Hamburg Süd/Aliança deve movimentar 1,1 milhão de Teus neste ano.
O transporte marítimo começa a retomar os volumes de movimentação de contêineres depois do pior ano da história do setor, devendo registrar, em 2010, aumento de 2,2%, ante uma retração de 9,1% prevista para este ano. As perspectivas são da consultoria Clarkson, baseada em Londres, e foram apresentadas ontem, dia 15, durante coletiva de imprensa em São Paulo com o diretor geral da Hamburg Süd no Brasil, Julian Thomas, por ocasião dos 10 anos do serviço de cabotagem da Aliança, braço de navegação costeira do armador alemão no Brasil.
Para 2010, a previsão é mais otimista, mas parte de uma base relativamente baixa, disse Thomas (na foto). Historicamente, os índices de movimentação de contêiner são superiores ao crescimento mundial da economia. Em 2004, por exemplo, os percentuais foram de 13,4% e 4,9%, respectivamente.
Conforme já havia adiantado o Guia Marítimo no meio do ano, dados da consultoria Drewry Shipping apontam que os armadores devem amargar perdas equivalentes a US$ 20 bilhões neste ano, resultado da abrupta queda de volumes nos trades e consequente redução das taxas de fretes, em média, de 35%.
Os armadores e a indústria de contêineres estavam preparados para um crescimento continuado. E investiram na construção de novos navios, cujo prazo mínimo de maturação é de 3 anos, argumentou Thomas.
A Hamburg Süd/Aliança, que lidera a movimentação de contêineres na costa leste da América do Sul, registrou redução de aproximadamente 20% nos volumes, estimando fechar o exercício com 1,1 milhão de Teus transportados, ante 1,3 milhão de Teus em 2008.
Existe uma retomada bastante forte sobretudo na importação da Ásia, Europa e EUA. E as exportações, de forma mais tímida, devido ao câmbio, avaliou Thomas.
Dentre as medidas para adequar a capacidade de espaço à demanda de cargas, as companhias marítimas lançaram mão de cancelamentos de pedidos e sucateamento de embarcações. O envio de navios para estaleiros de desmanche, localizados notadamente na Ásia, foi largamente empreendido por armadores. Ocorre que apenas 9% da frota mundial tem idade superior a 20 anos, o que limita a empreitada.
Hoje, em média, o montante de navios ociosos equivale a pouco mais de 10% da frota mundial ativa, de acordo com dados da consultoria Alphaliner.
Outra solução foi a redução da velocidade das embarcações para evitar o consumo do bunker, responsável por 60% dos custos de operação. Como resultado, as empresas tiveram de empregar mais navios nas rotas.
A própria Hamburg Süd adotou a saída. No trade com os Estados Unidos, destacou uma sétima embarcação, com viagem completa de 49 dias. No serviço asiático, o número pulou de 10 para 12 navios; e no do Mediterrâneo, a frequência caiu para uma semanal. Com isso, a participação do bunker no custo das operações ficou abaixo de 50%.
Cabotagem
Responsável por aproximadamente 50% do mercado de cabotagem, a Aliança Navegação estima fechar o ano com 220 mil Teus movimentados, queda de 12% sobre os 250 mil Teus transportados em 2008. Por conta da crise, a empresa suspendeu o Anel 3, que servia portos do Sul, Sudeste e Nordeste. Todos os complexos continuam sendo atendidos pelos outros serviços da companhia. (Mais informações sobre cabotagem na edição impressa do Guia Marítimo)