A tradição natalina diz que o Papai Noel chega à casa de cada um de nós para nos trazer presentes. Ele traz consigo um saco grande, onde guarda de tudo e tudo cabe. No Brasil, no entanto, as coisas nem sempre seguem a lógica e o bom velhinho parece ter preferido reabastecer sua sacola pelo país. Vai embora daqui levando consigo 11 encomendas do Estaleiro Atlântico Sul, em Pernambuco. A decisão não foi tomada no Pólo Norte, mas no Rio de Janeiro, endereço da Transpetro.
O cancelamento representa metade do contrato assinado entre as partes, orçado em um total de US$ 3,4 bilhões. Sete embarcações já foram entregues, sobrando apenas quatro para serem finalizadas. O estaleiro fica no Complexo Portuário do Suape, mesmo local do Estaleiro Vard, que também teve canceladas as encomendas de dois navios gaseiros.
Os cancelamentos da estatal podem ser a pá de cal que faltava sob a indústria naval brasileira. Estamos cada vez mais próximos de reeditar os anos 80, quando o país se tornou um expoente no setor naval e deixamos passar a possibilidade de criar um segmento robusto nacional e internacionalmente.
Os efeitos na economia são grandes, mas há de se pensar nos quase oito mil trabalhadores do Estaleiro Atlântico Sul que terão um final de ano mais apertado do que o comum. O exercício de mentalizar coisas boas para o ano seguinte será mais difícil, já que as perspectivas não são de melhora em um curto prazo. Demissões no Estaleiro Vard já estão praticamente certas para o próximo ano.
De acordo com o Sindicato Nacional da Indústria de Construção e Reparação Naval (Sinaval), o ano de 2015 teve cerca de 20 mil pessoas do setor naval perdendo seus postos, sem contabilizar as recentes demissões nos estaleiros Eisa e Brasfels, ambos no Rio de Janeiro.
O provável destino das embarcações todos já sabem: a China. Talvez os chineses tenham se comportado melhor durante o ano que os brasileiros.