Os grandes terminais mundiais de contêineres enfrentam uma mudança na sorte (para pior), com a primeira queda nos volumes embarcados, ano sobre ano, e uma mudança abrupta da expansão desenfreada para uma retração.
As quatro maiores operadoras – a Hutchison Ports de Hong Kong; a PSA de Cingapura; a APM Terminals da Dinamarca; e a DP World de Dubai – estão reduzindo os custos, inclusive com demissões, e adiando ou cancelando novos projetos de construção.
A consultoria Drewry Shipping Consultants, de Londres, prevê uma queda de 10,3% no volume de contêineres transportados este ano, contra o ano passado. Ela ainda registra um crescimento de 4,6% quando comparado com 1982, o pior ano desde 1956, quando teve início o transporte de contêineres.
Antes de outubro de 2008, nosso setor estava acostumado a um crescimento anual de 10% a 15% nos volumes comercializados mundialmente, diz Kim Fejfer, diretor-presidente da APM Terminals. Não só estamos em meio a uma crise de volume como também nossos clientes, as transportadoras de contêineres, se encontram em uma situação mais difícil por causa do excesso de capacidade desse setor.
Mohammed Sharaf, diretor-presidente da DP World, diz que o setor passa por uma grande mudança. Precisamos mudar de marcha, mudar nosso processo de raciocínio para atender a demanda.
A desaceleração aumentou o foco no corte de custos. Estamos com mais tempo para nos concentrar em áreas específicas como a de eficiência dos equipamentos, a utilização dos equipamentos e o desafio de reorganizar as horas de trabalho, afirma Sharaf. Todas as quatro grandes operadoras, exceto a DP World, cancelaram projetos de ampliação dos portos.
A Hutchison desistiu de projetos em Thessaloniki, na Grécia, e Manta, no Equador, embora tenha insistido que nos dois casos isso ocorreu porque as autoridades locais queriam alterar unilateralmente os contratos. Há informações de que a PSA cancelou alguns projetos, mas a companhia se recusa a comentar o assunto.
Fejfer confirmou que a APM Terminals engavetou alguns projetos, mas não quis especificar. Em alguns projetos, nós precisamos rever a proposta do ponto de vista dos custos e do ponto de vista dos investimentos, disse ele. Infelizmente, também tivemos de cancelar alguns poucos projetos.
Neil Davidson, analista de portos da consultoria Drewry Shipping, diz que embora as operadoras de terminais estejam sofrendo com a queda das receitas, as margens de lucro permanecem em grande parte inalteradas.
Sharaf acredita que a retração poderá acabar mostrando-se saudável para as operadoras se ajudá-las a aprender a controlar melhor seus custos.