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Clippings - 01/06/10

Transbordo atrai interesse de terminais de contêineres

Terminais de contêineres querem realizar operações de transbordo em suas instalações. Mas, antes disso, precisam vencer obstáculos como custos operacionais e falta de espaço.

Privilegiado pela localização geográfica, que por sua vez o torna diferente dos demais pela oferta de rotas regulares, e ainda por estar na região mais rica e produtiva, Santos tem tudo para conseguir esse serviço. E, para os terminais, ainda se recuperando da crise financeira internacional que fez despencar suas operações, todo serviço é bem-vindo. Santos tem toda essa característica geográfica e geológica, porque a dragagem nos favorece, e um volume de carga própria importantíssimo. E carga própria tende a disputar espaço com transbordo, e isso precisa ser considerado. Por outro lado, se não podemos ignorar a carga própria para fazer mais transbordo, o Porto de Santos está tendo sua capacidade instalada ampliada, e a tendência é acabar essa disputa, analisou o superintendente da Santos Brasil Logística, Mauro Salgado.

Aholding Santos Brasil administra o principal terminal de contêineres do Porto, com mais de 40% demarketshare. Salgado destacou que, mesmo com toda a disputa, a empresa tem como atender transbordo. Tecnologicamente, temos capacidade operacional, não há nenhum problema. Mas hoje estamos planejando para carga própria e para o volume que já está aí de transbordo. No geral, com relação a todo o Porto, a questão é espaço, sentenciou Salgado, também presidente da Federação Nacional dos Operadores Portuários (Fenop). O esperado, disse ele, é que, ao haver a abertura de terminais, haja uma redução da disputa entre cargas própria e de transbordo. Na medida que aumentar essas operações, que os armadores forem demandando, vamos ter que disponibilizar estrutura. CUSTOS O diretor operacional da Rodrimar, Liberato Carioni, afirmou que os custos do Porto de Santos ainda não são competitivos para ampliar a movimentação de cofres de transbordo. A empresa dele administra um terminal especializado no Cais do Saboó. Segundo o executivo, esses custos operacionais, que incluem tarifas e mão de obra, precisam ser revistos, seja pela Codesp, pelos operadores portuários ou pelo próprio Órgão Gestor de Mão de Obra (Ogmo). Todos terão que rever seus custos para tais cargas. Ora, são cargas que pertencem a outros portos e, para Santos, seria um acréscimo muito significante em movimentação. E, logicamente, mão de obra e geração de novos empregos,defendeu Carioni.

A argumentação para a queda das taxas vigentes em Santos é bem simples, segundo o diretor operacional da Rodrimar. Para ele, os portos de Rio Grande (RS) e Rio de Janeiro (RJ) são mais competitivos financeiramente, porém, não se comparam sob aspecto nenhum a quantidade de cargas que poderá ser movimentadas por Santos.

Iremos ganhar menos (financeiramente), porém com um volume muito grande. A Tribuna procurou ainda a representação dos armadores e os demais terminais primários de contêineres do Porto, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. Também procurada, a Secretaria de Portos (SEP) da Presidência da República não se pronunciou sobre as medidas para estimular o transbordo, por entender que a Codesp já se posicionou sobre o tema.

Instalações devem reduzir estoques, defendem Comus A operação de transbordo de contêineres não cresce no Porto de Santos porque os terminais especializados ainda estão voltados prioritariamente para as cargas de exportação e de importação, afirma o coordenador do Comitê de Usuários dos Portos e Aeroportos de São Paulo (Comus), órgão ligado à Associação Comercial de São Paulo, José Cândido Senna.

Para ele, para reverter essa condição, o complexo precisa otimizar a relação entre costado e pátios de estocagem. Os terminais, pela própria estrutura orgânica, pela relação com os players de logística no Brasil, dão prioridade para o atendimentoao armador (companhias de navegação), no sentido do custo relevante, de maior custo e, portanto, mais importante. Mas, do lado dos embarcadores (os donos das cargas),carecedeumtratamento mais objetivo.

Quando sai da interface cais-pátio, percebe-se que há problemas de recepção de carga de transbordo, porque há dificuldade para os pátios de estocagem,resume Senna. A argumentação é simples: contêineres de transbordo precisam ficar em áreas de fácil movimentação, pois em alguns dias serão removidos para reembarque, ao contrário dos cofres de exportação e importação,que podemficar armazenados por mais tempo sem o risco de perder a escala dos navios. Santos não atrai transbordo porque, ao olhar os pátios dos terminais molhados, a impressão é deles estarem sempre congestionados de carga. É preciso resolver a questão de formação de estoques em áreas nobres, lindeiras ao mar. A proposta é reduzir esses estoques, promovendo uma interação maior entre o Porto e seu retroporto. É conceitual, prega Senna. INTERESSE De acordo com o coordenador do Comus, apesar da exportação e da importação de contêiner ser mais vantajosa, os armadores têm interesse em aumentar as operações de transbordo, especialmente em Santos, que ele considera o mais gabaritado para liderar esse serviço no continente. Os portos estão fazendo suas dragagens. Santos está sendo ampliado e com planos de uma segundafase.Todomundoacredita que isso será bem sucedido. E, ao fazer dragagem, dá condição de trazer navios maiores.

Com isso, as consignações de cargas tendem a aumentar. A quantidade de contêineres por atracação vai aumentar e, se houver toda essa mudança estrutural,Santos vaiganharmuitoemtransbordo,prevê o coordenadordo Comus.