e europeu. Soma-se a isso os desafios da abertura do mercado brasileiro de gás a partir de 1º de janeiro, o que gera inseguranças. Isso faz parte do processo”, concluiu a executiva.
Fonte: Revista Brasil Energia