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Clippings - 18/04/13

Transpetro deverá adiar compra de 3 navios

Em recente comunicado público, o presidente do Sindicato Nacional da Construção Naval (Sinaval), Ariovaldo Rocha, após lamentar a interrupção das encomendas de barcos de apoio pela Petrobras, lembrou que 30 de junho é o prazo fatal para que a Transpetro – subsidiária da Petrobras – lance licitação para compra de três navios de transporte de combustível para navios (“bunker”). Com essa encomenda, os dois planos da Transpetro – Promef I e II – estariam completados, fazendo com que as promessas do Governo em relação a modernização da frota estatal fossem efetivamente cumpridas.

Oficialmente, a Transpetro não se pronunciou, mas fontes do setor afirmam que, pela falta de contatos prévios entre a Transpetro e o mercado, pode-se concluir que a encomenda não será lançada e, portanto, a subsidiária não poderá bater no peito e declarar que colocou 100% das encomendas efusivamente anunciadas durante a gestão de Lula. Uma fonte disse que, tanto na Petrobras como na Transpetro, a ordem é a de pagar apenas pelo que foi assinado e que qualquer novo empenho de gasto está proibido pela presidente Graça Foster.

Em relação a uma grande frustração da Petrobras, há dúvidas. No início da década, a Petrobras lançou o projeto EBN ( de Empresa Brasileira de Navegação). Por esse sistema, a estatal garantiria, a particulares (EBNs) contratos de 15 anos de operação e, assim, teria a seu dispor 39 navios, a preços bons, uma vez que o gasto de capital seria dos privados, cabendo à estatal apenas o pagamento mensal dos aluguéis. Todos sabem que o projeto foi a pique e os prazos não foram cumpridos, mas, em entrevista coletiva durante lançamento do Plano de Negócios, a presidente Graça Foster ouviu o diretor José Carlos Cosenza declarar que o projeto estava plenamente válido e que a Petrobras iria insistir com ele. Há que se respeitar a afirmação de Cosenza – dada no auditório da Federação das Indústrias do Rio (Firjan), mas os reais passos da estatal nem de longe indicam isso. Na melhor das hipóteses, se o projeto for retomado, novos prazos terão de ser estipulados, pois pelo plano inicial alguns navios teriam de estar prontos em 2014 e nem estaleiros chineses conseguiriam tal façanha.

Segundo se comenta, o projeto EBN atende a vários fins: estimula estaleiros (com obras); evita estatização (pois a frota é privada, embora opere para a estatal, unicamente); gera empregos (de metalúrgicos e marítimos); evita maior dispêndio da estatal (que paga apenas valores mensais e não aumenta seus investimentos); por último e talvez mais importante, com o projeto EBN, a Petrobras poderá comparar os custos do mercado com os valores despendidos por sua subsidiária Transpetro, considerados altos por alguns executivos da Petrobras-holding.