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Sérgio Bacci ressaltou que subsidiária seguirá orientações da Petrobras, que mantém conversas sobre entrada de projetos de construção de embarcações no hall de prioridades do governo federal que o presidente Lula deve anunciar em breve
A Transpetro estudará, nos próximos 60 dias, as características dos navios para a ampliação da frota da companhia. Esse foi o prazo definido para o grupo de trabalho, criado na primeira reunião da nova diretoria realizada na última sexta-feira (28). O GT fará um levantamento sobre as demandas necessárias de navios, quais os estaleiros que podem construir esses navios e os respectivos custos. O presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, voltou a dizer que a decisão de construir em estaleiros nacionais será tomada de forma responsável.
“O Brasil tem pressa, precisamos gerar empregos no país. Vamos construir navios no Brasil, mas não será a qualquer preço e a qualquer prazo. Temos que ter parâmetros para construir esses navios sem ter problemas”, reforçou Bacci, durante coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (4), na sede da Transpetro, no Rio de Janeiro.
Na ocasião, Bacci chamou a atenção que, apesar de a produção de petróleo ter aumentado no país nas últimas décadas, a frota da Transpetro hoje totaliza 26 navios próprios, de cabotagem e de longo curso — menos da metade dos 57 navios que havia a partir de 1997, período em que a produção de petróleo no Brasil sofreu aumento significante.
Os 26 navios em operação correspondem às entregas do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef). “Se não fosse o Promef, muito possivelmente a Transpetro não teria absolutamente nenhum navio. Isso mostra a importância de construir navio no Brasil”, salientou. Ele ponderou que a Transpetro seguirá as orientações que vierem da Petrobras, sua controladora, e, consequentemente do governo federal, principal acionista da companhia. “Estamos conversando para entrar no hall de prioridades do governo federal que o presidente Lula deve anunciar em breve”, adiantou.
Além do GT, a Transpetro também se juntará à Petrobras numa comissão mista montada pela companhia e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para discutir financiamentos. Bacci salientou que as embarcações demandarão recursos do Fundo da Marinha Mercante (FMM), principal instrumento de fomento setorial para financiar a indústria naval e a marinha mercante brasileira.
As conversas abertas são no sentido de identificar quais tipos de navios são necessários para atender à Petrobras. A idade média da frota da Transpetro atualmente é de oito anos, sendo que um petroleiro costuma operar, em média, entre 20 e 25 anos. Além dos 26 navios de cabotagem e longo curso próprios, a Transpetro conta com 10 navios aliviadores (shuttle tankers) afretados do exterior. Bacci disse que a disponibilidade de navios específicos como esse na bandeira brasileira seria importante para dar segurança para o transporte da produção das plataformas marítimas para o continente, sobretudo em caso de algum problema na oferta dessas embarcações estrangeiras.
A Transpetro opera navios para produtos claros e produtos escuros, além de navios de longo curso que levam petróleo cru ou combustível refinado para o exterior e opera aliviadores. A expectativa, segundo Bacci, é que a incorporação futura de navios de bandeira nacional à frota reduza os custos com afretamento de navios de bandeira estrangeira. “Se construirmos navios para atender à Petrobras, vamos interferir no preço do afretamento. Mais demanda, interferimos diretamente no preço desses afretamentos. O motivo econômico é razoável”, defendeu.
Ele explicou que hoje a frota da Transpetro atende basicamente a Petrobras, que continuará a ser seu principal cliente, fortalecendo o papel da subsidiária de braço logístico da controladora. Bacci mencionou que a Transpetro possui um contrato de afretamento para operação de um navio na rota Coari-Manaus. O presidente da Transpetro ressaltou que foi uma oportunidade identificada para um navio que estava ocioso. “Cliente para utilizar navios no Brasil não faltam, existem várias operadoras que precisam de navios. Podemos contribuir com a Petrobras para reduzir custo de afretamento que ela tem com terceiros”, avaliou.
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Fonte: Revista Portos e Navios